quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Loucura branco azulejada


 Loucura branco azulejada
por maneco nascimento

As mulheres devem ser educadas para agradar os homens e ser mães. Devem ser educadas na reclusão sexual e castidade que legitimam a paternidade (...) elas são desejosas de agradar, modestas, tolerantes da injustiça, ardilosas, vãs, e artísticas em grau menor. Na família, os homens devem governar essas frívolas criaturas.” (trecho de Émile, de Rosseau IN NYE, 1995, p.20 IN Albuquerque, Marleide Lins [org.]. Identidades e Diversidade Cultural – Coletânea. Teresina: Avant Garde, 2011. 292 p.)

Aberta a temporada de teatro para todas as tribos, na noite do dia 06 de novembro de 2012, às 19 horas, no palco do Theatro 4 de Setembro, com o XIX Festival Nacional de Monólogos “Ana Maria Rêgo” – Ano Adalmir Miranda. Nesse certame 2012 concorrem, aos prêmios do Festival, os estados do Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

(Cena de espetáculo concorrente do FestMonólogos "Ana Maria Rêgo" 2012/foto: divulgação)

Após a abertura solene que reuniu coordenação do evento, gerência de promoção cultural, superintendência e presidência da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e público interessado, foi dada a largada à hora e a vez da magia do teatro mostrar suas cartas. A primeira peça da noite veio do Ceará. “Azulejo Branco”, interpretado e dirigido por Gabriel Matos. 

Do release do espetáculo, a enredo da peça que discute gênero, obtém-se que “Ela muda-se frequentemente de casa por vontade do marido e perde-se em meio a tantas caixas de mudanças que parecem fazer parte de si. Seu cotidiano é o de uma dona de casa e está repleto de lembranças da sua finada mãe e de ordens do seu marido. Só às cinco da manhã, ela consegue ser feliz e plena ao observar o azulejo branco do banheiro.”

Da Cenografia apresentada, caixas de papelão brancas, um banco (cadeira) com pernas em “x” e tecidos também brancos, relegados ao fundo do mapa dramático. A dramaturgia de cena é apresentada para palco intimista, com público fechando a “boca” do palco italiano. Cadeiras dispostas, em abertura de semi-arena, com platéia voltada à cena e fundo do palco.

A Iluminação marcada para flagrantes fotográficos e mudanças de cena e nuances da personagem Ela. Em 42 minutos de atuação, Gabriel Matos andeja por conflitos, medos, memórias afetivas familiares, culpas, impotência e “loucura” espelhada na amizade com o azulejo branco do banheiro. Uma luminária que pende do teto e é desafinada pela personagem, suaviza e obscurece, planejadamente, a face da mulher conspirada e, talvez, replique cena de coerção e violência de exceção.

A Dramaturgia construída pelo próprio Gabriel estigmatiza perfil de mulher presa aos preceitos de vida mal escolhida. A forja da personagem se estabelece por paradigma do frágil híbrido dos movimentos marcados, articulados coreograficamente para automatismo, forma de limites a que se fez, ou é feita prisioneira. Máscaras que permeiam pelo grave medido, tenso acadêmico e suaves inflexões em contraponto ao peso do cárcere social e doméstico do drama estabelecido.

No ir e vir ao mesmo ponto dramático, a personagem arrisca qualquer interação com objetos cenográficos de ilustração de sua “loucura”. Caixas de guardados e mudanças, caixinha de música, entre outros objetos quase obsoletos na contação da história. O Figurino da personagem, uma malha base, preta, e um vestido doméstico (robe) que o ator veste ao início do enredo e que o retira ao final, para transformar no ilustrativo do azulejo, como extensão do braço da mulher. Todo mundo possui o seu (azulejo), vaticina a personagem.

Sem parecer querer dar ao público personagem dramática, fazendo as vezes de distanciamento da construção do sujeito expiado, reforça a dramaturgia encenada para um drama de épico “falseado”, às luzes brechtniana. Não que não haja proposta, parece escolha pensada. Um neutro dramático para facetas experimentais.

Os gestos medidos, desdenhosamente congelados e ou impactados a novos focos, têm tônus e força expressiva. O olho e a frialdade das interfaces da persona, as marcas de ocupação espacial em contados coreográficos, tudo faz crer que aponta cartografia de experimentação a novo viés, sem perder as malhas aristotélicas do teatro original.

Nalgum momento, os conflitos de Ela andejam por perspectivas claricelispectinianas (A Paixão segundo G.H) ou coisificação do cotidiano vago, noutras vias parecem talvez identificação do ator em intrínseca sintonia com a personagem buscada, em referências que ganhem particularidades da construção do ator à narradora.

Azulejo Branco”, com Gabriel Matos, um místico de paixão pela busca de uma pesquisa (im) pessoal e um exercício de ator que assente em corpo e alma de mulher, pulsada a coração e sangue do gênero masculino que a idealiza. 

Texto claro, boas inflexões e intenções em franco acolhimento das escolhas do ator à personagem. Corpo centrado em economia premeditada ao “kitsch” midiático e um sopro do teatro que se reinventa no Ceará, para palcos do Brasil e memória coletiva da construção da cena nacional.

XIX Festival de Monólogos


 Hoje abro uma boa margem para publicar um amigo e colega de cena que reflete sobre recepção de teatro.
(FestMonólogos Ana Maria Rêgo 2012/foto: divulgação)

 "SE TER O PODER É SER O DETENTOR DO SABER?

Chego do 19º Festival de Monólogos - Ana Maria Rêgo (Ano Adalmir Miranda). Parabéns à organização, coordenação pela persistência na realização de mais uma edição, desse, que é de suma importância para nosso estado, que nos coloca no circuito da arte do teatro como indispensável para os artistas do país. Parabéns também pela homenagem ao ator/diretor Adalmir Miranda, que nos brindará com um belíssimo trabalho ao final deste Festival. 

Hoje estou numa posição não menos privilegiada que a de espectador... Estou como espectador/artista e jurado. O que me dá um enorme prazer de poder/ter que olhar de forma menos irresponsável para os trabalhos apresentados, sabendo que o compromisso de julgar vai além de mera crítica, ou entalhe procurando dar formas aos propósitos trazidos. 

Propostas de linguagem, de atuação, de leitura... De como se vê o que se está olhando é importantíssima para mim, espectador, diretor, ator, amante, julgador, observador... É a partir daí que tenho possibilidades de saber como o outro se desenvolve na multiplicidade de entendimento do indivíduo que está sujeito a mudanças, estagnações, reformulações conceituais, literais, metodológicas. 

A pontuação dada por esse personagem (jurado) se se isenta, ligeiramente se distancia de suas escolhas enquanto artista, participa desse pleito com mérito ético, reformula, revoga, referenda, ou refuta o que foi oferecido. 

Ter que fazer um trabalho de teatro, até finalizá-lo, se conseguir, é saber que esse será consequência de escolhas, às vezes abrimos mão de umas, por vezes fazemos posse de outras, mas que nunca se leva ao palco aquilo que não foi por si, por vezes angustiosamente, conflituosamente, eleito e que virá a ser a própria escolha. 

O que vem a contrapor com o propósito de um debate pós-espetáculo: artistas esmeram-se em falar do que os emocionam, alguns, do que os incomodam, função que se repetirá com toda certeza nos bastidores em todo o festival, tapinhas nas costas, apertos de mãos, abraços parabenizando pelo esforço, agradecendo pelo que lhe foi dado, a chance de olhar melhor para o mundo. 

E o artista, que apresentou o proposto sente-se como se aproximasse mais de sua meta naquele trabalho. O Júri, que deve entender o que viu, buscar, naquela oportunidade de confronto ideológico, investigar o que levou o julgado a optar por aquelas escolhas, muitas vezes, se coloca como “advogado do diabo”... 

Não qualquer diabo, mas o que não faz teatro... Pois o fazedor de teatro, se assemelha a alguém menos puritano, menos sacralizador, mais irreverente e disposto a consequências menos previsíveis e mais aproveitadas... E ele, o júri inicia, nesse debate, a discussão do espetáculo que ele faria, e não do espetáculo que foi mostrado...Ai pronto... Já viu... Todo mundo começa a seguir o líder e a declarar que na verdade, naquele momento em que se fez assim, seria bom que assado se fizesse. 

Ora, se é para julgar o meu espetáculo, teria inscrito um.
Que HORROR ter que ouvir com PAVOR um júri grosso, mal educado que, o que tem a oferecer-me são ferrenhas críticas ao que eu, depois de atravessar meus infernos, tive que escolher para expor. Será que isso leva o artista a algum lugar de melhora laboral? ... SUBIR NA SANDÁLIA DE PRATA E VIR PRO SAMBA SAMBAR... Só porque minha posição temporária de JURADO me possibilita isso?

Cômodo... Recolho-me a insignificância dos que se querem aprendizes. Vi, ou se quiser por disputa da ocasião, olhei também. Diz a filosofia mais antiga que a uma diferença entre ver e olhar, observar, contemplar, admirar, mirar... Ouvi, vi, vivi, estava lá presente, ao deleite de ser júri e poder escolher quais das escolhas me foram melhor apresentadas, não quais escolhas de linguagem devem os carpinteiros, que cabem a eles talharem seus trabalhos. 

Aprendi que o teatro forma primeiro a pessoa para depois formar o profissional, se nele nos ensinam desde os antigos a arte de sermos humildes, sermos generosos. Por que Santos-e-divinos-deuses-do-teatro não haveremos de sê-los fora dele?

Essa é a 18º edição do Festival que acompanho, desde menino. Que maravilhado estou por saber que o mesmo se encontra em fase adulta, e responsável por si."

Luciano Brandão, ator, diretor de teatro e estudante de Psicologia

terça-feira, 6 de novembro de 2012

XIX Salão de Artes Plásticas


 19º. Salão de Artes Plásticas
por maneco nascimento

No ano em que a Casa da Cultura de Teresina – CCT completou 18 anos (12 de agosto de 2012), também recebe nesse início de novembro corrente a 19ª. Edição do Salão de Artes Plásticas de Teresina. 18 anos de vida da Casa, 19 anos de Salão de Artes Plásticas e 17 obras expostas nesta Edição 2012.

Sob a coordenação de Gabriel Archanjo e equipe de avaliação e julgamento de trabalhos inscritos, composta por Tupy, Zozilena Fróes e Cícero Manoel, o 19º. Salão de Artes Plásticas de Teresina deu uma encolhida. Só dezessete obras passaram pelo crivo da comissão julgadora do Salão.

Em exposição na Galeria “Lucílio Albuquerque”, segundo pavimento da CCT, os trabalhos têm amparo nas linguagens de desenho, gravuras, pintura e escultura (instalação) e nunca tiveram tanto espaço para se auto-promover em área tão extensa e tão pouca produção pictórica reconhecida, pela comissão, como de acesso ao Salão.

O 2º. Lugar em Pintura ficou com o artista Evaldo Santos Oliveira que apresentou a sérieContorção I e II. A premiada foi “Contorção I” numa perspectiva de anatomia em distorção/contorção/desumanização e coisificação exterior do impressionismo expiado. O sexo feminino aparente, em vermelho fogo. Já a segunda obra “Contorção II”, mesmo expressionismo anatômico da primeira peça. Sexo quente em expiação através do contorcionismo frente/costas do corpo de mulher.

Avelar Amorim traz em pintura, a peça “Despertar da Saúde”. Cena de hospital, saídas e entradas. Coletivo em esperas, talvez uma alusão a serviço público de saúde com o ir e vir de vidas. No limiar do (in) consciente, talvez linhas e traços pictóricos com conotação de “coitos”.Marcos Pires, na linguagem de desenho, arrisca em “Dormindo de Banda”. Ensaio de anatomia humana, em nu, no ambiente de quarto.

Joniel Santos também lança duas propostas, em desenho. “Errante das Areias do Tempo”, caos e expectativa de vida, entre o bem e o mal. Personagem “demoníaca” em mundo pós-tudo. Lixo, sujeira de engrenagens do progresso industrial. Ser enraizado das flores e trepadeiras no resquício de floresta desmatada. A outra obra, sem título, um abutre pós-caos. Memórias de tecnologias reapropriadas. Guerreiro do caos em mundo sem árvores.Detalhismos de traço e imagens afetivas contrapostas da beleza e sobrevida.

A instalação, dada pela curadoria do Salão como escultura, obra de Regis Ricardo, vem em motivos I e II. Escultura “Reflexos” (I), lâmina de espelho quadrado, recostada na parede e um caminho de pedras, de fogo, brancas que penetra reflexo adentro. Escultura “Reflexos” (II), lâmina de espelho quadrado, recostada em um dos vértices do canto da parede. Círculo de pedras, de fogo, brancas desenha uma circunferência que se completa espelho adentro.

João Valdênio cisma linguagem para desenho e gravuras. A série “Sem Título I, II e III”. O 1º. Lugar para Gravuras ficou com “Sem Título I”, traços circulares com preenchimento em “arbustos” no entremeio de formas “femininas”. Sugestão de recepção: “peitos” fartos, “bundas”, “tronco de mulher”, “nuvens”, “luas” em escala, “céu” coroado de sensual. “Sem Título II”, detalhismos de formas, na lâmina de metal, riscos expressivos no domínio da tela a (in) conscientes traços entre o caos e a virtuose criadora. “Sem Título III”, minimalismo expressivo, na lâmina de metal. Miniformas em caótico universo criativo.

Guimarães Junior também traz sua série sensual ao desenho. Em “Nossa Senhora dos Ninfomaníacos”, cubismos e geometrimos e extremos a olhos de “gabes” e de “pirâmide” ancestral. Ícones sadomasô, macho e fêmea no frenesi da libido entre o seu e o sexo da “deusa” sadô. Reflexão ao “ingênuo” e prematuro desejo idealizado.

Já em “Touro/Colibris”, Guimarães levou o 1º. Lugar para a categoria desenho. O imagético de uma toureira em domínio do animal belo e viril. O bicho entregue ao afã do sexo feminino, dominador da “fera”. Detalhe do traço em nanquim do negro ao vermelho do sangue e areia. Sob o véu da toureira nua, “vestida” para matar, colibris enlevados pela cor sangue colhem o néctar. As armas de Joana, a toureira, luvas longas de renda negra e meias cinta liga. Bichos enlevados pelo poético de domínio sensual.

Valdeci Freitas, em sua série estilingue reproduz a arte do grafite, na linguagem pintura. “Estilingada”, arte da rua – grafite e expressionismo das cores quentes e juvenis. O estilingue social das periferias. “Estilingue Vermelho”, entre heróis e “cowboys”, rappel das grafitagens em desafio da gravidade e convenção. “Caçador de Estilingue”, o mesmo herói da temática em série. Operários do grafite definem a identidade pictórica ao caçador e seu estilingue.

Pâmela Reis com a série, legendada, “Universo Feminino I, II e III” levou o 2º. Lugar da categoria desenho. Universo Feminino I - “No Princípio veio a Insônia”, um baton em descanso, aberto. Pós uso do desejo insistido. Universo Feminino II – “Depois, as unhas vermelhas de puta”, esmalte vermelho em descanso, “da caça (busca)” à entrega. Universo Feminino III – “E o rímel, o frasco, a gosma, o gozo, o sono”. Rímel aberto após uso, sugestão da atividade tira e põe, beleza e hidratação dos supercílios ao relaxamento dos instrumentos.

O último artista exposto, Germano Munganga, impôs obras em pintura e desenho. Em pintura, “Traçando”, cena de sexo do (in) consciente ao reflexo das tintas e traços. “Cabeça”, “tronco” e “membros” clamam, no estertor do prazer e fantasias e interditos. Coitos e masturbação, sexo suplicante e replicante de fantasias a falos, olhos de gabes e atos feláticos que se confluem.

Germano também apresenta, em desenho, “Comendo Maçã”, variação sobre o mesmo tema. No universo de bichos e gentes e sexo e genitálias e entradas e saídas e corpos e mentes e membros. E sóis e luas insones, presos ao prazer. Falopismos expressivos, monstros e “pesadelos” do desejo.


(Casa da Cultura de Teresina - CCT, sede do Salão de Artes Plásticas/foto: divulgação)

19º. Salão de Artes Plásticas, para todo esse mês de novembro até 5 de dezembro, na Casa da Cultura, solar amarelo do Barão de Gurgueia, na Praça Saraiva. O que se está produzindo na cidade em dias de tintas magras e pincéis oblíquos. Mas é o nosso Salão, “doelha a quem doelha!”

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

05 de novembro: Cultura!


 
05 de novembro: Cultura!
por maneco nascimento

O dia 05 de novembro é instituído Dia da Cultura no Brasil. O Dia Nacional da Cultura é também e, especialmente, data comemorativa de nascimento do jurista, político, escritor e diplomata Rui Barbosa (1849-1923). A data comemorativa ao Dia da Cultura foi criada em 15 de maio de 1970, pela Lei No. 5.579.


(Teatro de Arena/foto: guiadeteresina.com)

E é nessa segunda feira, de novembro de 2012, dia 05 até às 24 horas, que o país festeja o Dia Nacional da Cultura. Em Teresina, também se comemora os 47 anos de inauguração do Teatro de Arena. De construção em estilo romano, o + tradicional teatro ao ar livre de Teresina está plantado na Praça Marechal Deodoro da Fonseca, conhecida como Praça da Bandeira, no centro furioso da cidade verde.
Teatro de Arena/foto: www.panoramica.com)

Sua infraestrutura está apta a receber espetáculos cênicos, musicais, festivais, encontros comunitários, políticos e festas populares. Protegido pelo parque natural de árvores frondosas em seu entorno, o Teatro de Arena, dotado de camarins e equipamentos cênicos básicos, é sede tradicional do Festival de Violeiros do Norte-Nordeste, o Projeto Enquanto o Ônibus Não Vem e o nosso Festival da Chapada do Corisco – Chapadão.

A Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves planejou, para esse Dia da Cultura, atividades naquela Casa aberta de espetáculos a partira das 8 da matina. A abertura, em saudação ao(s) aniversariante(s), foi com a Banda 16 de Agosto, seguida pelo Balé da Cidade de Teresina e pela Cia. de Dança Cynthia Layana, do Teatro do Boi – Matadouro. Fechou a cerimônia de festejos a 16 de Agosto, mantida pela PMT, através da FMC. 

Aos 47 anos, já na meia idade, o Teatro de Arena foi inaugurado no dia 05 de novembro de 1965 e, desde então, tem sido palco de memoráveis atrações culturais e artísticas que o mantêm vivo e atuante, como espaço de cultura. Seu nome tem atribuição aos antigos teatros a céu aberto.

"Teatro, do grego θέατρον (théatron), é uma forma de arte em que um ator ou conjunto de atores, interpreta uma história ou atividades para o público em um determinado lugar. Com o auxílio de dramaturgos ou de situações improvisadas, de diretores e técnicos, o espetáculo tem como objetivo apresentar uma situação e despertar sentimentos no público. Também denomina-se teatro o local apropriado para esta forma de arte." (www.wkipedia.com.br, 05/11/2012, às 14h40m)

(antigo Teatro de Delfos (Grécia)/foto: wikipedia com.br)


De influência do estilo romano, o Teatro de Arena, também traz proximidade histórica e de memória arquitetônica com os primeiros espaços cênicos da antiguidade clássica, haja vista Roma ter ido beber na fonte político-cultural grega. 

Espaço cênico grego - Os teatros são construídos em áreas de terra batida, com degraus em semicírculo para abrigar a platéia. A área da platéia é chamada de teatron e o conjunto de edificações recebe o nome de odeion. O palco é de tábuas, sobre uma armação de alvenaria, e o cenário é fixo, com três portas: a do palácio, no centro; a que leva à cidade, à direita; e a que vai para o campo, à esquerda. Essa estrutura de palco permanecerá até o fim da Renascença. Na fase áurea, teatros, como o de Epidauro, perto de Atenas, já são de pedra e situam-se em locais elevados, próximos aos santuários em honra a Dionísio.” (Teatro na Antiguidade [GréciaAntiga]/www.portalsaofrancisco.com.br)




(Epidaurus Theater, na antiga cidade grega de Epidauro(360-350 AC)/foto: wikipedia.com.br)


O nosso Teatro de Arena, aos seus 47 anos de vida cultural, teve uma manhã muito produtiva, artística e culturalmente e, como estão pipocando ações culturais Brasil afora, hoje ainda houve um café da manhã, oferecido aos artistas da cidade, na Biblioteca Estadual Cromwell de Carvalho (Praça do Fripisa), numa promoção da Fundação Cultural do Piauí – Fundac, partir das 9 horas da manhã.


(dia de ação cultural no Teatro de Arena/foto: divulgação)

Dia da Cultura, Dia do Teatro de Arena e de Rui Barbosa e Dia de festejarmos o que nos faz manter acesa a chama da arte e do espírito humano em melhor ação de identidade e pertencimento, a cultura nacional para Teatros, Arenas, Circos, ruas e logradouros + que recebem o artista e sua manifestação.

sábado, 3 de novembro de 2012

Arte e mamas


 Arte e mamas
por maneco nascimento

Reunir obras de artistas plásticos do Piauí que, em algum momento de sua trajetória, realizaram a linguagem da escultura, com a temática das mamas foi o primeiro ponto da “Exposição de Esculturas em Mamas” que ficou na Casa da Cultura de Teresina, no período de 17 a 30 de outubro de 2012. Valorizar a campanha do “Outubro Rosa 2012 Participe! Colabore!” (17 a 20.10.2012), o ponto fundamental. 
                                                  (imagem: femama.org.br)


A Casa da Cultura de Teresina – CCT, em parceria com a Fundação Maria José Carvalho e o mastologista Luiz Ayrton, que cedeu seu acervo de esculturas à exposição,+ o apoio doSESC – Piauí movimentaram o mês de alerta em combate ao câncer de mama ao apresentar peças de temática à mama feminina. A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – Femama, também acompanhou a boa ideia.

Os artistas Carlos Martins; Fátima Campos; Josafá; Jefferson; Demócrito; Luciano; “Piauiense em Bali”; CHM; João Borges; Mestre Expedito; Reginaldo; Costinha; Araújo; Dim; entre outras obras (artesanato em madeira) sem identificação do autor, cada um a seu talho, ou traço em argila apontaram assinatura a uma das + sensíveis e necessárias partes do corpo feminino, à sobrevivência da espécie, os peitos. 

Segundo o INCA, Instituto Nacional do Câncer, esta forma de câncer é o segundo tipo + freqüente no mundo.

(...) o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61% (...)” (www2.inca.gov.br)

O Brasil, no intuito de diminuir essas taxas tão perigosas e recorrentes da doença, vem incrementando, ao longo dos anos, a Campanha Outubro Rosa nacional, em seguimento à onda mundial, para alertar a comunidade acerca dos cuidados de prevenção contra o câncer. 

                                                 (imagem: totalvia.com.br)

Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Estatísticas indicam aumento de sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes (...)” (Idem)

Todo cuidado e vigilância nunca representam excesso quando o cuidado é também com a saúde da mama. Consultas regulares ao médico mastologista, auto-exame das mamas e alerta para qualquer sinal incomum nos seios, sempre serão o melhor remédio de prevenção. 

Estimativa de novos casos: 52.680 (2012)
Número de mortes: 12.852, sendo 147 homens e 12.705 mulheres (2010)
Atenção: As informações neste portal pretendem apoiar e não substituir a consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança
.” (Idem)

A Casa da Cultura de Teresina e seus parceiros abriram o peito à Campanha de Prevenção ao Câncer de mama e, em participação cidadã e artística, contribuíram com a conscientização local através da “Exposição de Esculturas em Mamas” que rendeu um bom motivo para espiar belas peças em escultura e refletir sobre esse movimento mundial de proteção às nossas mulheres, amigas do peito. 

O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades (...) A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então promovida anualmente na cidade (www.komen.org).” (www.amucc.com.br)


 (imagem: eideias.nu)

Segue a vida novembros adentro, ainda com estatísticas assustadoras e, seguem nessa brava luta, todos os dias e em todas as horas, os profissionais da saúde, entidades heroínas da resistência e a comunidade alerta, porque a ameaça da doença não relaxa e a mulher brasileira precisa viver + e bem. 

Nossas mulheres precisam ser também + amigas do próprio peito e juntos combatamos pra gente ver a doença encolher.

Tarsila para crianças


 Tarsila para crianças
por maneco nascimento

A Cia. Druw, de São Paulo, gracejou teatro e dança nova no palco do Theatro 4 de Setembro, dia 01 de novembro de 2012, às 15h30m, para encanto de crianças e adultos também, o "Vila Tarsila". No programa impresso, a recomendação de gênero dança, classificação etária a adolescentes e crianças acima de 5 anos. Duração 60 minutos. Os + curtos 60 minutos em tão delicioso ato transversal pictórico.

                                                              (Abaporu, 1928)


Na sinopse, “Com um roteiro que valoriza o lúdico, Vila Tarsila joga luzes nas memórias de infância de Tarsila do Amaral. Miriam Druwe em parceria com Cristiane Paoli Quito transportam o espectador ao mundo antropofágico da artista, (...) sua obra nasceu de experiências visuais nas inúmeras viagens realizadas e das brincadeiras que recheavam as tardes na fazenda onde a pintora vivia em Capivari, interior de São Paulo (...)


Com Direção Geral e Artística e Texto de Miriam Druwe, Concepção e Criação de M. Druwe e Cristiane Paoli Quito e Roteiro e Direção Cênica de Cristiane Paoli Quito, “Vila Tarsila” devora o espectador do início ao fim, sem deixar sobras para outro tema que não seja Tarsila, em suas memórias reinventadas à cena.

Dramaturgia didática e informativa com o recurso do lúdico e da fantasia da estética teatral, a montagem reverbera arte, cultura, memória, história e o humor peculiar não só das encenadoras e intérprete que releem a artista, mas das temáticas livres, antropofágicas, de frente ao Brasil, construídas a partir da Semana de 22.

                                           (Operários, 1933)

Das influências cubistas para + tarde se apropriar, naturalmente, da estética de brasilidade das cores e cotidiano brasileiro, seja rural ou urbano, Tarsila do Amaral (1886-1973), componente do Grupo dos Cinco, ao lado de Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti del Picchia, inspirou com “Abaporu”, de 1928, o Movimento Antropofágico lançado por Oswald de Andrade e Raul Bopp.


                                                  (Tarsila do Amaral/foto: divulgação)


Da estética rica e encantadora de Tarsila é que a Cia. Druw, com seu Vila Tarsila”, recheou de inteligente resposta e virtuose cênica a montagem de dança e teatro vista no palco do 4 de Setembro. Das memórias de viagens em cais do porto e estações de trem, brincadeiras infantis e lembranças da fazenda é que se vê ilustrada a cena viva ao enlevo do público.

A Iluminação, desenhada por Marisa Bentivegna, operada por Marcel Gilber, uma pintura, em tela, à parte. O transversal das linguagens vai se acomodando sem que qualquer uma sobreponha a outra. O uso das tecnologias, Videocenário, Felipe Sztutman, que operacionaliza obras da artista, mimetiza o coletivo de dança que ilustra momentos pictóricos.

O Cenário e o Figurino, de Marco Lima, casam com todo o + da proposta para memórias de épocas e contextos de comportamento vivenciados. A Trilha Sonora, de Natália Mallo, infiltra-se como segunda pele mimética. Os Adereços e Bonecos, da FCR produções artísticas, completam as tintas, paletas e pincéis de “Vila Tarsila”. A voz de Luciana Paes cose os enredos apresentados acuidadamente.

O coletivo de dança, muito à vontade, transpõe à cena com qualificável alegria e vigor artístico a obra da artista dos pincéis e o laboratório cênico prospectado, sem deixar dúvidas da excelência do objeto estudado. Adriana Guidotte, Anderson Gouveia, Bruna Petito, Elizandro Carneiro, Luciana Paes, Miriam Druwe, Tatiana Guimarães e Weidy Barbosa, graça e encanto de obra revelada no labor de intérpretes.

Não há como não ser transportado para mundo mágico visto em cena. O cais, a estação de trem, as brincadeiras infantis, o(a)s banhistas, a provocação do boi, a tela “Abaporu” ganhando vida, os bichos da fazenda dialogando na memória infantil da artista e o diálogo com “Abaporu”, todo um recurso perspicaz pelo lúdico e fantástico de envolver, aproximar Tarsila do público infantil. Bingo!

Homenagens a Carmem Miranda, com “Disseram que eu voltei americanizada”, de Luiz Peixoto e Vicente Paiva e “O trenzinho do Caipira”, parte integrante da peça Bachianas Brasileiras No. 02, de Heitor Villa Lobos, também ilustram a didática à memória musical brasileira. Ficam ainda dentro do transdiscurso de “combate” ao “Manifesto Paranóia ou Mistificação” (Monteiro Lobato), ou de confirmação da memória rural no rincão brasis.

“Antropofagia” (1929); “Sol Poente” (1929), “Estação Central do Brasil” (1924); “Paisagem com touro” (1925); “A Lua” (1924); “São Paulo” (1924); “Operários” (1933); “Palmeiras” (1925), “Morro da Favela” (1924); “Abaporu” (1928), entre outras, enriquecem a sensível leitura trazida à cena em “Vila Tarsila”.

(Cartão Postal, 1928) 


Facilitado aos palcos de Teresina, através do Projeto Palco Giratório 2012 – Rede Sesc de Intercâmbio e Difusão das Artes Cênicas, o espetáculo “Vila Tarsila” deixou um gostinho de quero mais. A bailarina e coreógrafa Miriam Druwe, na busca de ampliar formas e contextos na dança, está no passo certo.

A Cia. Druw que o diga, em dança.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Registro Pictórico – Saliências


 Registro Pictórico – Saliências
por maneco nascimento

A Casa da Cultura de Teresina – CCT acolheu, durante o mês de outubro - de 08 a 31/2012 - a Exposição “Saliências II Objeto em Missão”, com curadoria de Avelar Amorim. 13 trabalhos expostos no diverso da apresentação e foco específico de saliência, temática particularizada ao sensual e sexual.

Entre as obras, a primeira instalação “Isso é apenas um pilão, caralho!!”. Peça doméstica da cultura popular, um pilão, em matizes do branco (base) ao róseo que se avoluma ao vermelho suavizado na ponta da “mão” dentro da “boca” do pilão. Socando no pilão, a “cabeça” em vermelho, concentração de sangue do esforço de pilar (pisar).

Rogério Albino, em uma de suas obras (esculturas) apresentadas, mulher em pelos, sentada, braços cruzados sobre os joelhos, contempla o céu de nosso Senhor, para sonhos, fantasias, desejos e desilusões. O corpo feminino, oco, em ecos vazados por ventosas em toda a extremidade dos membros.

Jackson Cristiano, aposta na saliência de uma mulher nua (Vênus de Milo) escanchada sobre um falo, metamorfo de águia com patas de leão. Escultura que abre recepção para quem antropofaja quem. Sexo montado no dorso do “Grifo” de acepção grega, a grifo do receptor ou do artista. Sexo transfantástico.

Gabriel Archanjo relê a deusa Gaia, Géia, Gea ou Gê, deusa da Terra, a Mãe Terra, como um protótipo da Terra. No topo de Gaia, uma grande vagina, em pelos, exposta ao céu. Escultura em barro cru, nomeada “Gaya”. Rogério Albino também conota o acasalamento da Cobra Rainha. Najas no coito, sensual, sexo explícito, natural e delicado. Escultura em cerâmica esmaltada, um desmanche semântico de dominação e dominado no prazer.

Ainda de Rogério, escultura em barro, a La Botero. A mulher posa à fotografia, é na tela de cinema sensual. Genivaldo Costa, numa ousadia criativa cria escultura em tamanho natural, homem-mulher, perfeição anatômica ao estético apresentado. Metamorfo, homem e mulher se completam pela cabeça e tronco, ou melhor, só tronco e membros. Corpos se bifurcam, se auto-devoram, costa a costa e, nas extremidades pélvicas, o sexo explicitamente vivo, pulsante. Um coito “em pé”, antropofágico e siamês.

Áureo Nunes, demonstra em escultura uma imagem de o corpo (meu sexo). Cabeça e corpo/glande e músculo do prazer. Meus “membros” superiores e inferiores, fartos peitos e vagina com clítores aparente. Sugestão de recepção, felação do homem para a mulher – relação possível do eu à outra, da outra ao eu.

Hostyano Machado propõe uma escultura/instalação. Tema, “Espaço para gozação”. Discurso: “espaço sagrado contribua com 10% espaço sagrado divida o que é seu com todos”. Uma pira que ardeu, derramado por sobre toda a extremidade do obelisco o “sangue” glicerinado, em forma de cachoeira do topo à base da “vela” ardente. No topo do “cabo da boa esperança” uma chama ainda quente, em vermelho, ilustra o olho do esfíncter.

Uma das peças + bem humoradas, essa do Hostyano, No topo da “Vela”, o pavio – uma pequena chama, em vermelho, por onde se obrou despejos das cascatas extraordinariamente de natureza escultural, estalactites do prazer. Valdeci Freitas e sua obra “Na roda, na vida”. Instalação, mini-esculturas de vaginas, servidas em bandejas de prata (CDs). Diversidade do objeto do prazer da mulher, ou do parceiro (a).

Avelar Amorim incorre, em criativa ousadia, com “Roloscópio”. Alusão caleidoscópica para instintos e priapismos. No interior do caleidoscópio, o vazio e a geometria dos espelhos e montagens de fita em preto na costura do vidro. No exterior do instrumento, instalação, figuras (fotografias) do sexo dos homens. Técnica mista, pintura e imagens em fotos do diverso de falos, cores quentes. Para signos e siglas, nas tintas e flagrantes, o excitado prazer falópico.

Beto Cavalcante assina em texto, “Ardência fruída/planta em movimento/que trepa em movimento/já no tempo/colando o grito nos pulmões da tarde/E todo o corpo é esse/movimento/que trepa e/funde fundindos/colando o grito nos pulmões da tarde/que a febre forma/engrossa/e vai cedendo a pouco e pouco/nos dedos/na palma”. Escultura mulher nua, em decúbito dorsal, em ato de masturbação, onanismo singular.

E, como última peça, de Hostyano Machado, uma instalação. Um tronco de mulher, sem membros. Dorso sobre o tapete, na espera em decúbito dorsal. Do seu sexo peludo, couro de bode às margens, tiras em couro saem do centro da vagina para constituir amarras do (des) prazer. Os sapatos rosa, salto alto, bico fino, apontam na direção do sexo preso. Protegido por amarras sociais? No bico dos seios e no fundo escuro da vagina pulsa um calorzinho, vermelho, do desejo “acorrentado”.

Saliências II Objeto em Missão”, uma ousadia criativa e de estética livre para os anais da arte pictórica da cidade. Quem não viu, perdeu o trem dessa história em série. Que venha a terceira edição. A cidade conspira às artes visuais reinventadas. Show!