quinta-feira, 31 de agosto de 2017

#Theatro4deSetembro123!

#aniversárioTheatro!
por maneco nascimento

Começaram as ações de aniversário do Theatro 4 de Setembro, desde dia 29 de setembro, em antecipação aos festejos da Casa de espetáculos que segue aos seus bem vividos 123 anos.

As Oficinas Cênicas deram seu ar da graça. Iniciadas com Jussara Belchior (29, 30 e 31 agosto/Oficina Dança Contemporânea). Valdemar Santos, com a Oficina "Corpo em Pontos de Vista - Dança Afro", dia 30 e 31 de agosto e, segue até 01 de setembro. E dias 03 e 04 de setembro, na muvuca dos festejos #aniversárioTheatro4deSetembro123anos, será a vez de Alexandre Vargas [Oficina/Curso “Elaboração, Planejamento e Gestão de Projetos” ]

As Oficinas ofertadas com [inscrições gratuitas] dão impulso aos festejos de aniversário do Theatro 4 de Setembro 123 Anos. Praticam Diálogos Indispensáveis e Encontros Necessários da comunidade artística com  seu fazer cultural em dialogismo com a Práxis Cênica.

Na sequência das Oficinas chega uma revoada de espetáculos à toda plateia. Dança, Teatro, Música, Show biz Trans, Musicais, Circo, Formas animadas, Teatro de Rua e Circo [de 31 a 04 de setembro], nos diversos espaços do Complexo Cultural.

As Oficinas Cênicas, semana adentro,  29, 30 e 31 agosto, na Sala “Procópio Ferreira” (Theatro 4 de Setembro), das 9h às 12 horas, “Dança Contemporânea”, ministrada pela bailarina,coreógrafa e intérprete criadora, Jussara Belchior, da Cena 11 Cia de Dança, de Florianópolis SC. A prática para 20 postulantes à prática.
30 e 31 de agosto e 01 de setembro, o coreógrafo, bailarino e intérprete criador, Valdemar Santos, que amplia seu diálogo de Corpo falante, na Sala "Procópio Ferreira", das 14h às 17 horas, para 30 pessoas. A Oficina “Corpo em Pontos de Vista – Dança Afro”. Valdemar Santos é natural de Amarante, no interior sul do Piauí e reside atualmente em Brasília DF.
A terceira prática, dos dias 03 e 04 de setembro, no Teatro “Torquato Neto” [Club dos Diários], é a Oficina/Curso “Elaboração, Planejamento e Gestão de Projetos”  facilitada pelo ator, diretor de teatro e articulador cultural em produção executiva de Festivais, Alexandre Vargas, de Porto Alegre RS. A Coordenação dessa terceira Oficina é do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes. 
O encontro será das 9h30 às 13h, com um Intervalo 15 minutos, às 11h, para um cafezinho, e retorno à finalização do dia de construção dos serviços. O encontro deve repercutir novas estratégias de ação e melhor empreendedorismo na elaboração de Projetos culturais. A Oficina/Curso “Elaboração, Planejamento e Gestão de Projetos” esgotou inscrições em 120 participantes.

O primeiro espetáculo que instala os festejos de aniversário do Theatro é "Peso Bruto", solo criado e interpretado por Jussara Belchior (Florinópolis SC). A artista fará duas apresentações na Galeria de Arte "Nonato Oliveira" do Club dos Diários, dias 31 de agosto e 01 de setembro. 
Dia 31 de agosto a apresentação de "Peso Bruto" será às 19 horas e, no dia 01 de setembro ,o espetáculo será visto às 20h30. O acesso às apresentações será 1kg de alimento, mas o público que não trouxer o alimento não ficará de fora. 
Toda a programação de aniversário realizada será para receber seu público, logo a participação da plateia será honra da Casa, pois Convidada indispensável. Os alimentos arrecadados na troca por ingressos serão definidos a 04 (quatro) instituições beneficentes da cidade de Teresina.

O espetáculo Peso Bruto é o trabalho solo da bailarina gorda Jussara Belchior que parte do estranhamento causado pelo corpo gordo na dança. É uma dança de resistência que questiona os padrões de beleza e comportamento na tensão entre formato e embalagem, aparência e conteúdo. 

Uma dança que explora a materialidade do próprio corpo como caminho de empoderamento, que questiona as noções da gorda como subjetividade que opera um corpo errado, inadequado, não permitido, não belo e não desejável. Uma dança que articula diálogos entre o peso, o desejo, o apetite e a beleza, colocando em contraposição o controle e a brutalidade.

Na Ficha Técnica de "Peso Bruto", a Criação, produção e dança, Jussara Belchior; Interlocução de Soraya Portela; Dramaturgia, Anderson do Carmo; Trilha Sonora, Dimitri Camorlinga; Figurino, Joana Kretzer Brandenburg; Iluminação e Designe Gráfico, Marcos Klann; Fotografia, Cassiana dos Reis Lopes. A duração do espetáculo é de 35 minutos e a Classificação é para 16 anos.

Serviço:
*Oficinas Cênicas - dias 29, 30, 31 ago./01, 03 e 04 de setembro.
Sala "Procópio Ferreira"/Teatro "Torquato Neto"
estreia *Espetáculo "Peso Bruto"
dias: 31 agosto - 19h//\\01 de setembro - 20h30
na Galeria de Arte "Nonato Oliveira" [Club diários]
35 min.//\\classificação: 16 anos

terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Noite Nua de Estrelas"

a vida em xeque
por maneco nascimento 

O assunto, ainda envolto de tabu, quase intransponível, entra em cartaz para discutir temática arisca. 
O Espetáculo aborda temática do suicídio e, vem dizer que a vida tem dinâmicas de sobrevivência e é contínuo refletir, discutir e abrir diálogos, porque esta saída ainda pode ser a melhor solução para construir, através da cena dramática, a espinhosa tarefa de quebrar esse mito do silêncio que envolve vidas e decisões de encurtar vidas.

"Noite Nua de Estrelas", estreia no próximo sábado (19), durante o Festival Integrado de Teatro da Unirio [FITU 2017], no Rio de Janeiro, e traz ao palco de decisões e práxis dramáticas de atuação e método o ator piauiense Dan Martins.

A peça narra uma noite na vida de Caíque, um jovem sufocado pelos seus mais profundos sentimentos, após ter sua intimidade exposta nas redes sociais. Preso a uma rede de mentiras, o protagonista do enredo vive as dores e consequências dos seus desejos mais secretos tornados "efeméride" na evasão da privacidade. 
Através do corpo expressionista, o ator Dan Martins entrega-se, sem amarras, ao processo investigativo para vivenciar seu primeiro Solo teatral. A direção do espetáculo é de Diomar Nascimento.

O texto foi construído em 2014, quando Dan Martins propôs ao dramaturgo Vitorino Rodrigues que escrevesse um texto sobre o universo dos suicidas e da relação com a cultura digital. Rodrigues estruturou sua escrita em conexão com a realidade cruel dos desejos suicidas e a poesia de uma relação homoafetiva proibida. 
"Noite Nua de Estrelas traz uma relação insólita do homem com o seu espelho. Caíque é daquelas pessoas que se tremem de medo do escuro, do tipo, 'Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas’. Talvez porque seja na escuridão total que nossos medos, nossos sentimentos mais secretos que a gente teima em esconder, se revelem de forma concreta e assustadora, sem amarras e sem possibilidades de fuga”, afiança o dramaturgo Vitorino Rodrigues.

A montagem é do Coletivo (In)Comum, grupo que propõe um olhar sobre o universo suicida, transitando entre o sentido da vida e os transtornos mentais sociodemográficos. Baseado no Teatro Físico, na Biomecânica de Meyerhold e galgado nas manifestações culturais afro-brasileiras, o Solo provoca discussões sobre temas universais como amor, sexualidade e intolerância.

[No Piauí, o índice de mortes por grupo de 100 mil habitantes chega a 7,6. No Nordeste, essa taxa é de 4,3 casos. O número de óbitos entre os homens piauienses é mais de quatro vezes maior do que entre as mulheres: 13,1 para cada 100 mil habitantes contra a taxa de 3,7 de mulheres.

Assunto mantido entre quatro paredes para tema de série na internet, o suicídio de jovens cresce de modo lento, mas constante no Brasil. De acordo com dados do Mapa da Violência 2017, um estudo publicado pelo Ministério da Saúde, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 - um aumento de quase 10%.]

Compõem o espetáculo, na ficha técnica, a atuação de Dan Martins. Direção: Diomar Nascimento; Dramaturgismo, Wellington Júnior; Iluminação, Leandro Braga; Figurino, Léa Schmitt; 
Caracterização, Lucas de Oliveira; Trilha Original, Chico Rota; Música, Léo Bruno; Participação em Of (Vídeo), Ana Kailani Guimarães e Felipe Côrtes.


O Grupo:

O Coletivo (In)Comum é um grupo teatral formado por alunos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Unirio, dos Cursos de Atuação Cênica e Teoria e Estética do Teatro. O grupo surgiu em 2016, e desenvolve pesquisa voltada para a dramaturgia contemporânea realizada na região Nordeste. É formado pelos nordestinos Dan Martins (PI), Leandro Braga (CE), Diomar Nascimento (BA), e Wellington Júnior (PE). Conta, ainda, com a colaboração de Darlon Silva, Luiza Loroza e Matheus Neves.

*Diomar Nascimento - aluno de graduação em Atuação Cênica da Unirio. Bacharel e licenciado em Educação Física pela UNIP – SP. Formado em Teatro pela Recriarte. Ator, bailarino, diretor, cantor. Viajou pela Europa e África onde está desenvolvendo sua pesquisa de investigação da construção do trabalho corporal do negro e sua ancestralidade.

*Dan Martins - estudante de Atuação Cênica na Unirio. Técnico em Arte Dramática pela Escola Técnica Estadual de Teatro "Professor José Gomes Campos", no Piauí. Ator, diretor de teatro, produtor cultural. É fundador e diretor do Grupo de Teatro Buriti, além de idealizador e coordenador geral da Mostra Buriti de Teatro. Atuou em diversos espetáculos, filmes, e assinou o roteiro e direção do Documentário Buriti Grande [de João a 5ª geração].


*Vitorino Rodrigues - licenciado em letras Português e Inglês pela Universidade Federal do Piauí e especialista em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Piauí. Professor de Língua Portuguesa concursado pela Prefeitura de Teresina, desde 1998, e pelo Governo do Estado do Maranhão, na cidade de Timon, desde 2004. Ator, produtor cultural, poeta e dramaturgo. 

Serviço:
Estreia espetáculo "Noite Nua de Estrelas" | Na programação do FITU - Festival Integrado de Teatro da Unirio 2017 | 5ª Edição
Dia 19 de agosto, às 14h
Na Sala Roberto de Cleto, 6° andar do CLA – Centro de Letras e Artes – Unirio | Av. Pasteur, 436, Fundos, Urca – Rio de Janeiro – RJ.

fotos/imagem: (acervo "Noite Nua de Estrelas"/divulgação)

Mostra Monólogos

Resultados Dramaturgia
por maneco nascimento

Nesta terça, 15, no Teatro "Torquato Neto" acontece a estreia de dois espetáculos Solo, como resultados de Oficina de Dramaturgia//\\Textos Teatrais//\\Pequenos Textos//\\Linguagem Monólogos//\\Teatro Novos Autores//\\Nova Dramaturgia Piauiense.

A Oficina de Textos Teatrais, na edição Monólogos, é construída a partir da facilitação da dramaturga Isis Baião e que, dessa feita, já emplaca o terceiro ano seguido de diálogos interagidos com a comunidade, a partir do apoio logístico institucional do Governo do Estado/Secretaria de Estado de Cultura do Piauí - SeCult.

Hoje, 15 de agosto, às 19 horas tem Teatro Sim! 
"Mostra Monólogos". 
Reiterando a nota: Estreia de Resultados da Oficina de Textos Teatrais - Pequenos Textos [ Monólogos ], com duas atrações em exercício do ator/atriz e método.

"Madame Espinho Solar na Rota da Lava Prato 
Mostra de Monólogos"
I. "O Amanhã, Palavra de Cartomante"
de Angely Costa e Hugo Lenes Menezes
II. "Assim Falou Odel Brecha"
de Larissa Gonzalez,
com Lúci Teixeira.

Os dois resultados, em cena, recebem assinatura, na direção, de Jesus Viana.










(jesus viana/acervo particular)

E a coordenação geral é de Isis Baião. 










(isis baião/acervo particular)

O Mostra Monólogos tem Entrada é F r a n c a !

Ainda na noite, além da Mostra de Monólogos, haverá também a Entrega de Certificados aos participantes da Oficina.

Serviço:
Mostra de Monólogos
15 agosto
19 horas
Teatro "Torquato Neto" [Club Diários]
Entrada FRANCA!
classificação: 14 anos

fotos/imagem: (divulgação)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

"Elvis Não Morreu!"

Ele está de volta
por maneco nascimento
Elvis  é tema de Espetáculo Musical com estreia para os dias 09 e 10 de agosto (quarta e quinta feira), às 19h30, no Theatro 4 de Setembro. 

As canções do ídolo, do Rei do Rock'n Roll ao pop, country rock, rockabilly, rock and roll, gospel, R&B e blues rock, desse pop art americano no Musical "Elvis Presley Forever".

A Voz, o mito, a canção na voz mais vibrante do mundo às batidas frenéticas e melódicos sincréticas dos anos que marcam a carreira e encontro dos fãs ao redor do mundo com Aquele que seria inigualável como intérprete, performance, beleza e carisma de atração a toda a gente que viveu para ouvi-lo cantar.

Cantor, músico, ator e compositor terá suas memórias de canções repercutidas no palco e na cena musical de Teresina.

"Elvis Presley Forever" é escola prática do Curso de Música e é comandado professor do departamento, o maestro e diretor musical e artístico do espetáculo, Cássio Martins. 

As gerações atraídas, milhares  de fãs de diversas idades mundo afora marcaram em suas memórias Elvis Presley. 

E, num "revive memories", os clássicos do intérprete poderão ser revividos no Musical "Elvis Presley Forever", um tributo ao cantor e compositor entre um dos mais badalados, amados e festejados em muitas partes do planeta. 

O espetáculo é uma ação de extensão da Universidade Federal do Piauí, do Centro de Ciências das Educação, Curso de Música e do Projeto Cultura no Campus que, para essa empreitada musical encontra parceria do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de cultura do Piauí - SeCult.  
"Elvis Presley Forever" tem uma hora de duração e compõe com os instrumentais, dois teclados, uma guitarra, um violão, baixo elétrico, bateria e um quinteto de cordas executadas por estudantes e pelo diretor musical e artístico do espetáculo, Cássio Martins. 

O Musical conta "a estória de um músico sonhador que entra para um curso de música em uma Universidade, e ali resolve montar uma Banda. e ele começa, então, a desenvolver suas próprias composições, que começam a fazer sucesso e inquietações também em outras Bandas", declara Cássio Martins. 

A personagem principal chama-se João e, com seus amigos, vivencia a descoberta do universo acadêmico e as discussões atuais e transforma em novas ideias e pensamento e ação.

No repertório trazido à cena, canções inesquecíveis como "Love me Tender", "Silvia" e releituras de outros artistas da geração 60, com arranjos e execução realizadas por estudantes do Curso de Música da UFPI. 

A equipe técnica se afina na organização e desenho de figurino da professora Núbia de Andrade Viana, a partir da pesquisa de Ana Raquel de Melo R. Benício, Camila Maria C. S. Oliveira e Gleiciane dos Santos Silva, para a execução de Mayra Camila A. Amorim.

A entrada será 1kg de alimento não perecível. 
A troca de alimentos por ingressos pode ser feita na bilheteria do Theatro 4 de Setembro. Todo o arrecadado será destinado a Instituições sociais Filantrópicas.

Serviço:
"Elvis Presley Forever"
dias 09 e 10 de agosto
às 19h30
no Theatro 4 de Setembro.
Ingresso: 1kg de alimento não perecível
Informações: 3222 7100 (Theatro)/ 9.9951 6887 (Prof. Cássio).

fotos/imagem: (acervo "Elvis Presley Forever"/ wikipedia)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

mito Levantado

Teatro cotjoqueano
por maneco nascimento

A estreia deu-se na noite do dia 01 de agosto, às 19 horas, no palco do Theatro 4 de Setembro. Veio na esteira dramática deusexmachiana do Projeto Terças da Casa - edição Terça Teatro - mês agosto.

O espetáculo "Elegbara", uma montagem da Cia.de Teatro Jovens em Cena - CotJoc, coletivo que está na lida, de agitador cultural, no bairro Cidade Jardim, há 17 anos.

O espetáculo dirigido por Arimatéia Bispo, para texto original de Toni Edson reinventa o mito, recupera reflexão acerca das vidas comezinhas que coabitam as vilas, favelas, morros e subúrbios brasileiros e transversaliza diálogo direto, eficiente e inteligentemente dramático de carpintaria atualizada à imersão de Obra sofocliana "Édipo Rei".

A encenação para casal, que reúne Cairo Brunno e Janá Silva, às personagens desenredadas ao universo humano, realista, de determinismo implacável às vezes de bebericada na tragédia clássica, ao atualizado contexto de qualquer periferia brasis.

O texto atual, franco e aplicado a um tête-a-tête de encontros e desencontros de destinos alinhavados na mora tradição. No percurso da dramaturgia finalizada à expiação pública e recepções abertas estão os dedos do mapeador de dramaturgia de cena e os suportes que se os complementam, som/música, luz, cenografia, figurinos e adereços.


Um (in)delicado e rude sujo na cenografia abriga vasos comunicantes mass media populares e encorpa a tragédia suja brasileira, que é de tradição nossa e que repercute os becos escorregadios, alisados das gorduras do morro ensebado.Um cenário (Manu Andrade) de ilustrativo realista como é o cotidiano periférico das franjas sociais brasileiras.

fotos/imagem: (Wagner Santos e Jesus Silva)

As interpretações às personagens aliadas por Janá Silva e Cairo Brunno ampliam um afobamento prosódico do senso comum que, quase, esteriliza a performance das construções das personagens que enleiam o trágico nosso de cada dia.

O intercurso de desenho de luz (Arimateia Bispo), com exaustivos "black out's" parecem matar a cena a cada cena e não corrobora muito eficazmente para a encenação trágica. Talvez, e até porque não pareça que a quebra de luz gere estética, mas necessidade de mudança de cena (esconder e reapresentar cenas).

Intérpretes seguros, na fuga deliberada de estereótipos requentados e pasteurizados nos padrões teledramáticos, dão uma causa própria aos limites e às linhas divisórias do teatro realista e metacena trágica.

O jovem e seus jargões que exalam do corpo, vestuária e tre-jeitos de filho da periferia não prejudicam a iniciativa de Cairo Brunno. Dão-lhe um misto de ingenuidade e tônus aplicados à concessão de corpo dramático ao corpus da atmosfera, em que se lhe é enredado na queda submergida ao centro do furacão da tragédia.

Janá Silva andeja entre a adolescente crescida, a jovem impetuosa, a meio mulher em processo de crescer, a maturidade que chega nas experiências de largar o útero e sobreviver a novas investidas e assinala concentrado de busca da verve da personagem, quando da "Escolha de Sofia" investida ao mito, ou quando aplica decantada oralidade no texto final que regurgita as Próprias memórias da personagem, meio Jocasta, meio Édipo em Colona, meio útero reinventado às memórias sangradas.

fotos/imagem: (Wagner Santos e Jesus Silva)

Janá abre um concentrado diálogo de mãe, mulher, puta, filha do morro mal vestido. E a sua contadora de história (aedo, poeta das histórias orais) intercomunica o tempo transversal. A cega, com cajado, às vezes edipiana, amplia a ruptura e tradição trágico clássica.

As ações dramáticas falam por si mesmas. O Euzébio filho do filho dos filhos da mãe dão a continuidade genética do determinismo trágico e, na licença poética (o futuro repercute a própria história e memória) ao teatro encenado do passado-presente-futuro das crias de "Jocasta" (Polinice e Etéocles) no filho gerado do adultério. Intrincado inteligente do escanfandrista (Toni Edson) no mito original feito teatro clássico.

A música original, ao vivo, de atabaques suaves resfriam o trágico que vem em borbotões nas falas e vozes sociais das personagens em embate pela sobrevivência e tragédia dos erros e armadilhas do destino.

As canções de gongá (hinos, músicas, giras) dialogadas no entremeio das cenas, como emendas de diálogos, horizontalizam as baías de todos os oxuns sagradas à extensão da vida como ela é, no enredo da tragédia atualizada. Um quase diálogo musicado às vezes de falas da religião afro brasileiras.

No mapa de sonoplastia (Samuel Morais) aos atabaques suavizados (de)marcam o terreiro de "despachos" e o elementa a um coração que pulsa quente o "sujo" inconsciente, arquetípico, do adultério não previsto pelo Santo.

Os figurinos (Siro Siris) compõem um realismo de cotidiano presente nas melhores famílias de qualquer contexto social brasileiro. Não prejudica e alia identidade cultural.

"Elegara" deu seu recado. Marca seu território de identidades cênicas e reflete vozes sociais em falas de discurso e corpos no corpus composicional da Cia. de Teatro Jovens em Cena.

Evoé, CotJoc!
A vida em cena sorri pra você.
Viva o Teatro brasileiro de expressão Piauiense!


Equipe Técnica de "Elegbara":
texto de  Toni Edson.
Elenco: a atriz JanáSilva e ator CairoBrunno (Ator). 
ManuAndrade (Cenografia); SiroSirisSousa (Figurino); ArimatéiaBispo(Direção e Iluminação); WagnerSantosJesusSilvaGessyvaneRubim e LucasNunes (apoio técnico); SamuelMorais (Sonoplastia), Sr. Ednaldo (Maceneiro)

fotos/imagem: (Wagner Santos e Jesus Silva/\banner arte ascmSeCult)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Mito e contemporaneidade

transversal da cena
por maneco nascimento

Terça feira, 01 de agosto, às 19 horas, no Theatro 4 de Setembro, estreia espetáculo da Companhia de Teatro Jovem - Cotojoc. A estreia acontece dentro do Projeto Terças da Casa, para a edição do Terça Teatro.

A cena abriga transversalização de tradição e ruptura, discute e amplia crítica social e reflexiona sobre mito e contemporaneidade. 


O espetáculo fez pré-estreia na Associação de Moradores do Bairro Cidade Jardim, dias 29 e 30 de julho últimos.
"Elegbara" é um mergulho no imaginário das religiões afro-brasileiras, foi escrita para dois atores e, baseado no mito de Édipo Rei. A relação entre uma atriz e um ator nos dias de hoje faz com que essa peça tenha um caráter meta teatral e provoque um efeito de transcontextualização do mito de Édipo. 

É uma peça ágil, onde muitas revelações acontecem de maneiras difusas e sempre conectadas com o pensamento religioso do candomblé. "É uma ação dramática recheada de segredos, mistérios, cultivados por anos e atentos a uma tradição de extrema beleza", declara o autor do texto. Foi escrito depois de uma edição do Fórum de Performance Negra, em Salvador, em 2008, pelo dramaturgo Toni Edson.

"Elegbara", texto de  Toni Edson e direção de cena e mapeamento de dramaturgia de Arimateia Bispo. Elenca o espetáculo a atriz JanáSilva e ator CairoBrunno (Ator). Na equipe técnica,
ManuAndrade (Cenografia); SiroSirisSousa (Figurino); ArimatéiaBispo (Direção e Iluminação); WagnerSantosJesusSilvaGessyvaneRubim e LucasNunes (apoio técnico); SamuelMorais (Sonoplastia), Sr. Ednaldo (Maceneiro).
Quem é a CotJoc, que monta o espetáculo para Teresina? A Companhia de Teatro Jovens em Cena - CotJoc, é uma companhia que existe há 17 anos. Surgiu a partir de um grupo de jovens da igreja católica que se propunha a realizar espetáculos da Paixão de Cristo, todos os anos, como manifesto cênico religioso na comunidade. Havia a necessidade de oferecer mais cultura, através do teatro para a região da grande Pedra Mole. 

Em 2014, o grupo passou a se chamar Companhia de Teatro Jovens em Cena - CotJoc. 

Na finalidade, realizar montagens de espetáculos teatrais, desenvolver na comunidade o interesse pelo teatro e pela atividade cultural, participar de festivais e intercâmbios com grupos afins e pesquisar novas formas de manifestações teatrais, como ainda promover a arte e suas formas cênicas.  Dessa forma ter a arte como uma necessidade, não somente de espetáculos, mas também como estímulo social e cultural, auxílio no desenvolvimento de novas perspectivas e valores.
Espetáculos montados pela  CotJoc, "Romeu e Julieta" (William Shakespeare), "A Pele do Lobo" (Artur Azevedo), "O Canto da Libertação" ( Adaptação de Cicero Henrique), "O Verdadeiro Amor de Crispim e Dorinha" (Chico Borges), "A Verdadeira História de Romeu e Julieta" (Jean Pessoa) e "A Paixão de Cristo" (Nonato Oliveira) que realiza em montagens há 13 anos, durante o período da Semana Santa.

O Coletivo CotJoc amplia ações a vários projetos, entre eles está o carro chefe que é a Mostra de Teatro “Arte ao Alcance de Todos". Vários grupos são convidados a virem se apresentar no bairro da Cidade Jardim. A Mostra é inteiramente gratuita e completará oito anos continuados neste corrente 2017 (de 18 a 20 de agosto). Este projeto traz a característica de homenagear alguma pessoa que já contribuiu, ou contribui para o Teatro de expressão piauiense. 

A primeira Mostra de Teatro foi realizada em 2010, como primeira iniciativa. Naquele homenagem foi à própria Cia. criadora do evento. Nos anos seguintes, as homenagens seguiram a artistas da cidade e do estado. 

Em 2011 o dramaturgo Ací Campelo; 2012, a atriz Bid Lima; 2013, o diretor Arimatan Martins. Em 2014, a grande atriz Silmara Silva; 2015, o ator e articulador do FestLuso Francisco Pellé. Já no ano de 2016, o homenageado foi o diretor, ator e coordenador do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes, Adriano Abreu. Em 2017 a homenagem recai sobre a atriz Lari Salles.

O CotJoc, ainda no final de 2016, iniciou com o Projeto Segunda Rindo à Toa, onde oferece para toda a região do bairro Pedra Mole a oportunidade de interagir com shows de humor, a um preço bem acessível, e possam as comunidades, em sua grande região, conviverem com o Amauri Jucá, por exemplo, que é o padrinho do Projeto.

E, acerca da filha mais nova do CotJoc, há o Projeto Espaço Cultural Arriba, que a um sábado no mês oferecerá para a comunidade a oportunidade de assistir a espetáculos de Grupo, pré-estreias e ensaios abertos. Outros artistas da comunidade também poderão ocupar o Espaço  e se apresentarem, com a prática de preços bem acessíveis a todo público em potencial, estimulando assim a valorização a nossa cultura teatral regional e de bairros e dialogar com a produção cênica de expressão piauiense.

Serviço:
Projeto Terças da Casa - Terça Teatro
espetáculo "Elegbara"
terça, 01 ago.
às 19 horas
no Theatro 4 de Setembro.
ingressos: R$ 10,00 (meia)/ R$ 20,00 (inteira)
informações: 3222 7100
Classificação 14 anos.

fotos/imagem: (acervo CotJoc/A. Bispo)