terça-feira, 17 de março de 2015

Eita final sujão

Sou de novela também
por maneco nascimento

“(...) Mas o que foi que aconteceu com a Leonor
Tirania, ousadia, ou foi a Janete Clair
Que fez a cabeça desta mulher (...)" (Prendas do Lar - Carlinhos Vergueiro/sucesso de fins da década de 70)

O Brasil detém uma tradição de maior exportador de novelas de tevê. Sucesso no mundo inteiro, com incursões pela China e penetração festejada da inesquecível adaptação de A Escrava Izaura, protagonizada por Lucélia Santos, entre outros grandes sucessos que ganharam o mundo, do ocidente ao oriente, e venceram prêmios de teledramaturgia, o país ainda está no hall de ponta de lança nessa linguagem.

Quem não cresceu, vendo as tramas e dramas janeteclairianos que fizeram escola, ou temas + políticos e engajados que povoaram o universo de Dias Gomes, entre um panteão de grandes criadores e teledramaturgos (Cassiano Gabus Mendes, Benedito Rui Barbosa, Gilberto Braga, João Emanuel Carneiro, Manoel Carlos, Mário Prata, Bráulio Pedroso, Glória Peres, Maria Adelaide Amaral, Aguinaldo Silva, Miguel Falabela e uma inesgotável geração sempre renovável de artistas autores que preencheram a telinha mágica para 30, 50, 70, 120, 170 milhões de habitantes nesse país continental do Iapoque ao Chuí.

“Eu perdi o meu amor para uma novela das 8. Veja só a desilusão, eu me desiludi (...) Agora vive longe eu não sei mais nada, fugiu da nossa casa com a televisão (...)” (Fugiu com a novela - Vanessa da Mata) reflete, em nova leitura, crítico humorada,  as velhas questões de “amores perdidos”, esquecidos, ou desencontros consentidos, quando alguém fica ligado na novela das 2, das 6, das 7, das 9 ou das 10 horas.

Já houve o tempo de se negar as novelas, pois alienantes. O tempo de abraçá-las, pois de entretenimento e lazer, nas pausas para descanso das jornadas impostas pela força motriz do capital e negócios dos donos dos negócios e poder detentores do quinhão de + maioria rica.

A teledramaturgia, às vezes, também consegue ser mata e cura, em microsséries e minisséries, com tempo e argumento que quebram o paradigma de cotidianos mágicos, do mundo de Bob, de sempre felicidade e facilidades que só o feijão com arroz e muita gordura imprimem nos dramas circulares de realismo opera sabão à força da opinião do ibope, medições de tevês ligadas, em lares que não mudam de canal. Aquelas dobram o patrocinador e fogem do lugar comum e mediam equilíbrio, enquanto mantêm o padrão de qualidade premiada.

Assim cominho e orégano temperam a humanidade que se vê refletida na tevê. E já não se quer negar o gosto pela novela, pois parte da cultura nacional. Um colega de cena, ator e diretor, em conversa recente, disse gostar de novelas. Assiste as novelas para ver bons atores e atrizes, boas dramaturgias. Assume que vê novela. Eu o acompanho. Desde que me entendo por gente, que vejo, quando posso, algum capítulo de uma nova trama.

Aliás, peguei gosto pelo teatro, vendo artistas na televisão, desde a era da imagem em preto e branco. Depois, algumas oportunidades de rever os artistas, ao vivo e a cores, em palcos de teatro foi um prêmio.

Ver boas interpretações, bons diálogos e o deslizar convincente, no plano americano, de profissionais migrados da rádionovela, do teatro de tradição e competência e da práxis da cena Opinião e Oficina e das novas oficinas e laboratórios vanguardistas e contemporâneos de criação da personagem não tem preço. Grandes estrelas desfilam talento em meio das indústrias culturais e do anunciante e, coadjuvados por belos rostos e adestrados em série à renovação da plástica da televisão.

Como nem tanto ao céu de divinos e celebridades, nem tanto à terra de desejosos de alcançar a mesma divindade e intuir catapulta ao posto de olímpicos, a todo custo, a teledramaturgia sobrevive para mundo democrático dos bons, dos aceitáveis, dos treinados, dos belos e malditos, dos que nunca pisaram um palco de teatro, dos que nunca leram um livro e dos que aprenderam de cor a lição do enquadramento da tevê.

A televisão sobreviveu à intenet e as novelas, idem. Sexta feira, 13 de março, + uma trama fechou seu ciclo de + de seis meses de dramas, melodramas, comédia e estereótipos, caricatura e criaturas recriadas das geladeiras frankensteinianas e requentados populares que encheram a curiosidade e interesse da audiência brasis. Império era a novela e seu deus criador Aguinaldo Silva et al.

Autor que passou um ano divulgando, antecipadamente, sua narrativa, contratando e demitindo elenco via twitter, fazendo seu marketing pessoal e de sua teledramaturgia e do patrão, acertou + nessa última novela. De bom parceiro em novelas de grande sucesso, e temas rurais e de realismo fantástico aos urbanos, o autor foi fazendo as suas. Algumas com + acertos, outras + enfadonhas, mas sempre cumprindo sua sinopse e tempo de atuação.

Em Império conseguiu recuperar um bom tema e teve um elenco nunca desprezível. Ninguém pediu ao autor para ser suprimido da trama e parecia ser prazer dos profissionais em estarem na cena. Em vias a beijar os cinqüenta anos da Vênus platinada, o autor foi muito feliz até o dia em que teve que construir o “felizes para sempre” e assinar o Fim.

A trama correu o ibope e manteve o Brasil ligado na telinha. Quando chegou a hora de fechar o ciclo e entregar o horário à Babilônia, a próxima nova novela das 9, de Gilberto Braga e parceiros, Aguinaldo parece que gastou muito a pílula e perdeu a madrepérola de douro a capítulo triunfal. Fez das suas, mas parece que em pálida renúncia, ou desgaste de não encontrar melhor efeito.

Fora o fato de bang bang à italiana e fotografia em set de dinamismo policial americano, foram poucas as novidades que deixassem melhores lembranças. O take colhido do alto para canteiro dos mortos, imagem bonita.

Todos os maus são punidos, com a morte pelo fogo quente de arma moral e, a agilidade para a morte de alguns parece não ser eficaz para poupar o anti-herói, purgado com a morte “à treição”, tiro nas costas.

 Um seqüestro, humilhações à mocinha e preferida do pai e homem de preto, as falhas trágicas e as mágicas surreais dos tempos e soluções fáceis descomplicam e finalizam o Império, de Aguinaldo Silva.

Moralismo conservado, público (in)satisfeito, trama fechada com chave de bronze e protagonistas (Lílian Cabral e  Alexandre Nero) impagáveis, em suas construções da personagem, seguidos de perto por atores e atrizes em núcleos de ótima atuação. Até os intérpretes opera soap tiveram ganho de causa.
(A. Nero/Zé Pedro, um fantasma assombra em tempo de (i)mortalidade/reprodução)

Um final morno, sujão, mas padrão de novela das 9. Agora é esperar pra ver o furacão de Gilberto Braga e parceiros. Quem o conhece, o compra sem pestanejar e não parece ser à toa que sua trama assinará os cinqüenta anos da emissora que emprega divinos e divinizados, artistas e artífices da profissão, textos e obras que romperam décadas e criaram um monstro da teledramaturgia nacional, chamado Gilberto Braga que, confessadamente, sempre foi fã de Janete Clair.

Gilberto deu o seu “Pulo do Gato” e construiu o próprio nome e ninguém tasca. Quem tiver dúvida que recorra ao Google, Youtube, a memória de fluxo informacional muito + ágil que os tempos de arquivos mortos e sujeitos, em maior escala de sinistro, a risco de se perder.

(Glória Pires e Adriana Esteves, as marias de fátima e carminhas em eterno retorno/reprodução)

Que venha Babilônia. Já chegou com o assombro de primeiro capítulo quente e envolvente. Mocinhas da tevê assassinas e chantagistas, velhinhas homoafetivas, traição e ambição pelo dinheiro alheio, (in)justiça dos podres e poderosos, mocinhos enganados pelo feitiço da lua da Lucrécia Borgia, filhos estragados pelo amor de proteção cega e as discussões, sempre em pauta revisitada, pioneiras nas tramas gilbertobraguianas, desde que o tempo é tempo de  criar para o autor.
(Fernanda Montenegro & Nathalia Timberg, homoafetividade na terceira idade/reprodução)

O público, de direita, meio, esquerda, volver!, vai assistir sim essa nova trama. Pode até nem confessar, mas que vai “curiar”, de perto, isso vai sim. 

13 de Março

impávida tarde de março
por maneco nascimento

Após + de uma década e meia de apresentações no canteiro de obras (Memorial Heróis do Jenipapo, em Campo Maior), feito às cênicas de releitura histórica, “A Batalha do Jenipapo” – a peça, repetiu efeito aos dias “fatídicos de transes desgraçados” e assumiu espetáculo que reconta a perda da Batalha, mas vitória da Guerra às margens do riacho Jenipapo, quando o Piauí se torna a primeira província brasileira a confirmar sinal de adesão à Independência do Brasil.

Texto escrito por Aci Campelo, a partir de pesquisas do historiador e jornalista Chico Castro, o espetáculo tomou forma pela primeira vez lá pelos idos de fins do século 20 e seguiu o exercício do exercício até início dos anos 2000, enquanto governou o estado um político que carregava a alcunha de mão milagrosa (M. Santa, 1 de janeiro de 1995/6 de novembro de 2001).

Em seguida, um governo petista (W. Dias, de 1 de janeiro de 2003 a 1 de abril de 2010) manteve a repetição do espetáculo por sete anos, dois mandatos quase completos. Na esteira de continuidade, houve a encenação nos anos do vice, feito governador, durante sua administração nos quatro anos de tempo pessebista, quando eleito, (W. Martins, de 2010 a 2014). 

Em 2015, o marco teatral retorna às solenidades do 13 de março, em mãos de governo petista (W. Dias, a partir de 1 de janeiro de 2015) e repercute, conjuntamente, com a entrega de Medalhas, discursos de homenageados e de políticos, pompas e circunstâncias e desfiles militares perfilados às honras e memórias históricas da Batalha que coloca o Piauí nos anais da construção social brasileira, mesmo que durante muito tempo tenha encontrado nariz adunco e virado dalguns historiadores oficiais nacionais.

No pátio do Memorial do Jenipapo, entre o cemitério dos Heróis, obeliscos arquitetônicos edificados, museu da memória da guerra rural piauiense, o palanque de autoridades erguido, ao evento, e estacionamento e área de passeio de chegada ao local descrito, à margem da BR 343 que ruma ao litoral, se instala há muitos anos a encenação.

Dirigida em sua maioria de vezes por Arimatan Martins; uma vez por Siro Siris e duas vezes por Franklin Pires, uma destas (2012) feito na base de pesquisa do historiador e quadrinista Bernardo Aurélio e outra (2013), como licença poética Musical a La Miserables, contextualizado ao fato histórico local, “A Batalha do Jenipapo” – a peça, fez história à memória do teatro brasileiro a céu aberto.
(elencão perfilado para a Batalha, ensaio geral/foto: m. nascimento)

Desde 2014, a encenação retornou às mãos de Arimatan Martins. Em 2015, em nome da contenção de despesas e orçamento muito inexpressivo do Governo do Estado/Fundac, o espetáculo contou com apenas 38 atores de Teresina e + os coadjuvantes contumazes da cidade de Campo Maior, que também encorpam o mètier da Batalha encenada. Atores profissionais de Teresina, capoeristas do Cordão de Ouro e o Grupo de atores campomaiorense confirmam “A Batalha do Jenipapo” – a peça, em força e magia do teatro.
(Arimatan Martins, diretor e ator; Jorge Carlo, ator e Siro Siris, diretor e ator/foto: m. nascimento)

+ uma vez o elencão ficou acomodado no Campus UESPI C. Maior que, desta feita, sofre intervenção de reforma e estava + limpo, com salas refrigeradas e banheiros assépticos e funcionais.
(elencão nos corredores do Campus UESPI/foto: m. nascimento)

Nova empresa de ônibus ficou responsável pelo deslocamento dos artistas. O motorista só ligava o ar refrigerado quando o transporte ia sair e, naturalmente, não dava tempo resfriar ao conforto do elenco. Devia fazer parte da contenção de despesas.

A alimentação em restaurante estradeiro e contumaz em receber os artistas, não surpreende nunca. Sua zona de conforto se instaura pela cultura de “assim tá bom demais”, para o proprietário, já que o pagamento deve demorar tanto quanto o dos artistas, que desta vez há promessas de recebimento no prazo de 30/60 dias corridos.

É esperar para ver e crer que será + ágil a prestação de serviços públicos oficiais ao serviço prestado pelos atores, atrizes, capoeristas e técnicos envolvidos na obra encenada.

O espetáculo, por si só, se garante como matéria prima manufaturada aos olhos da assistência curiosa. Escolas fundamentais e de ensino médio, cidadãos campomaiorenses, público cativo, autoridades oficiais e convidadas, homenageados com a Medalha, imprensa (tevês, portais, fotógrafos e jornalistas pautados) barraqueiros, Polícia Militar e de Trânsito, segurança governamental, profissionais envolvidos diretamente no circo montado e toda a gente que acorreu ao Memorial “Heróis do Jenipapo” são parte interativa no momento da peça contada.
(ensaio geral na manhã de 13 de março/foto: m. nascimento)

É + uma guerra de cena vencida. A Batalha da Batalha segue curso, fora da legenda datada e dentro da legenda da cultura e arte que premiam a cidade de Campo Maior, quando revisitam a história local e piauiense e transformam memórias sociais em teatro de resistência em terras de canteiros bravos e de cena de permanência à espetacularização da agenda governamental.
(sala de maquiagem, antes da Batalha, a peça/foto: m. nascimento)

“A Batalha do Jenipapo” – a peça, em seu elenco comprometido e atomizado pelo teatro, cumpriu + uma vez seu papel de arte e serviço prestados. Agora é a vez de aguardar a contrapartida do Governo do estado/Fundac em seu papel de pagador do prestador de serviço.

Sorte a todos e aos tempos de promessas renovadas. Artistas da cena, salute!

terça-feira, 10 de março de 2015

Cultura Popular

Arte onde o povo está
por maneco nascimento

Desde 2013 o Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Piauí - SATED PI cumpre ações, de parceria com a Secretaria Municipal de Economia Solidária de Teresina – SEMEST, ao Projeto Pontilhando Cultura que visibiliza grupos folclóricos e oportuniza troca de experiências, capacitação e renovação de indumentárias dos grupos manifestados e cria um + de apresentações, fora do período junino/julhino em que, normalmente, se vestem de sua cultura e vertem energia e força criativa à época dos festejos do Boi.

Oficinas, consultorias e realização de encenação da arte popular do Bumba Meu Boi em palcos preenchidos pela expectativa de espectadores, público natural das comunidades de tradição e revalorização da cultura popular.

Aquelas se dão ao tripé de arbitrar as manifestações culturais em reunião de economia solidária e criativa e atêm-se à cultura, turismo e o incentivo aos pequenos grupos de economia solidária e criativa para gerar atenção prática ao belo manifestado da arte e cultura folclóricas e fortalecimento dos grupos locais.

O Projeto Pontilhando Cultura – Arte Poty 2015 teve agenda iniciada dias 07 e 08 de março de 2015, na Praça do Poty Velho, às 19 horas, numa realização do SATED PI. 
(brincantes e meu Boizinho das memórias culturais populares do Bumba Meu Boi/créditos ascom)

No sábado, 07, a Praça do Povo potyvelhense recebeu os Grupos brincantes, Boi Imperador da Ilha; Mimo de Santa Cruz; Boi Estrela Dalva e o Grupo de Dança ABBA Poty Velho. A noite recebeu a recomendada atenção de grande público da região, interessado em sua própria identidade e pertencimento.

Os artistas brincantes da noite de sábado carregaram consigo tradição e memória construtiva na manutenção da história popular. O Imperador da Ilha, fundado em 1934 por Dona Eva, familiares e amigos, é natural do Bairro Piçarra. Com + de 80 anos de criação, o Imperador tem sede própria, no bairro Cidade Nova, e é composto por 60 componentes, tendo à frente os Mestres Raimundo Araújo e José Ribamar.

O Boi Mimo de Santa Cruz é um dos + jovens, de 2001. Os fundadores são a senhora Maria de Jesus e o senhor Juvenal. O Grupo surgiu no bairro Vamos Ver o Sol e hoje está sediado no bairro Redenção e conta com 40 brincantes. O Mestre dos brincantes é Juvenal Dias Pereira.

Fundado em 1971, no bairro Matadouro, o Boi Estrela Dalva tem o patrono criador, na pessoa do senhor Pedro Barros da Silva, o fundador. Com atuação no bairro Parque Alvorada, o Estrela Dalva, com 60 brincantes, detém à batuta o Mestre Chico Chagas.

Fechou a noite de sábado, 07, o Grupo de Dança Abba Poty Velho. Criado em 2005, o Grupo de Teatro Abba (Abá) teatro religioso e social procura mergulhar no auto conhecimento e questionar, criar e recriar o meio em que vive, através da arte. A direção do Grupo é do Cosme Gomes de Sousa.

A noite de domingo, 08 de março, Dia Internacional da Mulher, também computou público extraordinário, apesar da chuvinha que se manteve durante todas as apresentações.

A partir das 19 horas, na Praça do Poty Velho, o encontro de Bois, sob a chuva, reuniu o ChacumBoi. Criado em 2010, na comunidade da Pedra Mole, a partir da Oficina de Percussão ministrada por Pedro Black. Com 35 brincantes, o Boi ChacumBoi tem à frente seu Mestre criador Pedro Black.

O Boi Estrela da Noite, conduzido pelo Mestre Antonio José, tem data de fundação em 2010, no bairro Santo Antonio, e seu fundador foi o senhor Chico Diva. Estrela da Noite é composto por 35 brincantes e mantém sede no bairro Santo Antonio.

No mesmo pátio de manifestação ainda se apresentou, em simultânea atuação com os Grupos irmanados, o Boi Dominador do Sertão.  O Boi é de 1989, criado pelo senhor Edmilson Oliveira, lá no bairro Buenos Aires, com a participação de vizinhos do Mestre de Boi. Hoje, com 40 brincantes, atua na comunidade Monte Verde e o Mestre condutor é o senhor Nonato Oliveira.

Com a chuvinha. que não deu trégua, a festa foi só dos Bois que confraternizaram no terreiro da alegria e lavagem das alegorias pela água caída do céu no sertão de Bichos animados e brincantes.

A apresentação de trechos da Comédia Musical A República dos Desvalidos, do Grupo de Teatro Pesquisa, ficou impossibilitada de acontecer. Seria a homenagem do Projeto Pontilhando Cultura ao Dia Internacional da Mulher. A precipitação, que muito alegra o teresinense, caída àquela noite, adiou o ato cênico musical para futura agenda.

O + foi só alegria manifestada, da arte e cultura de tradição, que mantém-se à custa da própria insistência em transigir memória e história da construção social da cidade verde, em seus dias de criação de mitos, lendas e outros temas do inventário popular, a partir do cotidiano do homem simples, meeiro do terreiro do coronel e seus bois de cria, corte e ostentação.

Viva o Bumba Meu Boi. Viva a Cultura Popular! 

sexta-feira, 6 de março de 2015

O "Doce"

Doce de goiaba
por maneco nascimento

 “Os bóias-frias quando tomam umas biritas/Espantando a tristeza/Sonham, com bife à cavalo, batata frita//E a sobremesa/É goiabada cascão, com muito queijo, depois café/Cigarro e o beijo de uma mulata chamada/Leonor, ou Dagmar (...)//São pais de santos, paus de arara, são passistas/São flagelados, são pingentes, balconistas/Palhaços, marcianos, canibais, lírios pirados/Dançando, dormindo de olhos abertos/À sombra da alegoria/Dos faraós embalsamados” (O Rancho da Goiabada/Aldir Blanc-João Bosco)
Imagine as goiabas da “carne” vermelha selecionadas e a polpa jogada no tacho de zinco azeiado e sobre as trempes de pedras grandes, e de fogo, que acomodam a lenha que vai aquecer a massa do fruto que, adicionado o açúcar e alguma pouca quantidade de água, completam a fórmula do prazer degustado na forma do doce de goiaba. E, quem sabe, a goiabada cascão raspada do velho tacho, melado em grossa camada do bom ponto do doce.

Assim são as memórias afetivas da culinária rural e quiçá aplicam-se ao sabor deixado na boca de quem provou o doce, talhado nas fornalhas da cozinha brasileira e compotado para degustar-se com calma e, por vezes, com voraz apreço de amaciar as papilas identificadas com propriedades organolépticas do paladar.

Mas há outros doces que também passam pela mesa de qualquer mortal e, dependendo de quem o cultiva, podem ter sabor não muito palatável, mas sempre um “doce” que desce goela abaixo.

Planta-se e colhe-se. As goiabas nem sempre produzem a massa apropriada ao doce da vovó. Por outro lado, sempre doce com sabor para acre e sem as regalias da tradição rural e culinária memorável. Mas “doce” que plantado, nalgum momento será digerido, queira ou não queira o doceiro de magias sem a graça branca, mas feitor de toma lá, dá cá. Doce dado, doce recebido de volta a La Lei de Newton.

Mas, saindo da culinária e ficando nas boas notícias que correm os chegados das águas de março, porque como diz o poeta “É pau, é pedra, é o fim do caminho/É um resto de toco, é um pouco sozinho/É um caco de vidro, é a vida, é o sol/É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol (...) É o mistério profundo, é o queira ou não queira/É o vento ventando, é o fim da ladeira (...) Das águas de março, é o fim da canseira/É o pé, é o chão, é a marcha estradeira (...) É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto/É um pingo pingando, é uma conta, é um conto (...) É a luz da manhã, é o tijolo chegando/É a lenha, é o dia, é o fim da picada (...) É pau, é pedra, é o fim do caminho/É um resto do toco, é um pouco sozinho/É uma cobra, é um pau, é João, é José/É um espinho na mão, é um corte no pé/São as águas de março fechando o verão/É a promessa de vida no teu coração (...)” (Águas de Março/ Tom Jobim)

Há uma novidade que nos pega de surpresa alegre e recebe, de alguns, um indisfarçável nariz de pouca felicidade. E a vida sendo assim mesmo e parafraseando Nelson, a unanimidade é burra e, às vezes despeitada. Então, quem não gostou que gostasse.

(ator e promotor cultural J. Vasconcelos/image face J. Vasconcelos)

João Batista Vasconcelos recebe, às 8h30 da manhã, do dia 06 de março, das mãos do representante da Fundac, a responsabilidade oficial de coordenar o Complexo Cultural Clube dos Diários/Theatro 4 de Setembro. Solenidade fechada ao quadro de funcionários, colaboradores e alguns amigos que chegam para prestigiar o amigo.

Promotor cultural e agitador de arte e cultural transversal de todos os tempos, entre parceiros de todas as linguagens, o ator e produtor cultural recebe a confiança de um novo desafio e responsabilidade ímpar, estar à frente da maior Casa, oficial, de espetáculos do Piauí e espelho de corredor cultural centrado na Praça Pedro II (Aquidabã Sem Número), na velha Teresina de sempre.

Torcer o nariz, ou o rabo do tatu, em espírito de porco com asas cortadas, pode ser o sentimento que povoa alguéns que gostariam de ver outros nomes que liderassem essa Casa. Não deu, ficará a outra oportunidade. Dessa vez, será a vez de João Vasconcelos e ele sabe agitar cultura e o faz como resposta em agregar + valores artísticos e artistas que também se identificam com sua forma de ação cultural.

Vai essa aí, galera dos sins e nãos. João Vasconcelos está ai e não está prosa. Vivendo e aprendendo a jogar. “Vivendo e aprendendo a jogar/Vivendo e aprendendo a jogar/Nem sempre ganhando/Nem sempre perdendo/Mas aprendendo a jogar (...) Água mole em pedra dura/Mais vale que dois voando/Se eu nascesse assim pra lua/Não estaria trabalhando (...) Mas em casa de ferreiro/Quem com ferro se fere a tudo/Cria fama, deita na cama/Quero ver o berreiro na hora do ronco/Vivendo e aprendendo a jogar” (Aprendendo a Jogar/Guilherme Arantes)

João está poesia, drama, comédia, música, artes visuais, dança e o que vier + porque urge fazer cultura e arte, seja em Bar, praça, parque ou palco empenhado em urdir o fazer artístico em expansão, atomizando quem soma coletivo e sana a fuga do complexo de coitadismo, da teoria conspiratória, ou da arraigada leniência de não ser de fato e direito artista e construir arte (aqui entenda-se o viés paulofreireano).

Quem não gostou que gostasse, confere a gira setentona em gíria cultural de recorte à alegria e metáfora de discurso vencedor em combate aos pessimistas, na era da exceção brasileira de céu de brigadeiro e outros marechais de ferro. Vasconcelos chegou ao cargo, de indicação também política, a partir de seu histórico de trinta anos no batente do fazer arte nessa cidade. Então, essa é sua deixa. O texto está dado, a cena começa agora!

Aos “perseguidores” e amargurados com essa boa notícia, vão cantar em outra freguesia. O mundo anda, circula, e a fila é indiana e às vezes até as pedras se encontram.

No meio do caminho, salta-se a pedra e continua-se o curso da vida voejando à arte e cultura locais. Peguem os painéis para alargar conhecimento e revisionem as próprias ações, até dos últimos dias de pregoeiros da excelência produtiva da cidade, ou leiam um romance. Mas paguem as contas do mercado, as prestações... parafraseando Torquato.

Mas deixem em paz meu coração, pois ele é um pote até aqui de doce de goiaba, goiabada cascão. E, para não sofrer de diabetes, evito levar “doces” do destino. Vigio a ação e colho a reação + respeitosa e vivo bem, obrigado. Falou bicho!

Parabéns, João Vasconcelos. Vai que é tua. Operário do viço artístico, não é Elis, “Essa Mulher” inesquecível, que aniversaria neste 17 de março, uma setentona de guerra,  e é de sempre boa lembrança, mas  ele viaja na cauda do furacão e sabe ser porque está sempre girando, girando feito cantiga de roda e é sal da terra.

E sei que os parceiros estarão não só torcendo, mas dividindo essa alegria e contentamento. O 4 de Setembro te aguarda e Daniel, para lembrar o bíblico, sempre vencerá a jaula dos leões e sem matar nenhum deles, para manter-se politicamente correto.

 É + Electra Concreta (para manter-se na cena, lembre-se que não se é Deus, só deuses trágicos, e revisionados, também no teatro de Gerald Thomas, meados da década de 80), ou Electra comCreta, ou sem Esta, mas sempre operário do ofício.

Ah, raspe esse tacho e deguste o doce da tradição desinteressada e + próxima do agregar de sabores apurados. A quem não soube lavorar um bom fruto, sobre-lhe o “doce” da hora.

Evoé, Vasconcelos!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Quanto vale um parlamentar

Sua excelência, o legislador
por maneco nascimento

Muito se tem visto, às redes nacionais de televisão, nos telejornais e, + recentemente, nas redes sociais, o espetáculo da alegria e histeria felicitada quando interesses e campanhas de votos, em circuito fechado das câmaras parlamentares e senado nacional, repercutam resultado satisfatório, sejam de arquivamento de processo de investigação de políticos, sejam de trunfo na eleição realizada, em que o sufrágio alegra parlamentares. Outros arroubos  e inefêmeros manifestados, também, ganham repercussão midiática e tudo vira festa espetaculosa a holofotes aquecidos.

A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), foi caso emblemático de felicidade representada, em plenário legislativo brasileiro, quando foi confirmada a não cassação do deputado João Magno, durante votação no congresso de representação do povo eleitor.

Após confirmada a vitória de base aliada do governo em votação que beneficiou o deputado, livre de cassação de mandato, por ter sido beneficiado pelo “valerioduto”, a deputada, de bancada e legenda, não conteve a franca alegria e ensaiou, com toda desenvoltura a coreografia, de improviso, à “dancinha da pizza” e fez frente à boa brasilidade feliz e à contente representante do povo brasileiro e do cargo eletivo no plenário da câmara. Uma dancinha que percorreu o Brasil inteiro, através da telinha da tevê.

Era um dos primeiros exemplos, a que se tem lembrança, de tanta emoção jorrada entre as cadeiras do parlamento e que concretizava um sentimento de vitória do governo que sofria iminente processo investigativo, acerca de improbidade administrativa de políticos da legenda.

Em dias e exercícios do fazer política e impor-se a ato político no país de governante de esquerda, aquela se endireitava aos métodos situacionistas, desavergonhada. Ali, entrou para a história, reproduzida em cadeia nacional de televisão, Ângela Guadagnin, pelo efusivo do pouco comum manifestado, em dias de política nacional.
(a deputada dançarina da "dancinha da pizza"/imagem reprodução)

[Deputada pede desculpas por "dança da pizza"

24 de março de 2006 • 07h57 • atualizado às 12h07
A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que fez a "dancinha da pizza" durante a votação da cassação do deputado João Magno, disse que não pretendia agredir os eleitores com sua manifestação de alegria e pediu desculpas às pessoas pela sua atitude. Em entrevista ao Jornal do Terra, a deputada negou que sua atitude possa ter implicado em quebra de decoro parlamentar.

A deputada petista dançou no plenário assim que foi anunciada a absolvição do deputado João Magno (PT-MG), na última quarta-feira. Por 207 votos contra a cassação e 201 a favor (5 votos em branco, 3 votos nulos e 10 abstenções), Magno foi favorecido pelo baixo quórum.

Ele é acusado de ter recebido R$ 426 mil do chamado esquema "valerioduto" sem prestar contas à Justiça Eleitoral. O parlamentar petista culpou a legislação eleitoral por qualquer crime que tenha cometido.

Em entrevista à rádio CBN, a deputada afirmou que se sentiu à vontade pois o plenário estava vazio. "Havia meia dúzia de deputados e eu manifestei alegria por um amigo", disse ela.
Ângela declarou ser amiga do deputado João Magno e afirmou que a dança foi uma brincadeira para um colega em um momento inesperado. "Quando surgiu a proposta da cassação eu sugeri uma pena alternativa. Eu acredito que o João Magno só pegou o dinheiro no banco porque o Delúbio Soares pediu", declarou ela (...) pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas com sua atitude. "Só posso pedir desculpas e compreensão, pois sou humana e extravaso sentimentos", explicou Ângela.] (http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/Deputada+pede+desculpas+por+danca+da+pizza.html)

Outro caso, + recente, de repercussão significativa de desrespeito à colega parlamentar, foi o do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), em plenário da Câmara dos Deputados.
 (o auto divinizado Bolsonaro em ação/imagem reprodução)

[“Não estupro você porque não merece”, diz Bolsonaro a Maria do Rosário
dezembro 9, 2014 17:52

Exaltado, deputado declarou em plenário, ainda, que o Dia Internacional dos Direitos Humanos é “dia internacional da vagabundagem”

Por Redação* |

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) protagonizou, nesta terça-feira (9), mais uma polêmica na Câmara dos Deputados. Ao responder fala anterior da colega Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos, disse que não a estupraria porque ela não merece.

“Não saia não, Maria do Rosário, fica aí. Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, ‘tu’ me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir!”, bradou Bolsonaro no plenário (...)] (http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/12/nao-estupro-voce-porque-nao-merece-diz-bolsonaro-maria-rosario/acesso 13.02.2015 às 12h35)
São dias (in)comuns de representantes do povo em momentos de extravasão de sentimentos, naturalmente humanos, ao despirem-se da pele de cordeiros auto imolados.

Recentemente, no Piauí, ocorreu a disputa pela cadeira de ponta na Assembleia Legislativa do Estado. Concorria à reeleição da presidência da Casa parlamentar o deputado estadual Themístocles Sampaio (PMDB), na frente do exercício de presidente há alguns felizes anos. Corria, por fora, o deputado Fábio Novo, do PT, como novidade audaciosa no ninho de matilha confortável.

Campanha lançada, estratégias direcionadas, acordos e reuniões eleitoreiros realizados e o sufrágio deu resultado de 16 votos a T. Sampaio contra 14, computados a Fábio Novo, político da região sul do estado. Um exercício de democracia finalizado e uma crônica de trajeto indisfarçável anunciado.
(dep. Fábio Novo em plenário da Alepi/imagem photoparlamento.blogspot.com)

Mas o que + ganhou espaço midiático nas redes sociais foi a alegria deslumbrada do deputado estadual, da região sul do estado, e das fileiras do PMDB, João Madson. Sua euforia incontida virou meme.
(a euforia vitoriosa, do dep. J. Madson, na Alepi/foto: Ithyara Borges)

A viral passou, pelo menos duas vezes +, pelo olhar curioso de internautas. Era mesmo um espetáculo difícil de não ver. O Deputado perdeu as estribeiras e consentiu-se comemorar efusiva e, desbragadamente, a vitória de seu partido alto e de seu eterno presidente da Alepi.

Criou espécie e até ganhou alcunha de exemplo de felicidade extremada. Qualquer alusão a uma fuga da tristeza, ou representação de alegria incontida, o momento feliz do deputado pmdebista serviu como sugestão gracejada.

Foi um arroubo de vitória, apertada e cheia de expectativas, logo o frenesi pareceu justificado pelos colegas da Casa e, talvez, incontrolável pela personagem em representação de extrema felicidade. Sua excelência, o senhor deputado.

Ainda do processo da apuração dos votos da eleição à presidência da Alepi 2015, consta que um outro deputado, da região norte do estado, se manifestava a cada voto, contrário a Fábio Novo, com a expressão de cunho muito popular: “Chupa, chupa!”.

Estavam abertos canais a ímpetos domésticos e ânimos eleitorais parlamentares a francas liberdades expressivas e efusivo paralelismo lingüístico de acepção comum de simples mortais. Vale a conquista e a manifestação liberada do vencedor que viu seu pleito eleitoreiro surtir efeito imbatível, não?

A sociedade mudou, a política mudou, o político vem de roldão adaptado aos novos tempos e a linguagem também sofre mudanças porque dinâmica e contextual ao ser, estar e fazer-se comunicação direta e de fácil acesso. Talvez essa ideia de homens e mulheres representantes do povo, com ares de olímpicos e intocáveis, esteja fora de moda.

Representantes do povo, logo nascidos do mesmo barro dos comuns, que também voltam ao pó, como vaticina o ensinamento popular. Políticos que se representem, ou se apresentem, do alto de imortal importância e vislumbrados, à distância, em suas bigas divinas, a lembrar os Césares, que não eram deuses, estão fora de paradigmas da atualidade.

Hoje esse representante do povo está + no meio do povo, sua a camisa, troca amenidades diretas com seu eleitor, visita a vidinha simples do voto em potencial e marca um selfie na carreira promissora de repetir-se nas urnas. Então porque não demonstrar também sentimentos humanos e mortais, como qualquer um do povo?

Dancinhas parlamentares, alegria em natural processo de histeria, expressões que poderiam ter acepções chulas, ora inadequadas, podem ser, sim, adequações sócio culturais nesse futuro do presente que nos regencia e verbaliza corpo, voz, meneios febris de felicidade intensa e o velho reinventado nível da linguagem.

Se cai o nível da linguagem e, consequentemente, o da sociedade, de que fala Mário Faustino, é só um detalhe no caldeirão de cultura social brasis a exemplos de Macunaímas, Policarpos Quaresmas, para registrar exemplos da literatura licenciada na poética, ou os + populares e carismáticos que andejarem pelos salões oficiais e gabinetes da política nacional sui generis.

A queda é para o alto. Parlamentar também é gente, como qualquer safo brasileiro. Então pode rir, extravasar a própria alegria, desembolorar a língua e libertá-la das velhas travas, etiquetas e livrar-se de ares de potestades que se alimentam de ambrosia, ao invés de arroz, feijão, carne e pão, superfaturados.

Quer dançar, pois vitorioso. Extravasar alegria e felicidade por não perder o posto de sempre eleito, pode ser da natureza dos meandros e fisiologias políticas. Usar expressões que aproximem semântica do baixo calão, bobagem. Agredir colega de parlamento, é típico de representante popular endeusado pela autoconfiança e fé fundamentada. Todo mundo pode ter seu dia de traquinas, de porcos com asas e espírito anarquista, inclusive um parlamentar.

A vitória da inocência e da moral social é peça de literatura e romance. A vitória é dos vitoriosos e das estratégias políticas. A realidade é pragmática e a política é mesmo polêmica, estejam os políticos certos ou errados, impunes ou imunes. Parlamentares são gente da nossa gente, gente!

E têm, estes, seu dia de igualdade e liberdades fraternadas aos resultados de interesses de seus pares, de políticas de sobrevivência da própria práxis política a repercutir o extremo da felicidade expressada. É coisa de políticos e política também, pois, pois.

Quanto vale um parlamentar? Vale o “metier” de coalizões, acordos, coragem de ser o que é, sempre; determinação de estar com quem pode e deve vencer; proteger-se e ao partido que o representa de forma a somar pontos e votos e identidade de cunhar espaço e sobreviver. Vale quanto pesa o peso da política instaurada.

Sua Excelência o legislador, o parlamentar, o político, o homem (genérico), o audaz, o safo, o sério, o cínico, o maquiavélico, o senhor das guerras parlamentares, o im(p)une, o criador e negociador das leis e votos.

Sua excelência, o político, mas sempre surdo a premissa império românica cesarina: “Lembrai-vos que não sois deus! Lembra-te que não és deus! Lembre-se que não é deus!”, só humano e falho.

Mortal e humano, mas por vezes com estratégias políticas quase divinas. De poder ser, ou estar, o político, à mercê de como os impérios sejam forjados a sua participação ativa e feliz. 

Isso é política brasis.

Memória do Carnaval brasis – o Retorno

“Deixa o carnaval passar...”
por maneco nascimento

O texto “Deixa o Carnaval passar...”, faz um livre mergulho no tempo e na hora de viver alegria, os grandes temas de carnavais e marchinhas carnavalescas nacionais, produzidos ao longo das décadas de 1930, 40, 50, 60 et all.

Quando o bom humor, ironias, picardias saudáveis e um grande bonde da folia, em gracejos da canção, deixavam o carnaval passar, nunca batido, enquanto enchiam os salões de festas em reino de Momo, para três, quatro, cinco ou + dias foliões e de fantasia até que as cinzas serenassem o ímpeto carnavalesco.

“Deixa o carnaval passar...” foi, originalmente, publicado em 23 de fevereiro de 2012, há quase três anos atrás, direto do tonel derramado à chancela das picardias, maestrias musicais e licenças poéticas de grandes compositores brasileiros, do tempo e tema terção às rodas febris de bailes de carnaval, em clubes society e outros corredores da folia liberada.

Eram mesmo outros carnavais e, ano a ano, a disputa para compor e levar o Prêmio de Melhor Marchinha, do certame, dava aos artistas das letras, músicas, melodias e arranjos em intersambas de marchas, rancho, romântico e ritmos pop contextuais do mundo de juventudes composicionais que a brisa do carnaval contagiava e abria as porteiras e (en)cantava o Brasil de brasis do povo considerado + alegre e feliz em todo o planeta.

Corria a alegria em versos e prosas melódicas, a perder de vistas, e enleava os ouvidos radiados à canção brasileira de cepa foliã.
 
(confetes e serpentinas no Baile da "Noite dos Mascarados" (Chico Buarque)/imagem reprodução)

[Deixa o Carnaval passar...

Nos dias que antecederam a passagem da majestade momesca, festejado carnaval brasileiro, o país foi só de aniversários em antecipação à alegria dessas horas de folia. As comemorações pipocaram em confetes e serpentinas que abririam alas a quem não queria sofrer, não queria chorar, a tristeza foi deixada... 

“(...) lá fora/ Mandei a saudade esperar, lá iá lá, iá/Hoje eu não quero chorar/Quem quiser que sofra em meu lugar.” (O Primeiro Clarim, cantada por Dircinha Batista, dos compositores Rutinaldo e Klécius Caldas), porque quando o carnaval passa, de Chiquinha a Chiquitas bacanas, lá da Martinica, tudo e todos brilham porque o samba e o carnaval, como se tem no país tropical, é da pecha de invenção local e vem recheado de memórias. 

Em comemorações, se festejou o frevo, em seus 105 anos de invenção pernambucana mais emblemática. O Dia do Frevo, 09 de fevereiro, na festa do Recife “Orquestras, passistas e cortejos de grupos percussivos celebram o Dia do Frevo no Pátio de São Pedro, no centro da cidade, esquentando ainda mais o clima de Carnaval da capital pernambucana.” (portal Terra/09 de fevereiro de 2012. 15h52 atualizado às 22h06/acesso: 10.02.2012, às 11h45) 

A data remonta a 1907 quando houve a primeira referência ao nome do ritmo, em jornal do Recife. Os historiadores atribuem que o frevo ganhou forma na boca dos foliões a partir de uma brincadeira com a palavra “ferver”. 

Ao comemorar 100 anos, em 2007, foi considerado Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A dança característica desse ritmo quente leva o título de proteção cultural por mérito manifestado. Segundo historiadores, os passos surgem da união do estilo musical da capoeira, manifestação muito comum no período dos primeiros frevos. 

Já o Rio de Janeiro, a “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil (...)” (Cidade Maravilhosa: André Filho, 1934), completou 80 anos de samba na avenida, brincadeira que começou lá pelos idos da década de 1930. Comemora-se, neste 2012, o 80º. Aniversário do primeiro desfile de Carnaval, que surgiu em 1932.

“O primeiro desfile foi organizado pelo jornal ‘Mundo Sportivo` no dia 7 de fevereiro de 1932, domingo de Carnaval, e contou com 23 escolas de samba formadas por 100 dançarinos vestidos de terno ou com fantasias simples e recatadas, uma imagem muito diferente da exuberância e sensualidade atuais.” (Veja Celebridades/matéria de Manuel Pérez Bella, 08/02/2012 – 18:47/acesso: 09/02/2012, às 11h30)

O que era pequeno, mas manifestadamente popular, cresceu no olho do poder oficial e “'Nos anos 40 as autoridades se deram conta que os desfiles eram uma coisa bonita, da cultura popular, e foram permitindo sua realização. Até então eram marginalizados’ explicou Monarco” (Idem)

Monarco, da Velha Guarda da Portela, com seus bem vividos anos de passarela sabe bem do que fala. Seus 78 anos de idade e 65 de carnaval são memórias de um tempo de ouro.  Iniciou-se nessa festa em 1947. 

E, na década de 1940, quando começou seu histórico de folião, era também a época de ouro do rádio e o carnaval em samba e marchinhas já fazia história nos programas de auditório, através das grandes composições e vozes de rainhas e reis. Se Chiquinha Gonzaga já abrira alas em 1899, então o que o samba não fez a partir de 1930 para que as décadas seguintes fossem pura mina de ouro. 

O samba, o carnaval, o samba enredo, marchinhas, ranchos, entre outros, a identidade musical de pura nacionalidade em que os grandes mestres abriram a cornucópia da criação. Ainda em 1920, “Pé de Anjo”, de Sinhô, fez do seu sucesso ecos que reverberam nos salões até hoje. Na esteira da popularidade vieram “Ta-hi!” (Joubert de Carvalho, 1930), “O Teu cabelo não nega” (Lamartine Babo/Irmãos Valença, 1931).

As boas disputas musicais nos deram “Linda Morena” (Lamartine Babo, 1932), “Linda Lourinha” (Braguinha, 1933). Em 1934, pérolas como “Cidade Maravilhosa” (André Filho) e “Pastorinhas” (Noel Rosa/Braguinha) foram encanto e luz na boca do povo. Já em 1935, Lamartine Babo ataca de “Grau Dez”, em parceria com Ary Barroso e Noel Rosa e Heitor dos Prazeres vêm de “Pierrô apaixonado”.

Para 1936, o sucesso é embalado por “Balancê” (Braguinha/Alberto Ribeiro) e “Mamãe Eu Quero” (Jararaca/Vicente Paiva). Braguinha ganhou + gosto e no ano de 1937, com o parceiro Alberto Ribeiro, brindou o carnaval do samba com “Touradas em Madri” e “Yes, Nós Temos Banana”. Em 1938, “A Jardineira”, de Benedito Lacerda e Humberto Porto, perguntava sobre a tristeza da personagem acabrunhada. Mas a música melodramática, uma alegria do samba, convivia com outro sucesso, “Vaca Amarela”, de L. Babo e Carlos Netto.

“JouJoux e Balangandãs”, um bom humor de Lamartine Babo, dizia “Joujous, Joujoux? Que é meu balangandã?...” foi samba para 1939. “Allah-La-Ô”, de Haroldo Lobo e Nássara; “Aurora”, de Mário Lago e Roberto Roberti e “Iaiá Boneca”, de Ary Barroso, estão para 1940, como “Apaga a Vela”, de Braguinha e “Chik Chik Bum”, de Antônio Almeida, estão para 1941. 

Se carnaval tem hora, “Está chegando a hora”, de Rubens Campos e Henricão, contou o tempo de alegria em 1942, mas teve companhia de “Nós, os Carecas” de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti. 

A festa, entre saltos e pulos, foi de “Pirata da Perna de Pau”, de Braguinha, que está para 1946 assim como “Cordão dos Puxa-Sacos” de Roberto Martins e Frazão.  1947 trouxe a “A Mulata é a Tal”, de Braguinha e Antonio Almeida e “Coitadinho do Papai”, de H. de Almeida e M. Garcez. “Chiquita Bacana”, de 1949, traz novamente a dupla Braguinha e Alberto Ribeiro.

A década de 50 também se garantiu. “Se é pecado sambar” (João Santana); “Daqui eu não saio” (Paquito e Romeu Gentil); “Nega Maluca” (Fernando Lobo e Evaldo Ruy) e “Flor Tropical (Ary Barroso), foram de 1950. No sassarico dos salões, “Sassaricando”, de Luiz Antônio, Zé Mário e Oldemar Magalhães, ganhou 1951. Marlene gravou “Lata D’Água”, de Luis Antônio e Jota Jr, em 1952. “Marcha do Caracol”, de Peter Pan e Afonso Teixeira, também fechou esse ano.

 “Zé Marmita” (Brasinha/Luiz Antônio); “Cachaça” (Mirabeau Pinheiro/Lúcio de Castro/Heber Lobato) e “Saca-Rolha” (Zé da Zilda/Zilda do Zé/Waldir Machado) fizeram, em 1953, crítica humorada e alegria contagiante.

Ainda para essa década, peças inestimáveis como “Maria Escandalosa” (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti) e “Marcha do Tambor” (Jurandi Prates/Hianto de Almeida/Ewaldo Ruy) deram graça a 1954. Quem sabe, sempre sabe, então Jota Sandoval e Carvalhinho saíram com a perolada “Quem sabe, sabe” que, em 1955, juntou-se a “Tem Nego ‘Bebo’ Aí”, de Mirabeau Pinheiro e Ayrton Amorim.

A “Turma do Funil”, composta para o carnaval de 1956, de Mirabeau Pinheiro, M. de Oliveira e U. de Castro, dividiu brilho com “Vai com jeito”, de Braguinha. Para 1959, Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira brincaram com a moeda e o calor do carnaval em “Me dá um dinheiro aí”.

Carnaval também para índio veio com “Índio quer Apito”, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira que abriu o ano de 1960 e “A Maria Tá”, também de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, esteve lá. “Marcha do Cordão do Bola Preta”, de Nelson Barbosa e Vicente Paiva foi para 1962. 

1963 apresentou “Twist no Carnaval”, de Braguinha e Jota Jr.; os parceiros João Roberto Kelly e Roberto Faissal vieram de “Cabeleira do Zezé”; “Pó de Mico”, de Onildo Silva, Renato Araújo e Dora Lopes alertou o salão e Capiba compôs “Madeira que cupim não rói”. 

“Mulata iê iê iê”, de João Roberto Kelly veio para 1964 e em 1965 foi de composições como “Água na boca”, de Mendes, gravada pelo Bloco Cacique de Ramos, como também de “Na Onda do Berimbau”, de Osvaldo Nunes. A “Colombina iê iê iê”, de João Roberto Kelly e David Nasser alegrou 1966, assim como risos, palhaços e alegria em “Máscara Negra”, de Zé Keti e Pereira Mattos.

Também de amor vive a alegria e “Amor de Carnaval”, de Zé Kéti, salvou 1968. As bandeiras da alegria carnavalescas trouxeram “Bandeira Branca”, de Max Nunes e Laércio Alves e também “Marcha do Remador”, de Antonio Almeida, para o ano de 1969. 

Música e alegria são temas de folia e diversão, logo muitos sucessos ganharam força ano a ano e viraram “hit”, como “Chuva Suor e Cerveja”, Caetano Veloso, 1971. Também da Velha Guarda, para 1971, “Bloco da Solidão”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim.

“Tem capoeira aí”, de Batista da Mangueira, esteve na vida de 1973 e “Boi da Cara Preta”, de Zuzuca, brindou memórias infantis em 1974. Caetano Veloso criou a “A Filha da Chiquita Bacana” para 1975. 

Outras raridades do carnaval ganharam memória, como “Tomara que chova”, de Paquito e Romeu Gentil; “Roubaram a Mulher do Ruy”, de José Messias; “Maria Sapatão”, de Chacrinha, Roberto, Don Carlos e Leleco; “Marcha da Cueca”, de Carlos Mendes, Livardo Alves e Sardinho; “Tristeza”, de Haroldo Lobo e Niltinho e também “Até Amanhã”, de Noel Rosa, o poeta do Morro.

Memórias dos dias de 20, 30 e muitos anos outros que preencheram os salões e alegorias, à produção, em série, a uma das maiores expressões artísticas nacionais. Porque este é o “País Tropical” (Jorge Bem Jor) e, hoje e sempre, ainda é samba.

Deixa o carnaval passar... porque se lá atrás havia gênios do samba, nesses dias de novos hits salvam-se os bambas que fizeram memórias de outros carnavais.]
 
(confetes mascarados/imagem reprodução)

Causa orgulho deter, em memória e história musical brasileira, tantos risos e tantas alegrias às vozes sociais de melodias, canções que o tempo resguardou até que escafandristas (lembrando Chico Buarque, autor de grandes sambas) venham curiar o próprio espólio cultural da MPB.

Esse é o país do samba, do carnaval, da fantasia, da alegria, dos morros mal vestidos, das balas perdidas, “que depois do meio dia, nem polícia e nem ladrão” (Gonzaguinha), do discurso de fé de que vai passar o tempo ruim que pipoca nos noticiários, com ou sem filtro, ou sempre com filtro da informação.

E, para manter a alegria, que brasileiro é de luas, sois e verões, apto aos dias de carnaval e fantasia, porque não é de ferro, é que, por isso e apesar disso, “vai passar nessa avenida o samba popular” (C. Buarque)

Àqueles que não perdem o cordão da alegria, seguram a onda e, ao próprio bem, não tiram ele (o Carnaval) da cabeça, merecem a menina moça/menino contente que qualquer um tem, parafraseando o velho Chico, em seu caudaloso curso de músicas do alegrado brasileiro, é que se faz o Brasil de brasis e de carnavais que purgam a alma nacional de natureza foliã.

“Deixa o carnaval passar...”, isso é de Saudades e Memória do Carnaval brasis, é coisa nossa. E, como diz o Noel, em bom refrão "O samba, a prontidão/E outras bossas,/São nossas coisas,/São coisas nossas!" (São Coisas Nossas/ Noel Rosa)

Fonte: veja.com
        terra.com
www.samba-choro.com. (letras de marchinhas de carnaval... por Paulo Eduardo Neves)
http://letras.mus.br