quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Abrigo São Loucas!

Elas são é Loucas!
por maneco nascimento

E estão de volta. 
Alegres e furiosas!


Maria Fernanda, Maria de Castro, Maria Fernanda.
Fernando Freitas Freitas, Francisco de Castro, Francisco Pellé Vieira e Manu Andrade são a chave do " Abrigo SÃO Loucas"

E quem não riu, não perde por esperar.
Nesta quinta, 15,
às 19 horas
no Theatro 4 de Setembro

Elas, as primeiras damas, de uma cidade tão tão distante de nossas realidades, serão mote do riso, alegria, fantasias e diversão segura.

"Abrigo São Loucas"
do Grupo Harém de Teatro-30 anos
texto e direção de Arimatan Martins.

Siga esse bom riso!

Serviço:
Abrigo São Loucas
às 19 horas
Theatro 4 de Setembro.

Informações:
(086) 9 9975 8155/ 9 9971 0205// 9 8828 6872

fotos/imagem:
Margareth Margô Leite/acervo Harém de Teatro

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Três em Uns

milagres de Lua, João e OST
por maneco nascimento

A noite era técnica, para gravação do DVD "Cantata Gonzaguiana", na agenda do Theatro 4 de Setembro, a partir das 20 horas, mas foi + que técnica, foi também estética, de artístico e de razão e emoção divididas de artistas para público e de público para artistas.

O feriado de 12 de outubro, na mensagem do Milagre de Nossa Senhora Aparecida festejado, foi também do milagre de talento, carisma, instrumentos azeitados e músicos virtuosos no passeio por arranjos, delicadamente tramados, para abrigar originalidade e força natural do cancioneiro popular do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Os milagres realizados, João Cláudio, por si só e por nós o orgulho, deslizou com qualidade festejada pelo repertório luizgonzaguiano e trouxe consigo voz, amor, talento, carisma e qualificado trabalho de cantar o Lua, sem perder-se na vaidade das coisas fáceis. Na simplicidade e desejos e vontades, o artista se faz Luiz e respeita Januário, Santana, Gonzaga, Gonzaguinha e a canção brasileira que marca a história nacional da MPB.
(João Luiz Gonzaga Cláudio Moreno e OST/foto page Fábio Novo)

O segundo milagre, os arranjos e maestria, em afinar cifras fiéis de tradição e ruptura e transversal de erudito e popular para enleio de ouvidos que curtiram a emoção. Aurélio Melo garante a própria história e segue mantendo a batuta da OST, com competência caprichosa.

O terceiro vértice milagroso está em diverso de instrumentos afiados e seus selvagens urbanos, profissionais da música, que compõem, em orgulho traduzido aos instrumentais, a Orquestra Sinfônica de Teresina.

+ de quatro dezenas de músicos dividem pautas, cifras, melodias instrumentadas em arranjos suavizados à força da identidade e som tirados dos instrumentos de domínio de cada um (a) músico (a) que contém, está contido na beleza artística cunhada da profissão musical OST.

Essa trindade milagrosa desafia o poder da ciência na música que a faz dona das melodias expandidas e alia-se à divindade de Gonzaga para render misto de beleza musical, entre o céu e a terra da arte e cultura das composições em canção brasileira.

Um assomado público acorreu ao Theatro 4 de Setembro, na noite de 12 de outubro, uma segunda de feriadão nacional. A campanha de troca de alimento pelo ingresso não só rendeu milagre de multiplicação solidária, como não deu pra ninguém. Quem chegou primeiro levou seu ingresso, quem chegou atrasado não pode conferir a ação de gravação do DVD "Cantata Gonzaguiana", com João Cláudio Moreno e Orquestra Sinfônica de Teresina.

(público da Cantata Gonzaguiana/foto disp. móvel m. nascimento)

Com algumas pausas, à emenda técnica de captação do roteiro, originalmente, pensado, foi quase uma gravação de primeira. E João e Aurélio e OST e público dividiram esse espetáculo de privilegiados, de escolho democrático à troca de kilo de alimento por uma entrada.

João Cláudio contou causos, lembrou histórias, defendeu o que sabe fazer melhor, ser artista e contar seu tempo e hora de felicidade festejada com humor, inteligência de discurso, polifonia de discurso político e correto e desvelou-se em carisma natural.

E cantou como João Cláudio, como Luiz e deixou a mensagem de que para ser artista, não basta ser artista, mas amar o que faz e fazer da arte compromisso, prazer e alegria de viver sua arte. Esse é o nosso João Cláudio e não enverga.

A Sala ficou preenchida de música em virtuose de beleza. A OST, não dando para citar todos os músicos, alguns lembrados farão referência do coletivo luxuoso. Jeová, Gilson, Beto Boreno, Wanya Salles, Avelange Amorim, Tasso Aurélio, et al OST, são o que há de + prazeroso de ouvir, quando juntam sua profissão de fé artística aos compassos musicais, conspirados pelo maestro Aurélio Melo. Uma OST peso ouro.

Do repertório Gonzaguiano, qualquer melodia que ali se ouviu instrumentada, um doce deleite. E, à parte técnica de cena, luz que não se apaga, expande as luzes do coletivo musical. A cenografia, assinada por Avelar Amorim, gerou efeito lúdico, plástico, emblemático e identitário das raízes culturais nordestinas a não perder de vista a ave ilustrada que trinou os agrestes, presentes na memória social afetiva.

A cenografia se vai compondo à medida que o show em repertório se vai revelando. As bandeirinhas de festejos e quermesses, dos terreiros do sertão, são também às cores e movimento das pinceladas volpianas.

Os balões de São João, as nossas lanternas amarelas pendidas do céu do Theatro. As fitinhas de Bom Jesus da Lapa, de Nosso Senhor do Bonfim, Juazeiro e de outros Santos da devoção sertaneja brasis, também iconografam memórias sociais e balançam ao vento dos matizes nacionais.

Ao fundo, um painel de pinceladas densas e expressionistas ao quente à cor e estilo avelariano, retratam o Velho Lua, ave Assum Preto, ou Asa Branca, em seus gorjeios da raiz nacional.

O retrato de Gonzaga, pincelado por Avelar, suspenso em painel ao fundo da cena é ladeado por palhas secas de carnaúba, num perspectiva de profundidade lúdica do Rei plantado, entre palmeiras do sertão.

A cenografia é simples, mas composicional e limpa e, como disse Paulo de Tarso Libório, durante conversa que tivemos a respeito do cenário, "um simples ricamente pobre e um pobre ricamente simples". Avelar está de parabéns, foi música cenográfica para ilustrar cena da bela noite musical.

Noite inesquecível. De lavar ouvidos e preencher alma de felicidade artística. Parabéns à arte de Luiz, de João Cláudio, de Aurélio, da OST. 

A Cantata Gonzaguiana gerou milagres para Santos, estelares e mortais e ampliou beleza de natureza humana e artística.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

[[ruído]]

andrégonçalveano
por maneco nascimento

Vejo ruído. Com que frequência? Em todo o tempo de instalação da Exposição [[ruido]], do publicitário, fotógrafo, escritor, poeta e licenciador de outros olhares a reboque do contumaz enxergar de vistas viciadas, André Gonçalves.

A Exposição ficou em cartaz, à exploração pública, de 10 de setembro a 10 de outubro, na Casa da Cultura de Teresina e foi um libelo de assomo de visitação.

Escolas, curiosos, transeuntes, turistas, artistas e afins da cultura provocativa e instigadora passaram pela CCT para dar uma olhadinha no que provocou tanto [[ruido]].

A Instalação, entre conceitual e dialética de expressão aberta, às recepções diversas e adversas de ver, sentir, olhar, enxergar, ou passar batido ao sinal contemporâneo de fumaça, sem o didatismo das antropologias acadêmicas, cumpriu bem seu papel de ser e estar novidade como A flor que nasce no tédio, rompe o ócio, para nunca esquecer um bom poeta.

[[ruido]] ocupou dois ambientes de exposições da CCT. A Galeria Lucílio Albuquerque, em forma de "l", da entrada paralela, segundo pavimento, seguindo de sul a norte, e a quebra ao oeste, direita de quem entra, como perna do "l".

No corpo do "l" se é recepcionado por um painel móbile, em "pastiche" de arte urbana spray auto relevada por camadas de vermelho sobre vermelho e, na mensagem grafada, em caixa alta, "No amor eu sei voar! Alcindo é massa Eu sou unicor". Ao lado, esquerdo, completa a instalação, a bacia inox (sobre módulo vertical branco), com apetrechos de laborar as texturas do painel (spray, lixas de disco, lixas de folha, pregos, flanela, martelo, etc.).

(móbile "pastiche" arte urbana/fotos: disp. móvel m. nascimento)

Seguindo a mão, à frente, um pequeno tamborete, silencioso e só. O puf (poltrona) de centro de sala, feito boia d'água, espalha-se ao chão. Um segundo puf deixado à sala, mal arrumado e, pasmem, no dia em que visitei a Exposição, sábado dia 10, havia um gato (em participação especial) que dormia o sono da tranquilidade, ao lado do objeto estábile, em Galeria de Exposição.

(um hóspede a + [[ruído]]/fotos: disp. móvel m. nascimento)

Um retroprojetor sobre módulo branco vertical; um puf branco, à frente do módulo, e ao chão um microssistem (sonzinho), acompanhado com dispositivo de fone de ouvido. Na parede, lado esquerdo da Lucílio Albuquerque, cinco reproduções de telas, em desfoque, de grandes obras pictóricas universais. No esforço de requerer a "originalidade" das telas, duas identificações me sobraram à hora, talvez "A Estudante", de Anita Malfatti, e "Monalisa", de Da Vinci.

(olhares de recepção em desfoque/fotos: disp. móvel m. nascimento)

Ícones em desfoque. O que gira foco, quem gera foco, o que será desfocado para foco de interesse?
Desfoque, enfoque, memórias perdidas, achadas, identificação das lembranças, das caixinhas de memórias de pequena, média e longa distância, parecem nos aplicar em provocativo ao esforço de resgate de repertório e ou de identidades que passam pelo tempo de registros de memórias. Qual é o foco em detrimento do desfoque?

Os ruídos se espalham pelo tempo da Sala de Exposição. Na perna da Galeria, do "l" da Sala, um caminho de distância e aproximação. O caos em pedras brancas foscas e estilhaços de vidro, espelhados se misturam aos recortes, rasurados, jornais que se espremem e se esquecem ao fundo e canto da parede da Sala.

Ruídos sim. Comunicação, também para Palo Alto, é a de que é impossível não comunicar. Para [[ruído]], não há como não comunicar. No [[ruído]] a boa comunicação que instiga, inspira e puxa o receptor para interagir com a obra exposta, estar dentro, estar fora. Ser parte da obra, está na obra que provoca atenção e interesse em ver-se também objeto de exposição.

Além da ocupação da Lucílio Albuquerque, uma Sala anexa, à esquerda, foi reservada à instalação de papéis cortados, restos e sobras de memórias rasuradas (fotos, retratos, papéis, etc.) dentro de bacias inox, recortadas por luzes, delicadas, decróicas. Pequenos tamboretes, em madeira aparente de cor natural, também estão à composição de núcleo de reservas dos pedaços de memórias aparadas em vasilhas. 

A este estilo de aproximação provocativa a quem passa pela Sala e ouve as inquirições, que saem das caixinhas de som dispostas em pontos estratégicos, detive a ousadia de denominar de "Quarto de Memória".


(guardados em vasilhas/fotos: disp. móvel m. nascimento)

As vozes, em perguntas que não querem calar, puxam pela escuta de visitantes, enquanto moto continuo interrogam acerca de história, acontecimento, esquecimento, lembrança, "esquecimento no esquecimento, quanto cabe? Imagem cabe na imagem partida?

Memórias se entrecruzam, suscitação de imagens, textos reflexivos, perguntas, um Bolero de Ravel suaviza os choques de atenções que mesclam-se com outras comunicações, comentários, audições radiofônicas e ou de outros suportes midiáticos que povoam o ambiente da Sala de memórias trazidas à audição pública.

Leve, tranquila, nada agressiva, consoante de atrair e trazer para dentro das memórias prospectadas, a comunicação "sem ruídos" que se instala no "Quarto de Memória". Sinergia comunicacional, sinestesia que paira pelo esforço natural de dedicar ouvidos e consentir em estar dentro do turbilhão provocativo, no mergulho das memórias que podem estar em fuga do hábito de preservar memórias comuns, do cotidiano de ser identidade e sociologias de preservação de pertencimento.

É uma Sala para chegar, sentar e envolver-se no redemoinho de inquirições que provoquem uma pausa para pensar no eu contido no outro, no isto e aquilo que compõem a natureza das coisas, das gentes, das vidas que, às vezes, passam pela janela e, Carolina já perdeu, há muito, o hábito de ver.

Eu vejo [[ruído]]. Com que frequência? Em todo o tempo da Exposição [ruído 2015] André Gonçalves. Reverbera, em percurso da atmosfera de atração do objeto visto e seguindo em expansão universo adentro de minha particular recepção, numa rotação em que possa digerir as informações, fluxos comunicativos e estéticos plásticos para  arte de reinvenção da arte inquietante.

Eu vejo [[ruído]]!

domingo, 11 de outubro de 2015

Todo mundo mora onde?

no Dirceu
por maneco nascimento

A noite do dia 09 de outubro foi também de pré-estreia do filme "Todo Mundo Mora no Dirceu", de Franklin Pires.

A partir das 20 horas, o diretor do filme, Pires, recepcionou os convidados. Era uma noite para convidados, amigos, elenco e quem + viesse nesse primeiro momento.

E falou da experiência de + uma ousadia na área de áudio visual. Lembrou de "Corpúsculo"; "Mocambinho" e que o atual empreendimento era "mais um erro. Ia continuar errando" e lançava àquela noite seu novo projeto.


(elenco, diretor do filme, Pires, e Secretário de Cultura, Fábio Novo/foto disp. mvl. m. nascimento)

Em seguida, chamou às falas o Secretário de Estado de Cultura do Piauí, Fábio Novo, para deixar suas impressões à ocasião. Aproveitou, Pires, para provocar o Secretário a respeito de mudanças que deveriam ser implementadas na Lei de Incentivo Estadual à Cultura - SIEC.

Considerou, o ator e diretor de teatro e cinema, que houvesse uma melhor distribuição de recurso, por cotas de linguagem de arte, para beneficiar com equidade a divisão do bolo, haja vista os pequenos projetos concorrerem com grandes eventos, micarinas, micaretas, etc., e acabarem perdendo espaço na confirmação de inclusão em reporte de recursos.

Fábio Novo lembrou que já há um sinal de melhor distribuição de recursos investidos, numa ação de editoração de literatura piauiense. Que a Academia Piauiense de Letras estaria capitaneando edições de livros, através de recursos do SIEC.

Lembrou também, o Secretário, de investimentos em equipamentos culturais que começam a, efetivamente, serem vistos. Testemunhou de como estava o Teatro Maria Bonita, em Floriano, quando visitou-o em maio deste ano e que, nesse momento, a Casa já dispõe de infra estrutura que o traz de volta ao circuito de espetáculos. E que o Maria Bonita detém, como o Theatro 4 de Setembro, equipamento de som e luz,  poltronas e climatização para receber espetáculos que circulem por Teresina e também possam chegar naquela cidade.

Acredita, Novo, que os esforços da Secult e Governo do Estado serão para equipar também outras Casas de cultura estaduais, em municípios que também fiquem inclusos na passagem de companhias de teatro e outras ações artísticas, bem como os Projetos culturais da pasta do estado. Finalizadas as palavras oficiais, Franklin convidou o público a assistir "Todo Mundo Mora no Dirceu".

O filme começa ardente, com imagens cotidianas do bairro que nomeia a fita e segue para fechar na comezinha vida da personagem central do enredo, Dirceu e suas idiossincrasias. A família e as convivências que compõem a narrativa dinâmica, humorada e atabalhoada dão ao "Todo Mundo Mora no Dirceu" uma graça e impulso ao gargarejo natural à recepção de se ver representada nas personagens e falas cotidianas de Dirceu (Franklin Pires), ou sua Mãe (Edithe Rosa), Saracutiana (Zé Karlos di Santis).

Também desfilam pela fita, com muita competência, o casal em desacordo, composto por Alinie Moura (a mocinha, Nina) e Bruno Lima (o bandido romântico das periferias, Toião); Amauri Jucá, numa passagem curta, mas bem divertida, para uma reprodução do caronista de bicicleta; Whindersson Nunes (o traficante Mambirão).

Stela Simpson e Linda Danilo França são personagens do público de espetáculo apresentado no Teatro do Dirceu/JPII; Lene Silva (como a prostituta do ponto) e um corolário de participações, Zezinho Ferreira, o lojista do pedaço; João Vasconcelos, como um bêbado hilário; Júnior Silva, o aprendiz de traficante; Júnior Marks, como farmacista; Gleyciane Sisley (diretora da clínica de reabilitação); Alex Zantelli (o modelo do comercial Personalitex) e a presença poderosa de Wilson Gomes, a balconista para a comédia dos erros, entre outros risos programados no roteiro franklinpireano.

O filme tem uma força de atração, a partir das imagens corriqueiras do bairro e a sonorização catapulta (músicas interpretadas por Lene Silva e Franklin Pires e outros sons) a energia positiva do filme. Músicas românticas, nalguns momentos, e outras bem energéticas ilustram a vida quente do filme.

Entre as "falhas" trágicas, que não podem ser aliviadas, na composição final do filme, registre-se o fato de alguns atores não terem conseguido dublar as próprias vozes na narrativa. Gera uma certa estranheza, a quem conhece os atores da cidade, que fazem parte da trama, virem suas vozes serem encobertas pelas de outros colegas de cena.

Mas o filme discute assunto pontual, a negação/aceitação de identidade; drogas e dependência química; o poder de influência midiática e convencimento do milagre da mudança, através do uso de medicamentos experimentais e, especialmente, as periferias comuns e simples das franjas sociais, que compõem qualquer rincão desse continente chamado Brasis.

O roteiro de Franklin Pires opta pelo humor e riso histriônico à escatologia das naturezas humanas e, leva de passagem, à ilustração de sua história, uma aproximação com o cinema da grande indústria, ao aparelhar sua narrativa que transforma a personagem central, numa média "tupy or not tupy" do "O médico e o monstro", às avessas licenciadas ao cinema local.

Comédia de humor romântica em que tudo acaba bem, quando tudo está bem. O casal conspirado para ficar junto, o protagonista (Dirceu) e a mocinha (Nina) terminam juntos e felizes até que o tempo diga que não. São purgadas as culpas, as dívidas sociais pagas e a vidinha de Dirceu, e dos seus, segue bem.

"Todo Mundo Mora no Dirceu" valoriza o bairro e suas composições de periferia inchada, mas vivaz de vida e natureza humana diversa. E valoriza, especialmente, o discurso social de exclusão e redenção à melhor sorte, como requer folhetins e cinema romantizados. As falas de gentes comuns experimentam trazer, na forma de arte audiovisual, as vozes sociais de identidade local e pertencimentos de gente como a gente é. Nisso Pires acerta +.

Não consegue, ainda, ser um "Mocambinho" e fica difícil não cumprir comparações. "Todo Mundo Mora no Dirceu" é fato, fez carreira de pré-estreia na noite do dia 09 de outubro e seguiu em temporada, de dois dias, à entrada comercial, nos dias 10 e 11 de outubro de 2015, no telão do Theatro 4 de Setembro.

"Todo Mundo Mora no Dirceu" está para ser visto e o público que acorreu ao Theatro é a prova viva disso. Depois, deve ser digerido, ou vomitado, aceito ou negado na confirmação do Complexo de Nazaré.

Franklin Pires sabe o que está querendo com suas empreitadas. Consegue manter carisma, atração teen e converte em arte, mesmo que lhe torçam o nariz, seus projetos sejam de audiovisual ou teatro e musicais. Tem marca, nome e empresa ousadia de viver sua arte.

Então, certifique-se ou cumpra-se ordem de despejo, como lhe aprouver a recepção. 

sábado, 10 de outubro de 2015

"Divino"!

Dança teatro e cultura popular
por maneco nascimento

O palco do Espaço Cultural "Osório Jr." recebeu, nesta sexta feira, 09, um anjo decaído que reaprendeu a andar, dançar e, de posse de novas asas, renascidas, voltou a "voar" em cena aberta, para licenças poéticas e proféticas dos benditos oralizados por cantoras populares, as caixeiras das festas do Divino Espírito Santo.

O espetáculo de dança teatro "Divino" é uma montagem do Grupo Núcleo Atmosfera de Teatro - Nua, de São Luís do Maranhão, que por aqui circulou com lição expressionista de teatro, dança, dança nova, dramaturgia elastecida por atmosfera dramática de corpo que decai, levanta, fala nos silêncios das marcas enredadas.


A partir das 19 horas, o público conferiu um desenho de cultura popular religiosa manifestada, em intertextual de dramático de cena e uma partitura de intérprete criador, em solo de dança contemporânea, à divindade reaprendendo a arte de voltar aos seus, o céu da felicidade santa arbitrada à expectativa de mortais.

No palco de "Divino", um oratório em tamanho semi natural, abrigador da alcova do anjo, ou da coroa do Divino. + ao espaço de cena, um círculo (mandala de napa) amarelo prateado onde o anjo (Leônidas Portela) reaprende a andar e uma barra de pole dance, em que a divindade planta bananeira, já bem ao quase final do espetáculo.

Espetáculo à parte são as cantadeiras dos benditos do Divino. As caixeiras Marina Correia, dona Maria das Graças (Gracinha) e dona Roxa coadjuvam o intérprete criador (Portela) e ampliam a dramaticidade, enquanto fazem as vezes de cantoras/carpideiras e narradoras (coro de vozes) sociais às falas do povo bendito, oralizando razão de fé e sensibilidade cultural dos tempos imemoriais de extensão religiosa.

"Divino" evolui, numa licença de recepção, a queda do anjo que, no círculo da nova vida a ser assumida, desce do oratório e arrasta-se até à mandala, num aprendizado de equilíbrio e reconstrução das asas que o faz senhor do próprio destino recuperado.
(o anjo em evolução/fotos disp. móvel m. nascimento)

Do anjo homem ao homem anjo, a personagem vai evoluindo e, numa mudança de pele, um banho de ouro prepara-o ao tempo de alçar-se a verve das divindades. Ao recuperar as asas, Ele transita entre a plateia a poder-se misturar com os mortais e dividir sua benção, anunciada pelas cantadeiras que preparam, durante todo o espetáculo, a chegada do anjo e também definem a hora de sua partida.

Um rico melódico sincopado cifra o movimento do ator e bailarino, na partitura musical do espetáculo. A batida na caixa de som, o ritmado ao som das vozes sincronizadas, aos benditos cantados, enleiam as memórias afetivas da plateia e afetam sensivelmente ouvidos, em sinergia sonora das mensagens vocalizadas nas narrativas dramáticas apresentadas.

"Divino", na estética de palco e dramaturgia de dança teatro, abre uma comunicação entre o céu e a terra e compõe antropologias visitadas, arqueologia cultural de prospecção imaterial espelhada nas manifestações da festa do Divino, em São Luís do Maranhão, e reverbera sociologia de afinação cultural do berço de tradições revistas e rupturas premeditadas à execução da arte na cena dançada.

 ( o anjo no casulo/fotos disp. móvel m. nascimento)

É de divino estado de aplicação artística à simetria de assimétricos da dança nova e repercute intransitividade equilibrada aos mapas de dança teatro de "Divino".

São Luís, do Maranhão, gerou arte popular materializada e girou cultura de preservação de memória.

"Divino"!

domingo, 4 de outubro de 2015

Era um mar de rosa...

capitão Luiz Ayrton!
por maneco nascimento

Manhã do dia 03 de outubro de 2015.

O Ato que começou na Igreja de São Benedito, percorreu a Frei Serafim, Goiás e outras ruas da cidade, região bairro Ilhotas, com objetivo de atrair a atenção da comunidade à prevenção de câncer de mama.

                                            (ícone/arte visual outubro rosa 2015/reprodução)

                                          (foto/imagem g1.com.br)

                                                (foto/imagem piaui.pi.gov.br)


Uma estimativa entre 4 a 5 mil pessoas aderiram à Caminhada Outubro Rosa, da manhã do dia 03 de outubro. Era um mar de rosa... Capitão Luiz Ayrton!

                          (um mar de guarda sol em proteção dos caminhantes/foto imagem 180 graus)

 (laço humano Outubro Rosa/foto imagem page senadora Regina Sousa)

(foto/imagem page senadora Regina Sousa)

 (foto/imagem Francisco Gilásio)













                                                                                                                                                                (foto/imagem Guilherme Pompeu)

(foto/imagem Daniel Oliveira)

(foto/imagem Tera Capoeira)

Siga essa ideia e apoie ações de combate ao câncer.

E, Viva!

A Rede Feminina de Combate ao Câncer do Piauí/Casa de Apoio à Criança com Câncer - Lar de Maria,
A Fundação Maria Carvalho Santos 
e a toda a gente que concorreu à caminhada feita, em prol da manutenção dos serviços que solidarizam minorar, ou assertivar vida, enquanto confronta-se o câncer.

Outubro Rosa é tempo de campanha em alerta, mas todo dia é dia de combater o câncer.

Aos motoristas, impacientes no trânsito, quando da passagem da caminhada, mais calma, tranquilidade e solidariedade ao movimento que pensa + no outro, na medida em que trabalha algo melhor em si, representação individual.

Esse eu que amplia ao outro e abraça atitude que coletiviza ação de proteção, alerta, apoio, e chamada de atenção da sociedade para algo que está presente em alguém que se conhece. na vizinhança, dentro de casa, ou em pessoas anônimas, nas quais nota-se sinais de combate à doença.

Toda pessoa precisa de olhar + solidário e de apoio efetivo para seguir bem.

Combata pra gente ver!

E mando flores pra você:

(foto/imagem disp. móvel m. nascimento)
(foto/imagem disp. móvel m. nascimento)
(foto/imagem reprodução web)
(foto/imagem reprodução web)

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Uma pérola de cena

teatro goiano
por maneco nascimento

A Companhia de Teatro Nu Escuro, de Goiânia, no Goiás, girou a cena na trama, tecida, pelas histórias da menina Maria. As memórias de vozes sociais se vão enredando no novelo das recordações  de uma família rural e suas peculiaridades campesinas, de avó, irmãos, mãe, quermesses, roça, casamento, sonhos e migração à cidade, onde os desdobramentos da vida ganham sabores + amargos para a família da menina e, com a volta dos parentes da adolescente para o campo, ela fica a mercê de favores da "madrinha" e de outros estranhos, por onde a personagem narradora da própria sorte andeja até libertar-se do destino que lhe impunham.

A apresentação aconteceu na tarde do dia 02 de outubro, às 15 horas, no palco do Theatro 4 de Setembro para um público atento às histórias de "Plural".
(o espetáculo é Gira/foto Layza Vasconcelos)

Da infância na roça ao outro mundo da cidade grande, um salto dos encantos  e cotidiano simples e alegre ao rugir de trabalho infantil, medos, ameaças de vida e violências nas periferias e franjas sociais, coragem e redenção da personagem, quando emparedada pelo assédio sexual sofrido. Drama e poesia, trágico e humor licenciados na dramaturgia construída para "Plural", com direção de Izabela Nascente. 

Dramaturgia (Abílio Carrascal, Hélio Froes e Izabela Nascente ) inspirada nas histórias reais das mães dos integrantes da Cia. de Teatro Nu Escuro, aplica à peça um perolado de alegria, festa, memórias revisitadas e feito obra de arte em que todo o universo conspirador traduz qualidade técnica, estética, plástica e um redondo dramático do elenco afiado por Abílio Carrascal, Adriana Brito e Eliana Santos.
(elenco "Plural", é afiado/foto Layza Vasconcelos)

A concepção de bonecos, cenografia e figurinos (Izabela Nascente) não só enchem os olhos da recepção, como enleia à medida que se vai desenrolando a narrativa. 

Cenografia de 4 stands pendidos do céu do teatro ao nível do palco, delimitam espaço da cena e, à forma de quatro largas persianas, sobrepostas por mandalas de diversos tamanhos e tipificadas com rendas, dão margem a discos de memórias dispostas em gavetas circulares, por onde passam narrativas projetadas, projeção mapeada (Lina Lopes), da(s) história(s) fantásticas ou cotidianas narradas, pelas personagens memoriais à trama da personagem Maria.

Também amplia a cenografia 2 balcões horizontais e um vertical às vezes de ambiente doméstico dos bonecos (casa, cozinha, quarto, roça, praça de quermesse e tenda de marionetes) que funcionam a uma dinâmica super eficaz de mostrar e esconder os bonecos animados. Estes na escala variável de manipulação direta, pelas costas e cabeça e por fios e pendidos de cordas em carrosséis de alegres títeres.

Os figurinos sóbrios e temáticos de tessitura popular emblematizam a plástica dramática e mantêm em forma estética a fórmula de vestir bem os atores, narradores, personagens na aplicação da alegria e festa que todo o des (enredo) de Maria traduz à dramaturgia conspirada. 

A pesquisa visual (Rô Cerqueira) em soma da identidade visual (Marcos Lotufo) elementam pesquisa e delicadezas estéticas, cosidas na plástica interativa e em sinergia de todo o corpo do tecido tramado das voltas e reviravoltas da roda vida revirada, em regurgito das memórias. Grafam estilo e cartografam belos efeitos.

As músicas cantadas pelos intérpretes/narradores são grande refresco de felicidade e encontram eco de total entrega do elenco, em supervalor musical. A trilha e preparação musical (Abílio Carrascal) complementam o desempenho que vem se achegando no drama dos dias de Marias. A musicalidade do espetáculo interage e encanta, imediatamente, a recepção e novela em canções de atenção às festas e memórias de cunho popular, que gradam maior efeito, enquanto embricada na história.

A dramaturgia de cena, que envolve aptidões de ator (Abílio Carrascal) e atrizes (Adriana Brito e Eliana Santos), em dinâmicas do diverso de manipulação de bonecos, e incursões, por vezes, pelas vozes dos narradores e, por outras, pelas das personagens, consegue equilibrar tempo hábil de encenação, em tranquila passagem pela narrativa, sem atropelar o enredo e manter sempre quente toda a história. Está na história porque sabe contar e conta bem a história, porque sabe dedilhar o planejado.

A troca de cenas e de ocupação de espaços dramáticos incorrem num pragmatismo assaz e audaz e prende a assistência em todo o novelo tramado. Bonecos animados e feitos à vida, por manipulação variada e de uma delicadeza orgulhosa para quem vê, como o deve ser para quem os manipula. 

Dos bonecos confeccionados, por Izabela Nascente, Marcos Lotufo, Marcos Marron, Rô Cerqueira e Cia. Nu Escuro, esses animados preenchem valores culturais de memórias afetivas, que vão desde as fantasias infantis ao cotidiano doméstico rural e urbano e trazem humanidade refletida no discurso e nas vozes sociais à força e beleza da vida contada.

Os vídeos projetados, a cargo da direção de vídeo (Rô Cerqueira e Lázaro Tuim) são uma sutileza e reforço técnico, em estéticos recortados nas mandalas, que trazem uma qualidade muito legal ao espetáculo. A cena em que as mulheres tecem o algodão e, simultaneamente, há uma projeção a feitos de bonecos de sombra, é luxo. 

Como a peça rememora histórias e memórias reais ou imaginárias, a cena de fiar, no teatro de sombra de recorte animado, reporta ao curta-metragem brasileiro  "A velha a fiar", de 1964, dirigido por Humberto Mauro, com música popular homônima cantada pelo Trio Irakitan. Aliás as projeções sobre mandalas, de animações recortadas a efeito de teatro de sombra, é de uma beleza à parte.

Completam o corpo coletivo que fala de arte arbitrada, a ótimos resultados, a assistência de direção (Lázaro Tuim); operação de luz (Rodrigo Assis); direção de produção (Hélio Froes e Lázaro Tuim) e fotografias (Layza Vasconcelos).

"Plural" plurariza arte, beleza, ciência e teatro, cultura e mergulho no que há de + estrito à história humana, as memórias revigoradas. Belo espetáculo. Um libelo de dramaturgia livre e assertivada na arte de alegrar, entreter, à práxis da persuasão da recepção, em artifício do fingimento. Sabe o caminho dos palcos.

"Plural" circulou por Teresina pelo Palco Giratório. É Gira. Girou cultura.


Bônus informativo:

Além do espetáculo, a diretora da Companhia de Teatro goiano, Izabela Nascente, ministra a oficina “Construção de Bonecas na estética abayomi". A oficina acontece neste sábado (3), de 14h às 20h, na Casa da Cultura de Teresina. As inscrições foram gratuitas. Os participantes da oficina aprenderão a construir bonecos manipuláveis com a estética das bonecas Abayomi. O objetivo é juntar a técnica de amarração das Abayomis em estrutura de bonecos de manipulação direta para balcão.

Companhia de Teatro Nu Escuro (GO)
A Cia. de Teatro Nu Escuro foi fundada em 1996. Montou 14 espetáculos, seis deles compõem o atual repertório da Companhia. O trabalho contínuo, os investimentos em novas linguagens e a cumplicidade, com o público, vêm rendendo importantes frutos. Seus trabalhos foram selecionados para o Prêmio Funarte de Artes na Rua e para o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz. A Companhia recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Estado de Goiás.