por maneco nascimento
O 4 de setembro completou nesta última quinta feira (4), 120 anos de existência às coisas e causas de arte e cultura da cidade de Teresina.
(4 de Setembro/imagens dispositivo móvel M. Nascimento)
Na programação, a pauta franqueou espetáculos de teatro infantil, 10h; espetáculo de dança, 16h; show musical, às 19h51 e teatro adulto, às 20h59. Ainda houve, a partir das 22h, ação de abertura de Exposição de dois artistas visuais da capital e um coquetel e bolo de parabéns à Casa de espetáculos.
(4 de Setembro e Cine Rex/imagens dispositivo móvel M. Nascimento)
(Bruxa Furdúncia[Vitorino Rodrigues]/arquivo Proposta de Teatro)
Vitorino Rodrigues, a Bruxa Furdúncia, consegue cativar, enviesadamente, o público infantil e manter a energia de solidariedade das crianças direcionada ao Príncipe encantado/Caldeirão da Bruxa(Douglas) e à Fada casamenteira (Ana Carvalho) que procura um amor de felizes para sempre.
Com direção de Roger Ribeiro, a narrativa muito engraçada cumpre a missão de ação e formação de plateia, na práxis de fingir e convencer e manter o teatro vivo. O Diário da Bruxa é fato e efeito dramático na cena da cidade.
(crianças e elenco d'O diário da Bruxa/imagem disp. móvel M. Nascimento)
A Escola Estadual de Dança "Lenir Argento" demonstrou, a partir das 16 horas, quatro Solos e aulas espetáculo didáticas, com escolandas do baby class e primeiro e segundo ano, numa variação da dança demonstrada e repetição do exercício para a facilitação das novas entradas de futuras bailarinas.
(arquivo E. E. D. "Lenir Argento")
As alunas acompanharam, em seguida, na repetição do mesmo solo apresentado, a coreografia encenada pelas bailarinas avançadas. As crianças deram um ar de felicidade compensada, não só às aspirantes a novas bailarinas, mas também aos pais, amigos e parentes e público, em geral.
Riso orgulhoso de quem acompanhou a performance das crianças. Foi momento sublime e cheio de sinais de futuro a quem guarda a expectativa de profissionalizar-se na dança. A D. Lenir Argento, primeira profissional da dança a abrir uma academia de clássico na cidade, sabia que o futuro levaria também seu nome.
Depois de aguardar quase uma hora para um show marcado, às 19h, o público pode enfim conferir a presença da Banda The Self. Às 19h51, um grupo de music improvisacion performance event criou sua cena musical. Torquato Neto esteve presente nas vozes e vezes e baixos e guitarras e teclados e batidas percussivas da bateria.
A poesia do poeta mafrensino, escarnecedor do século XX produtivo e voraz, também alardeou tropicálias ao vento, brasileiro confesso, para ser como sempre foi, pronome pessoal intransferível. Também reservada elegia ao homem e sua hora, porque Torquatos e Faustinos viveram entre a premunição e aceitação da própria morte.
Entre crocodilagens dissonantes para claras, anas e quem + vier, The Self apresentou a poesia torquatiana e musicada por parceiros de concretas licenças confirmadas. Dragões de (in)confidências da independência ousada e pós-moderna de ser ou não ser poeta; recitador e ou ator saltado da canastra das primeiras horas.
Jurássicos do rock'n roll da cepa piauiense e as inovadas tiradas de reinvenção de si mesmos curtiram rito de passagens e confirmação da aldeia local, alardeada a sons e tons e fonologias vociferadas a ruídos e comunicações truncadas em nome da fé artística de deuses e diabos com pés de caulim.
A Banda ao ritmo de aflição cool nas vezes e voz tonitruante de Durvalino, o Couto; a guitarra e enredo jurássico rock, de Edvaldo, o Nascimento e o piano completador de Garibaldi, o dos Ramos. O baixo falou sons em Marcelo e a bateria presente, deu batidas ritmadas com Edimar. A homenagem que ganha Torquato Neto, em seus 70 anos que se completam neste novembro de 2014, tem tempo de existir na Banda The Self.
Depois da Banda passar, foi a vez do Grupo Harém de Teatro com sua pérola do riso e do entretenimento. A peça de humor cáustico e venal, Abrigo São Loucas. Emanuel Andrade, Fernando Freitas, Francisco de Castro e Francisco Pellé ganham a plateia, na dramaturgia textual e de cena, assinadas por Arimatan Martins, e vão pra galera com muitos trunfos para boas risadas.
(Pellé, Fefê e KK/imagem status de Daniel Ribeiro reproduzida)
Só não riu quem já mordeu, a língua, e morreu de inveja saudável, ou não aprendeu a botar pra quebrar a resistência de gerar a própria felicidade. Abrigo São Loucas foi graça garantida, na noite de aniversário do Theatro 4 de Setembro, em seus 120 anos de cultura e arte expandida.
(arquivo Harém de Teatro)
Depois da peça, ainda houve a abertura da Exposição de dois artistas visuais locais. Johnathan Oliveira, com suas telas coloridas e ilustrações acadêmicas para grafite e tinta óleo, demonstrou um grande acervo de sua insistência em movimentar os pincéis e traçar destinos de seus riscos de ser artista.
José Rodrigues, com sucata recolhida e resíduos industriais, transforma lixo em arte para delicadezas e expressões populares de memórias sociais. Ferro fere a invisibilidade e visibiliza estética, sensibilidade e princípio ativo do ato criador e criativo, na cola aquecida por maçarico que comete verve artesã e "Parla" da vida cotidiana e desenha seu próprio destino plástico.
A Exposição dos artistas fica aberta, aos olhos de curiosos, na Galeria do Clube dos Diários/Complexo Cultural Clube dos Diários - Theatro 4 de Setembro. Ainda nessa noite, o bolo de 120 anos brindou convidados e amantes da cultura que sobrevive sem o interesse dos príncipes sem sangue azul, sem o olho grande dos orçamentos espaciais da Fundac encolhida.
A direção do Theatro 4 de Setembro mantém a data acesa, aciona parceiros/artistas da Casa de espetáculos e proporciona arte e cultura à toda a parte que caiba contornar esse latifúndio de desmerecimento com as coisas de cultura e política para artistas locais.
Artistas, estes, que também sofrem com resultados de acordos eleitoreiros toscos, de troca de favores e prédios públicos, entre estado e município, com ameaça de secretários tratores do município na administrativa petulância e do estado confortável e arrogante em desapropriar a Escola Técnica de Teatro Professor "Gomes Campos", que detém um histórico de formar artistas e técnicos da área de teatro.
Abre aspas: (...) vamos demolir esse prédio que não nos interessa e construir uma creche no local. Quem quiser fazer teatro que vá pro Theatro 4 de Setembro (...), fecha aspas.
Como se vê, a intolerância cretina e mandona dos príncipes da vez costura acordos que tramam destruir projetos culturais da cidade de Teresina. E, como para esse tipo de administrador do estado público, artista não vota, fica o discurso de quem se acha mola do poder para sempre.
Sorte de Teresina que tem quem corra por fora e mantenha a arte acesa, mesmo com a negação de políticas públicas de cultura.
O Theatro 4 de Setembro, senhor secretário municipal da educação e cultura, é Casa de representação de espetáculos. A Escola Técnica de Teatro Prof. "Gomes Campos" é instituição, mantida pela Secretaria de Educação do Estado, de direitos cidadãos e deveres políticos administrativos, à formação de artistas e técnicos na profissão teatral.
Parabéns ao 120 anos do Theatro 4 de Setembro que resiste a esse tipo de discurso obscurantista e burro. Mil vaias a quem está secretário municipal da educação, secretário estadual da educação, prefeito de Teresina e governador do estado do Piauí, nesse contexto atual.
Artistas da cidade e do estado aprendam com a experiência e votem melhor.
E Viva o teatro brasileiro, de expressão piauiense, a arte e cultura que por aqui resistem à falha trágica do político piauiense!
"Nasceu um cacho de bananas na minha C... corta..." e dê aos nanicos de plantão.
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