terça-feira, 14 de maio de 2013

Vidas de improviso


 Vidas de improviso
por maneco nascimento

A cada sol um novo leão abatido. Politicamente incorreto, mesmo quando o felino não representava qualquer ameaça ao homem (genérico). Depois vieram as entradas e bandeiras ao habitat natural adentro e ai adveio a cadeia natural e física de ação e reação.


 Mas, saindo da realidade e incorrendo às metáforas e eufemismos, o eterno retorno é de controlar um novo leão a cada despertar, mesmo que seja de pelúcia. E, no movimento de teatro amador local não é muito diferente, é combate pra gente ver.

No último dia 8 de maio, às 20 horas, no palco do Theatro 4 de Setembro, “Os Sobreviventes” nadaram mar de fingimento afora e, espetacularmente, somaram esforços para não morrer à praia. 

Uma heróica função do teatro da cidade que repercute insistência na manutenção do exercício do exercício de ocupação de palcos e cena piauienses. O histórico vem de integrantes da Oficina Permanente de Teatro “Procópio Ferreira”, há 25 anos no ar da graça de facilitação do ato de encenar.

A dramaturgia à nova empreitada detém quatro meses de pesquisa para a adaptação livre, aos palcos, do conto “Os Sobreviventes”, do escritor e jornalista Caio Fernando Abreu. As personagens da vida real Kaio Rodrigues e Ronyere Ferreira (adaptadores do texto e diretores de cena). A supervisão do ato, propriamente, vem de Luciano Brandão (diretor e encenador da Procópio Ferreira). Um desafio diferenciado por reunir obra rica de discurso político e contextual que perpassa por período da ditadura brasileira dos anos 60.

(Os Sobreviventes: Kaio Rodrigues & Ronyere Ferreira/foto divulgação)

Numa revisão do próprio passado, uma das personagens dramáticas passeia pela memória e fatos marcantes da vida pessoal, perpassando por circunstâncias políticas e culturais de sua geração. Local de apresentação dessas memórias, um apartamento. Divide suas memórias com um amigo de juventude. Presente, passado, rompimento de sonhos e expectativas fracassadas são digeridas ao longo da encenação expiada. Um tete-a-tete de sonhos, ilusões juvenis, amores e paixões alimentadas e desfeitas ao sabor de vinagre servido qual vinho de safra de “abundâncias” versejadas.

(Os Sobreviventes: arte/foto divulgação)


Da dramaturgia localizada, de estudantes de teatro e aprendizes de feiticeiro, “Os Sobreviventes”, de Kaio Rodrigues e Ronyere Ferreira, estão na esteira de possíveis melhores acertos. Cumprem o “métier” a contento e mantêm coragem e determinação em apresentar-se ao desempenho de atração das identidades e reforço de novas perspectivas de enxergar um mundo, fora do senso comum, que o autor já discutia e legou à posteridade de novos olhares.

Da cenografia, um sofá, uma mesinha de centro de sala, uma luminária de centro esquerda de cena e duas personagens à procura da própria existência confundida com o caos e desconstrução da natureza humana, traduzida pelos papéis, jornais, discos e livros servindo de tapete e “sujeira” na mímesis de espíritos em busca de novo oxigênio.

(Os Sobreviventes: arte/foto divulgação)


A luz da montagem atende a simplicidade do mapeado e fica na média de ilustrar os confusos e conflituosos sentimentos, em apresentação variável ao contido e ao exagero das expressões na cena da juventude que essa brisa conta. Os figurinos parecem optar pelo lugar comum de qualquer jovem, em qualquer lugar do mundo que caracterize vestir-se para estar apresentável para encontros, reuniões e lavagem de roupa embolorada.

As personagens estão como a princesa descalça e pisam o chão do seu céu despedaçado. Da simplicidade dos figurinos aos pés descalços, uma opção em deter discurso que não se ampare em teatro morto. Brincam de fingimento sem perder as teorias e vidas de improviso cênicos.

Das atuações, levam consigo os próprios esforços em fazerem-se entender e os ruídos da comunicação não comprometem o todo. Os textos do autor na boca dos atores estão dentro da clareza linguística e dos propósitos frasais sintáticos e até semânticos de melhor expressão. Já para as inflexões e projeções das linhas, entrelinhas e para além das linhasainda encontram pequena pretensão. Por parecer que queiram deixar o dialogismo mais natural, talvez pequem por magearem a compreensão mais delicada e visceral que há no olho do furacão caiofernandoabreuniano.

Do potencial artístico, as personagens Kaio Rodrigues e Ronyere Ferreira adentram no fundo lago escuro caiofernadoabreuniano e saem sem afogar-se nas próprias vaidades, revigoram ar aos pulmões das personagens do autor. Kaio Rodrigues descobre-se em Caio F. A. e parece relaxar, em amor incondicional, pela obra consentida de drama do autor. Sem desdém, nem inapropriação do discurso impresso, talvez escolha, no seu teatro distanciado, maneira de exprimir sua apreensão a Caio F. Abreu. Na repetição talvez mature personagens + ouvintes das próprias falas sociais.

Ronyere Ferreira aponta potencial de ator bastante destacável. Postura, tônus, silêncios e barulhos concentrados em atomização dramática na expansão de sentimentos dissecados. Embevece a recepção com um certo cuidado em expressar seu texto e suas memórias afetivas, atraídas à ação dramatúrgica acercada de acuidade estética desejada e inspirada nas próprias experiências de palcos iniciáticos.

(Os Sobreviventes: arte/foto divulgação)

Quem vê de fora, percebe que a supervisão dramatúrgica deixou a livre arbítrio os desejos dos novos atores que se autodirigem e brincam de felicidade cênica. As vidas de improviso e os exercícios de improvisão trazidos à ação dramática ainda esbarram na distanciada visão da mora. Os alinhavos e franjas dramáticos parecem merecer um último ponto para que as pontas, da peça, soltas não comprometam toda a malha da tessitura do drama aplicado.

“Os Sobreviventes”, de Kaio Rodrigues e Ronyere Ferreira, para obra de Caio Fernando Abreu dormem com o autor e despertam cena que não desmerece o teatro local e retroalimenta os ritos de passagem franca. Ritualizam arte e cultura revisitada para feitos da prática do fingimento.

Finge-se bem, valendo à pena, quando a alma do teatro não é pequena. Um leão ruge na esquina, os armeiros estão no “front” e começam a aquecer o sangue que doam aos animais que espiam “Os Sobreviventes”.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Criança e literatura


Criança e literatura
por maneco nascimento

 Um dia de literatura para criança, em prática teatral e de música instrumental, selou pauta no Complexo Cultural do Matadouro – Teatro do Boi. A hora e vez eram a dois autores nacionais, Monteiro Lobato e Assis Brasil. 

As atividades de educação e cultura, através de contação de histórias, homenagem a autores brasileiros e oficinas de arte visuais, tiveram início a partir das 8 da matina, começando pela parte de música e seguida do teatro.

Em apresentação às crianças do ensino fundamental menor da Escola Municipal Bezerra de Menezes, o primeiro momento foi de um grupo de sopro, destacado da Orquestra Sinfônica de Teresina - OST.

Numa aula apresentação, o músico apresentou instrumentos (flautas) e, em seguida, tocou canções infantis, entre elas, o tema do Sítio do Picapau Amarelo, de Gilberto Gil. Na esteira de atrações culturais foi a vez da contação de história, baseada em obra de Assis Brasil.
(autor piauiense Assis Brasil/foto: assisbrasilimortal.blogspot.com.br)

A prosa escolhida para enredo dramático foi “O cantor prisioneiro”.  A performance cênica, a partir da obra homônima do escritor piauiense, de Parnaíba, foi adaptada por Vitorino Rodrigues que, por sua vez também fez as artes ao narrador e mãe do garoto, dividindo palco com  Márcio Felipe Gomes, para domínio da personagem do sabiá papo amarelo e do garoto, caçador de pássaros.

A fábula de adaptação dramatúrgica chamou a atenção do público infantil para a reflexão acerca de prisão e liberdade de pássaros e outros bichinhos. O mote, colhido de texto original, um sabiá caído em alçapão e feito “refém” de uma velha senhora, como presente trazido por seu filho.

Há na dramaturgia, de Vitorino Rodrigues, belos momentos de licença poética, em imagens e sons que reproduzem vida livre de pássaros em seu habitat natural e, especialmente, o voo da liberdade, quando se concretiza a fábula representada, é de rara beleza imagética que reúne luz, imagem real e sombras animadas da ascensão à vida livre. 

De enredo natural de Assis Brasil, o diretor de cena colheu, em sua dramaturgia, elementos que simbolizam liberdade e recolhimento, tristeza da prisão e alegria da conquista das asas e o discurso de reparação de atitudes que cercam, com mesquinhez e egoísmo, a vida e memória de outros bichos, feitos cativos pelo “carcereiro” inconsciente. A narrativa apresentada pelo contador da história ainda não adquiriu, na montagem, o ponto de fluidez da mensagem, mas os momentos do voo do pássaro são de sensibilidade plástica.

No cronograma de atrações aos escolandos, a manhã foi finalizada com as oficinas de Ponteira para lápis (biscuit); Dedoches e Marcador de Texto; Pintura de Máscaras e Marcador de Texto. Tanto as atividades das oficinas e convite aos artistas que demonstraram sua arte, através da música e do teatro, foram promovidas e patrocinadas pelo SESC PI, dentro da programação do Dia Nacional da Literatura Infantil – Monteiro Lobato, ação de pedagogia transversalizada pela E.M. Bezerra de Menezes, vizinha do Teatro do Boi.

No turno da tarde, as mesmas ações culturais se repetiram à clientela do outro turno escolar e + uma vez se viu a alegria e contentamento infantis. Crianças recebiam, com muita felicidade, um momento diferenciado do cotidiano da sala de aula. Uma hora incomum e mágica. A partir das 14h30, outro grupo, embasado na sonoridade de sopros, deu sua contribuição, só que desta vez, além de apresentar os instrumentos musicais, tocou músicas natalinas. Era festa para guardar e regurgitar depois.

Vitorino Rodrigues e Márcio Felipe Gomes repetiram “O cantor prisioneiro” para, em nova sessão e novo público, enlear e aproximar magia, mundo fantástico, arte e cultura ampliada ao mundo infantil.

Além do novo turno de oficinas, as crianças puderam, ainda, apreciar exposição, em banner, que reproduzia o grande mestre da literatura infantil brasileira e suas personagens inesquecíveis, saídas das páginas de “O Sítio do Picapau Amarelo”.
(Monteiro Lobato,o pai da literatura infantil nacional/foto: wikipédia)

Criança precisa de sonho e fantasia, cultura e alegria que as mantenha donas de seu mundo de criança. E nesse dia 03 de maio de 2013, no Complexo Cultural do Matadouro – Teatro do Boi, Monteiro Lobato e Assis Brasil dialogaram, numa conversa de autores criadores em linguagem a infantes e tiveram êxito.

As iniciativas da Escola Municipal Bezerra de Menezes, em parceria com o SESC PI, gerou ótima espécie e o Teatro do Boi registrou, em borderô, esse dia de criança e literatura. 

Ser Tão da boa arte


Sertão da boa arte
por maneco nascimento


Roda Ser Tão é projeto de monta que invade as cidades brasileiras e deixa um gostinho de tanta sorte da arte itinerante. Sagra estética e cultura transversal em abrigo do novo teatro brasileiro. Em circulação dos Espetáculos “Flor de Macambira” e “Farsa da Boa Preguiça”, através do Prêmio FUNARTE Myriam Muniz 2012, o Grupo Ser Tão Teatro, de João Pessoa, na Paraíba, no intuito de fechar bonito o Nordeste brasileiro, brinda o Maranhão (São Luis, Pedreiras e Bacabal) e Piauí (Teresina e Amarante) com seu carroção da felicidade feito cena viva.  

Trazendo alegria e cultura nacional qualificada o Grupo Ser Tão Teatro prova ser teatro até debaixo d’água, mesmo que ela cuide em demorar-se a vir. De seca e verde há Ser Tão tirando os nove fora e mantendo gracejos, alegrias e festas populares do rico imaginário nordestino, garimpados à pena dos autores celebrados. “A Farsa da Boa Preguiça”, de Ariano Suassuna, leva a elogiosa adaptação dramatúrgica de Fernando Yamamoto e “Flor de Macambira”, do original “O Coronel de Macambira”, de Joaquim Cardoso, tem releitura à adaptação das mãos de Rosyane Trotta e Ser Tão Teatro.

O coletivo de teatro se garante e a cena brasileira se estabelece bem, graças aos deuses que conspiram em favor de quem mantém acesa a chama do exercício do fingimento. “A Flor de Macambira, por exemplo, esteve em muitos festivais nacionais e internacionais, cidades à beira do Rio São Francisco, na capital federal, dentre outras paradas. A Farsa da Boa Preguiça, por sua vez, já pode circular pelas praças de sete estados nordestinos. Mas, faltava juntar todas as tralhas, equipamentos, maquiagens, cenários (...) e levar as duas peças em repertório do grupo pela estrada afora (...)” (material de divulgação)

Em Teresina, o Ser Tão Teatro manifestou sua obra em duas oportunidades e dois espaços de arte e cultura versejada. Deliberou “A Farsa da Boa Preguiça”, dia 01 de maio, às 20 horas, na Galeria do Complexo Cultural Clube dos Diários/Theatro 4 de Setembro e, no dia 02 de maio, às 20 horas, foi a vez de “Flor de Macambira”, no palco do 4 de Setembro. Aos amantes de teatro e curiosos avisados, dizem que uma não deixou a desejar a outra. Duas obras de prima beleza à expressão do teatro nordestino de pesquisa e memória popular preservada.
(Cena de Flor de Macambira/fotos: acervo do Grupo)

Não posso falar do que não vi. “A Farsa da Boa Preguiça”, vou ficar me devendo e se arrependimento matasse, morreria de véspera. Mas, quando o assunto é “Flor de Macambira”, aí posso falar, até mal, porque vi mesmo e não há nada que desabone a dramaturgia apresentada. Um tinir de boa presença e de verve cênica em que só encontrem defeitos os despeitados de plantão, sem hora de ser feliz. Tudo gira em torno da sorte de amor tranquilo e paixão equilibrada entre razão e ciência experimentadas.

A Cenografia e Adereços (Carlos Alberto Nunes) um luxo indispensável nas variáveis de mímesis terrais, da cor do Ser Tão de dentro, e expressionismo econômico posto à fura. O cenário, uma tenda de marionetes para as vezes de artistas que manipulam a assistência que não quer perder nenhum lance, ou impacto de magia do dentro e fora da tenda. Os adereços, que se vão somando ao enredo, preenchem o corolário de novidades da terra, da feira, dos costumes, cores e sabores do nordestinês, para memórias ibéricas e nordestes reinventados.

A Concepção e Encenação, de Christina Streva, não perdem por esperar a maturação da trama executada. Tem magia, lúdico, geografia efientizada na cartografia dos dramas e amores populares, em franco elogio de técnica que perpassam pela Preparação Corporal (Juliana Manhães e Valéria Vicente); Coreografia afinada a contexto de estética e estilismo apropriado (Juliana Manhães); Treinamento de Comicidade (Maíra Kesten) que catalisa as melhores intenções em equilíbrio premeditado e Orientação Vocal (Jane Celeste Guberfain) que aglutina as vozes e maneirismos vocais a efeitos de sonoridades nativas com, ou sem ruídos do imaginário celebrado.

Não houvesse todo cuidado que envolve elenco super afinado e desdobrado em eficiência da contação da fábula amoroso heróica, ainda há as virtuoses particularizadas, em solos, dos intérpretes criadores em sua partitura de evolução (Cida Costa. Gladson Galego, Isadora Feitosa, Thardelly Lima, Rafael Guedes, Zé Guilherme, Polly Barros e Fabiano Formiga). Tradução enxuta ao dialogismo frenético em contensores de eficácia de interpretação. Nem +, nem menos, uma ode da persona ao coro, transversalizando tempos e histórias recontadas ao templo da cena.

A Direção Musical de Beto Lemos e Zé Guilherme e Músicas Instrumentais de Beto Lemos, em perfeito acasalamento com as Letras, de Beto Lemos e Thardelly Lima, musicadas, fecham o cerco de sonoridade instrumentalizada para amarras e ilustração do que deveria passear entre o tangível e intangível do ato criativo experimentado. Preenche as vagas desejosas de compor o mapa de vozes, tons e sons, intenções e efeitos de propósitos dramáticos.

As Máscaras dramáticas(modelagem de Bruno Dante) e o Visagismo (Mona Magalhães) completam o cerco do Ser Tão Teatro para risos e farsas e fina estampa da malha nordestina de criação teatral, perseguida às custas do norte das cenas brasis. Não fica fora da rubrica a Assistência de Direção (Breno Sanches e Thardelly Lima); o desenho de Luz (Gladson Galego) e a Operação de iluminação (Thiago Santino) em conspiração ao produto a mercados e futuras apreensões e recepções desejosas.

“Flor de Macambira” um leve e perspicaz elogio ao ator e sua cena e à arte brasileira de manutenção do teatro sem gorduras, nem excessos de criador. Na medida da proposição de arte planejada. A intertextualidade das culturas do nativo popular, em passagem pela memória primitiva de mitos e lendas e até classicismos reinventados e ou melopeias contemporaneizadas, aos sinais midiáticos, ganham cor de liberdade e arbítrio que não perdem nem o deus Ex-machine, nem negam as novas soluções socioculturais que a nova urbe solfeja.

Do brinquedo fantástico da mocinha, o boizinho malhado, até a descoberta do próprio veneno que está contido na natureza escorpiã da espécie, a retomada histriônica de um olhar para Romeu e Julieta agrestino toma outro caminho mágico e mantém a essência da humanidade em franca recuperação da própria sorte, na descoberta do próprio eu. Uma fábula moral em disfarce da alegria que tempera os causos populares de domínio social na antropologia das sociedades naturais.

Os deuses do Ser Tão Teatro, para gregários e paraibanos, sim senhor, conspiram pelo universo criativo e determinante à cena nacional que o Roda Ser Tão se nos apresentou a palcos piauienses. Uma “inveja branca” quis povoar minha alegria, mas estava ela preenchida de prazer e afeto sinceros pelo libelo artístico doado, generosamente, ao público teresinense.

Ponto cruzado, com algodão da almofada de bilros, alinhavou a trama, desse tecido nordestino chamado Ser Tão Teatro,  em repertório assentado. Não há tesoura que desalinhave algodão raro.   

terça-feira, 30 de abril de 2013

Overdancem


Overdancem
por maneco nascimento

O dia 29 de abril, comemorativo à dança, foi uma overdança de manifestações de academias, grupos e organizações agremiadas de corpos que dançam. 

Palco da festa ao Dia Internacional da Dança: Complexo Cultural do Matadouro – Teatro do Boi, a partir das 18 horas. A linguística de corpos e anatomias distendidas cumpriram bem a pauta da noite e deram seu sangue em arte e cultura representada.

24 companhias de dança convidadas, 20 delas marcaram presença em seus estilos, pesquisas, ousadia e determinação em manter-se escrevendo a história e memória da dança da cidade. Expressaram sua arte significante e significada aos corpos falantes. Para curiosos, amantes, iniciados e iniciantes, mestres e professores, laureado(a)s e convidado(a)s, um sinal positivo abrilhantou a festa. Uma overdança qualificável.

Do repertório de apresentações, o Balé da Cidade de Teresina trouxe uma coreografia; a Escola de Dança do Piauí “Lenir Argento”, um número de criação em suas fileiras de repertório escolar. Escola Balé de Teresina, duas coreografias; o Balé da Comunidade apresentou três números. A APAE também se representou muito bem. O Balé Jovem do Piauí, esse veio com gosto de gás e viabilizou 11 trabalhos, distintamente de expressão e experimentação dos que dançam porque vivem sua dança.

O Cordão Grupo de Dança, com seus meninos e meninas energéticos, se representou em dois números e sabe porque sabe quando a hora é de dançar a própria experiência em arte continuada. A Báttali Cia. de Dança esteve para três momentos coreográficos, como também a companhia convidada, vinda de Lagoa do Piauí, Corpo Dança Movimento. A Cia. Cynthia Layana, em toda sua graciosidade e pesquisa da cultura popular brindou a festa em duas coreografias bastante significantes.

As meninas da Casa de Zabelê também fizeram seu número e, em seguida, foi a vez do Balé Popular do Piauí com uma pesquisa de arte e memória popular dançada. A Organização Ponto de Equilíbrio – OPEQ trouxe dois números. Um, pelo menos, merece comentário diferenciado. Para surpresa de alguns coreógrafos que ladeavam comigo a assistência dos espetáculos, sofremos um impacto ao vermos a organização apresentar coreografia do clássico. Crianças sem ponta, joelhos duros, nenhuma clareza ou orientação eficientizada à linguagem de tradição.

Um constrangimento a quem vê e um equívoco a quem está convencida de que pratica dança clássica. Que a OPEQ invista em linguagem do clássico, se entende bem, porque livre arbítrio de facilitar a dança, embora fora de sua tradição de moderno e contemporâneo aplicada, mas o resultado não era para demonstração pública. Pareceu ser a única “peça” apresentada que descaracterizaria o momento, mesmo outros resultados que parecessem elementar, não estiveram perto daquela inadequação do clássico.

Na sequência, O Grupo La Danza, com um número; Le Ballet Studio de Dança, com quatro coreografias; Só Homens Cia. de Dança, uma coreografia; a Academia de Balé Helly Batista, dividiu-se em dez números, se representou muito bem. A Academia Passos a Dois, em sua inovidade de dança de salão, trouxe um passo do que é seu; a All Street Songs, em sua fúria de dança em clip e corpos sincronizados no tempo da música midiática. Desempenho jamais desprezável. 

A noite encerrou-se com a Cia. Moviment Street, em dois números de virtuose para eixos e assimetrias de corpos em adequação ao palco “in ritm dance”. Bonito de ver a juventude em desempenho de sua crença à arte e cultura de identidade em coletivo.

Dia Mundial da Dança, no palco do Teatro do Boi, 54 olhares coreográficos demonstraram porque a cidade mantém uma tradição de dança a la exportação. Nazilene Barbosa, Roberto Freitas, Weyla Carvalho, Sidh Ribeiro, José Nascimento, Samuel Alvis, Marinalva Gamosa, Luzia Amélia, Irineuda Dias, Geiza Pinheiro, Socorro Bernabé, Cynthia Layana, Kiara Lima, Frank Lauro, Valdemar Santos, Kleo di Santis, Helly Jr., Marcio Felipe, Márcio Gomes.

Perderam a festa as companhias Edinalda Vieira, Studio de Dança Gisele Sousa, Horus Cia. de Dança e Cia. Art Dança (Francisco Moreno). Mas estavam presentes em movimento da cidade que dança porque precisa.

Aquela noite é que foi inesquecível, quer porque era um dia especial à dança, quer porque a cidade veio prestigiar o evento. Pelo menos 300 pessoas concorreram a um lugar na plateia do Teatro do Boi. Foi uma grande noite e o público resistiu até o fim. Três horas e meia de dança revisitada.
(artistas em cena de dança/foto: fmc)

Realizado pela Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, o Dia Mundial da Dança teve a organização da Coordenação de Dança da FMC (prof. Dedé, Marinalva Gamosa, Shirlyanne Oliveira) que cumpriu não só o “mètier”, como fez um “trainning” para o FestDança 2013 que acontecerá em setembro.
(artistas em cena de dança/foto: fmc)

Overdancem, porque era Dia Mundial da Dança e todo o universo conspirou a favor de quem vive a dança na cidade.

"Reves 1, 2..."


“Reves 1, 2...”
por maneco nascimento

Em noite muito movimentada, o Complexo Cultural do Matadouro – Teatro do Boi recebeu artistas, público, colaboradores, parceiros, leitores e empreendedores do Projeto Revista Revestrés Literatura, Arte, Cultura e Algo Mais.

Edição Comemorativa de 1 ano de vida, da Revista, trouxe um público bastante significativo à noite do dia 27 de abril de 2013, a partir das 18h30. Casa cheia, gente dentro e + gente no trânsito de participar do evento promovido pela Quimera – Eventos, Cultura e Editoração LTDA.

Em espaço próprio à manifestação de arte e cultura, o Teatro do Boi faz sua parte e recepciona quem procura a Casa e, nessa noite do dia 27 de abril, o universo conspirou a favor. Os anfitriões da festa, Welington Soares, André Gonçalves, Samária Andrade, Luana Sena e Maurício Pokemon investiram-se das vezes de artistas-apresentadores para (in)formalizar o que já havia como sorte para dar certo.

Os discursos e falas de apresentação e rememoração acerca de um ano de vida da Revestrés deram um refresco, já naquele momento, do que deveria aguardar o público concorrente. O músico Beetholven e seu charmoso piano recepcionaram os convidados, a partir das 18h30. Os dez minutos de música indeletáveis.

No mapa de enredo dos espetáculos da noite, veio em seguida o Grupo Harém de Teatro, com um trecho de “Abrigo São Loucas ou Três Personagens à Procura de Um Aqué”, com Francisco de Castro, Fernando Freitas e Francisco Pellé. O riso esteve garantido.

Outros atos de arte em melhor parte seguiram-se com a Academia de Ballet “Helly Batista”, em três solos de clássico, dois femininos (Anne Julliethe dos S. Pinheiro e Maria Emanuelle P. da Silva) e um masculino (Gustavo Augusto B. da Costa). O “Clip Revestrés” deu um ganho de resultado estético e um banho de efeitos técnicos, do sutil impactante, e bastante equilibrados na edição de imagens e sons. Belo clip!

Também a manifestação de rua e liberdades da veia demonstrou seu show pop urbano - street dance, filosofia da pele. No seu melhor de rap quentinho, da hora, “A Irmandade” deu seu recado da poesia das periferias e de suas falas de intervenção cultural das sociedades naturais em seu cotidiano simples, mas político e emblemático. E não fez feio.

E para manter o gancho da poesia, Durvalino Couto Filho ditou poesia em arte de toda parte a poetas, ator, intérprete e literatura, feito cultura de apreensão e ato reflexivo na veia do artístico manifestado. Neruda também visitou aquela noite.

Roraima também disse “sim, eu sou Revestrés”. Tocou seus pop melodys, com sua característica de identidade e carisma, como só Roraima mantém, na terra que escolheu para plantar uma árvore, escrever uma canção e criar seus filhos. Filho do norte do país, é em nossa terra gentil que canta suas loas e tá nas paradas musicais que a cidade nos possibilita viver. E, para a Revestrés, afinou seu tom e som da onda em a boa brisa canta.

Wagner Ribeiro dispensa apresentação e seu Valor de PI então, é um negócio daqui, ó! Pesquisador da cultura popular e apaixonado pelas coisas e causos naturais da memória afetiva rural, Wagner Ribeiro é o cara quando recita, improvisa, conta uma história e também quando canta.

Cantor e compositor das coisas de nossa vida que precisam ser reverberadas, para que não se percam da história da construção sociocultural das cidades e memórias intangíveis, sabe do letrado. O Valor de PI(Beto Boreno, Wania Sales, Marcelo Campelo, et all), grupo musical que desenvolve, com colegas músicos e artistas da arte de se representar, tem valor de cheiro da terra molhada em dias de verão desejado. Sabe ser e sabe desempenhar a arte do artista popular revisitado. Também é Revestrés.

Quaresma e Thiago E. são artistas de validade até que se reinventem, porque por hora Validuaté já se nos basta e faz história musical na cidade. Fecharam as horas de atrações artístico-culturais, porque a noite era sábado no canal Revestrés – Ano 1.
(arte lançamento Revestrés 1 ano/divulgação)

Boas conversas, encontros de amigos, viver cultura e interagir a arte que se faz e que se quer manter em cena vívida, na Teresina. Essas sociabilidades foram pauta povoada em noite do dia 27 de abril, na Casa de espetáculos Teatro do Boi.

Em edição de aniversário de um ano da demonstração de ação cultural que a cidade, por vezes, nem vê, a Revista também abre discussão, na matéria de capa da bimestral Revestrés - março/abril 2013: “Cadê a cultura que estava aqui?”
(arte lançamento Revestrés 1 ano/divulgação)

Respondo eu. Talvez esteja fora do circuito comum do “bellepoquismo cultural”, pequeno burguês, que a cidade insiste em querer manter, como marca de expressão e representação artística, em contraponto ao diverso manifestado da socioculturalidade teresinense.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

"brincando encima daquilo"

“brincando encima daquilo”

por maneco nascimento

A Organização Ponto de Equilíbrio – OPEQ em parceria com as companhias Báttali Cia. Dança e Companhia de Dança Cynthia Layana apresentaram, no Anfiteatro do Complexo Cultural do Matadouro – Teatro do Boi, dia 23 de abril de 2013, a partir das 17 horas, o espetáculo “Ringue Klauss Vianna de Dança Contemporânea”.

O Projeto de montagem envolveu a OPEQ e + o laboratório de dança, a partir das coreógrafas Cynthia Layana e Beth Báttali, na troca de fichas premeditadas. Tema de improviso delegado, entre as Companhias de representação iniciática, nesse mundo de signos à linguagem da nova dança.

Em concorrência ao Edital BNB de Cultura 2012, com parceria do BNDES, os artistas e suas representações, de cultura experimentada, manifestaram o objeto pleiteado junto às estatais que fomentam também negócios e mercados à arte e cultura de expressão contemporânea.

Como foi explicado ao início da liberdade cênica anunciada, o projeto se embasaria em repercussão da memória e história construídas pelo grande artista da cena da dança Klauss Vianna. No palco aberto, bailarinas e bailarinos desempenharam seu “mètier” de facilitações concretizadas a partir das provocações, de impulso improvisativo, facilitadas pelas coreógrafas enleadas no jogo. “Disputa” de performances de Báttali Cia. Dança versus Cia. De Dança Cynthia Layana.

Há um expressionismo de linguistica de corpos experimentados que chamam à atenção por alguma graciosidade feminina e a virtuose feminil dos corpos dos meninos que dançam. Numa proposta de afetação, aplicam mapeamento cênico em corpos que verbalizam intenções de troca de “farpas”, insinuosos insultos e reflexo de juvenilidade, ou defesa de tribos sócio-determinantes de territórios de ocupação. 
(arte Ringue Klauss Vianna de Dança Contemporânea/arte divulgação)

“bricando encima daquilo”, travam as Cias. de dança um “front” de apostas, em jogo de quem dá +. dão boa média de corpos vibrantes, em sentimentos de liberdades expressivas e juvenilidade à beira do “descompromisso” de tradição revisitada. Belos e belas expressões de vigor e tônus desprendidos em nome da dança a cunho contemporâneo.

Proposta provocativa a partir do mapa dramático encampado em “lutas”, por vezes, frenéticas e, noutras, de simulacro do desdém do um ao outro em passe que dancem... “dance, dance mais, dance sem parar...”, ou parem porque a proposição é de quebra de paradigmas, mesmo que no viés do velho paradigma representativo como identidade e força de memória preservada. A negação da aceitação indispensável.

“Ringue Klauss Vianna de Dança Contemporânea” dança na rua, na praça, no palco, na vida que espelha contextos específicos da “juventude que essa brisa....” dança. Meninos e meninas refletem a própria memória afetiva, em expressão de corpos escrevinhando seu tempo e sua aura rebelde, seu nome e sua história à nova dança, perseguida, porém ainda sem digerir o efeito simbólico e demolidor em que a linguagem se assenta.

É peça para maturar intenções e atenções estéticas de propósitos e apreender + domínio do discurso para não parecer só “brincadeira de criança, como é bom, como é bom...” 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Laboratório de Ópera

Laboratório de Ópera 
por maneco nascimento 

Casa aberta, arte e cultura pedem passagem. O Complexo Cultural do Matadouro – Teatro do Boi recebeu, nesse 16 de abril de 2013, às 20 horas, o espetáculo “A Vingança da Cigana”.

 Uma releitura para a Ópera jocosa de artista português que reúne o trabalho de alunos de canto da Universidade Federal do Piauí. 
(Partitura original de A Vingança da Cigana)

“A Vingança da Cigana” é um divertido drama joco-sério que conta a história de oito personagens de classe média-baixa que se cruzam na região ribeirinha, em Lisboa. Contextualizado na época em que foi escrito, o texto aborda as relações entre classes, raças, profissões e namorados no final do século XVIII. É interessante notar a influência da cultura afro-brasileira no texto de Caldas Barbosa e a presença do lundu e da modinha na música de Leal Moreira.” (release)

(Domingos Caldas Barbosa,autor do texto de A Vingança da Cigana/divulgação)

No palco, Luana Campos (a Cigana); Késsia Lopes (Lambisca), Gildomar Oliveira (Grilo); Lucas Coimbra (M. Pierre); Edivan Alves (Tarelo); Francisco Pereira (Cazumba); Marcos Vinícius (Chibante) e Juliana Lima (Camila) desenvolvem bem o laboratório perseguido. A montagem é envolvente e ganha corpo de tranquilidade na cena. Os intérpretes estão em bom tom, musical. Gracejam música e cena, dramático-jocoso, com um aceno de pequenos grandes feiticeiros na arte operística. 

(elenco de A Vingança da Cigana/divulgação)

A Cigana, de Luana Campos, domina o campo de encenação com carisma, desenvoltura vocal e, performance determinante, ao tempo de dramaticidade musical que o libreto solicita. Sua extensão, afinada, vocal, um deleite para ouvidos seguidores. Lê o destino do público, sem vacilar e coopera na recepção limpa do enredo apresentado.

(A Cigana em ação/divulgação)

A empregada, Lambisca, composta por Késsia Lopes apresenta o contraponto no diálogo com a patroa, Camila (Juliana Lima). Há uma cumplicidade da divisão de cena que as mantém em sintonia, seja quando estão no enredo doméstico, na visita da cigana e ou quando reúne-se todo o grupo da trama. A Lambisca é a intrusona e enxerida que participa no desenrolar dos amores permitidos.

(cena de A Vingança da Cigana/divulgação)

A Camila, de Juliana Lima, também tem desempenho de boa média. Consegue desenvolver canto e encenação com uma naturalidade já fora do intempestivo e exasperado. Atrai domínio gracejado da cena exigida.

 Os personagens masculinos, de contracena e de antagonismo libretado, também estão muito bem. Gildomar Oliveira (Grilo), o barbeiro do sítio, tem uma das melhores sintonias de expressões e domínio de espacialidade, em economia e humor apresentados. 

Lucas Coimbra, com seu M. Pierre também é bem definido na encenação; Francisco Pereira (Cazumba) detém marcas entre as falas (cantadas) e o diálogo com o barbeiro Grilo, com tempo de passagem limpo e sincronizado. Marcos Vinícius (Chibante) e Edivan Alves (Tarelo) completam o time masculino e vinculam o fecho de drama, cantado, com eficiência.

“A ópera foi composta para a reinauguração do Teatro São Carlos, em Lisboa, em 1794, depois de ter sido totalmente destruído no terremoto que abalou aquela cidade em 1755. Leal Moreira foi convidado para Diretor e tentou inserir obras em Português num contexto de forte domínio da ópera Italiana. Além dessa obra, a dupla Moreira-Barbosa compôs também em português, no mesmo período, “A saloia enamorada ou o remédio é casar”. (release)

(cena de A Vingança da Cigana/divulgação)

“A Vingança da Cigana” sob o olhar do laboratório de ópera da UFPI consegue envolver e manter a atenção do público. Recupera, no coletivo apresentado, uma ótima demonstração de técnica, estética musical e cênica, performance operística qualificada e um arcabouço de energia, conspirando para bom resultado, a partir do esforço concentrado do elenco e corpo musical.

A Orquestra de Câmara da UFPI, sob a regência de Samuel Fagundes, em “A Vingança da Cigana”, está de parabéns. A música interpretada e executada é de delicada harmonia ao canto planejado. Dos trabalhos cênico-musicais que tenho acompanhado, este talvez seja o de melhor resposta que confluam o canto, música e movimentação cênica.

Nas montagens anteriores já havia virtuose musical e de canto, mas um vazio no empenho para ator. Dessa vez o elenco cumpre também, eficientemente, a função de ator/atriz, nos diálogos exigíveis de emendar as partituras do libreto encenado.

Em “A Vingança da Cigana” esse equilíbrio está sendo alcançado. Os intérpretes estão à vontade também na hora em que destrincham os textos falados no dialogismo da cena que varia no musical. Há um lampejo, bem distinto, do cantor(a) que também diz um texto sem ruídos de comunicação estéticos. Descobriram o caminho do fingimento, extensivo ao texto falado, e a eureka está na pauta executada. 

O Departamento de Música e Artes Visuais da UFPI vem desenvolvendo, a cada semestre, um trabalho de concertos, recitais e montagens de musicais e óperas, com intuito de divulgação da arte erudita no Piauí. A coordenação vocal e cênica de Deborah Oliveira e com correpetição de Daniela Cabezas para “A Vingança...” vêm confirmar um ótimo projeto de mágica musical em Ópera cômica que ganha vida quente.

Bela vingança essa da cigana da UFPI. O Teatro do Boi esteve orgulhoso em receber, pela primeira vez, um exercício de ópera. Teresina agradece a iniciativa da Federal.