sexta-feira, 9 de março de 2012

A manha é ser?


A manha é ser?
por maneco nascimento

A manha é ser ou é estar? Há uma discussão, ou pelo menos um incômodo sociológico e, às vezes, psicoeducacional, de que a sociedade está deixando de ser para estar. Da fuga do infinitivo ser, a onda é estar bem na festa badalada, na fita, na moda, na coluna de fofocas e de celebridades e, por ai vai.

Nas regras da gramática à construção das frases, orações e regências verbais, as análises semânticas exigem a separação dos verbos de ação dos de ligação. Assim se aprende que os verbos ser, estar e, às vezes, ficar não refletem ações, mas ligações nas construções sintáticas.

Dessa feita, “ser ‘boniiita!`” e “está sozinha”, por exemplo, seriam de realização sintático-semântica de orações de verbos que ligam informações de regência para verbos de não ação.

Deixando a aula de português e suas idiossincrasias para a sala de aula, mas ainda variando sobre o mesmo tema, “ser” enquanto verbo não dinamiza ação, é adequado à contração da regência adjetivada, enquanto que “ser” na função de substantivo abre o outro precedente à palavra.

E quando a manha é ser, então fora da gramática, a vida do ser pode ser + bela, ou + sujeita a distúrbios comportamentais. Porque às vezes “(...) Ela só quer ser! mas o pior é que ela é! (...)” (José Quaresma/banda Validuaté). Mas vamos ficar na arte, que a cor da vitória tem sabor de ressignificação do sujeito, ou seja, do ser.

A Cia. de Teatro da Tribo, de Franklin Pires, está de volta com + uma pérola de seu repertório à saga de paródias teatrais que retira gancho da série de cinema americano “vampire teen”, a saga crepúsculo. A próxima empreitada que estréia, nesse final de semana, dias 10 e 11 de março de 2012, às 20 horas, no Theatro 4 de Setembro, é “a sátira corpúsculo - a manha é ser”.

(arte cartaz de "a manha é ser", da sátira corpúsculo/acervo: Cia. de Teatro da Tribo)

Franklin Pires, Bid Lima e Luciano Brandão, o triângulo amoroso do enredo paródico “a manha é ser” para o filme “Amanhecer”, intronizam-se nas peles de o vampiro “não + estéril”; a mocinha, não + virgem e o lobo bom(lobisomem), enquanto alcunham, de modo bem humorado e escatológico, as personagens imortalizadas ao mass media:

Bella Swuan (Bid Lima é”Bela Suína”), Edward Cullen (Franklin Pires, o “vampire teen, Eduardo Cualém”) e Jacob Black (Luciano Brandão, o lobisomem, “Jacob Pink” ). A trinca da trama histriônica desempenha o melhor mote para os colegas atores com quem divide a cena, em conspirado projeto estratégico do riso e entretenimento.

A saga crepúsculo: “lua nova” e “eclipse” já receberam tratamento de texto, direção de Franklin Pires e ainda faltava “amanhecer”. Para a tríade, em paródia à sátira corpúsculo, ficar completa faltava um dado. Já haviam sido realizados capítulos para “corpúsculo” e “eclampse”, em palco e cinema ligeiros. Agora chega quentinha do forno, a montagem para o palco, “a manha é ser”.

Apropriada dessa febre juvenil incursionada em paródia para teatro e cinema locais ao lazer e entretenimento, a experiência tem-se mostrado muito bem aceita pelo público infanto-juvenil de Teresina.

Ao assumir o exercício da paródia, num inteligente e comercial produto para o público do gargarejo direcional, a tribo de teatro da Cia. de Teatro da Tribo vem colhendo bons frutos e tem rendido boas risadas a quem concorre a “fenômenos”, recriados a partir de textos, roteiro e direção dramatúrgica de F. Pires.

No apoio logístico de cena ao vampiro, à mocinha e ao lobisomem estão, de vez, os atores Edith Rosa, Odirene dos Santos, Bruno Lima, Zé Carlos di Santis, Nayara Fabrícia,  Júnior Vieira, Alex Reis, Danilo França, Nilda Neres, Fernando Goldan, João Vasconcelos e Gleyciane Pires.

A montagem de “a manha é ser”, caso siga o caminho das pedras franklinpireana, terá o mesmo percurso das sátiras anteriores, fará rir, criará identidade do gargarejo e incômodo aos puristas de plantão.

Se Pires, em sua ousadia inteligente de mercado, só quer ser ou não, não se discute. Ele e sua Cia. de Teatro da Tribo estão para “a manha é ser” e para a prova dos nove.

De sorte é que o teatro em suas manobras de sobrevivência será sempre melhor do que a falta do exercício de teatro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulheres de Falas e Oralidade


Mulheres de Falas e Oralidade
por maneco nascimento

De email recebido com o título “Mulheres e Flores” e, deixado no estaleiro à posterior curiosidade, ganhou forma hoje 07 de março. Vinha “emprenhando” a ideia de escrever sobre o tema Mulher. Não por nada não, mas logo, logo será comemorado uma das datas + emblemáticas de luta por direitos sociais e conquistas políticas de liberdade de expressão feminina.

8 de março – Dia Internacional da Mulher, para que nunca se esqueça do incidente fatídico de fins do século XIX que tentou calar a voz da mulher, durante protesto em fábrica do admirável novo mundo.

“No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, (...) A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.” (www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher...)

Tratar da Mulher com o respeito à coragem das carbonizadas, no século 19, e ao percurso histórico de todas as que vieram depois, para reforço da força da voz que ganhou novas geografias e campo de atuação em resposta ao mundo não + só dos homens, mas dos gêneros homem e mulher com espaços e direitos de cidadania plena em avanços dia a dia.

Assim, o email “Mulheres e Flores” que trazia as falas de grandes mulheres que o mundo proveu à posteridade, abriu mote. E a homenagem necessária vem na forma de sua oralidade constituída, por exemplo, “Tenha em mente que a pele fica enrugada, o cabelo se torna branco, os dias se transformam em anos, mas o mais importante não muda. Sua força interior.” (Madre Teresa de Calcutá, missionária católica albanesa, 1910 – 1997).
(madre teresa ou beata madre teresa de calcutá/foto colhida da wikipédia)

E da ciência aplicada vem “Enrugar o corpo é inevitável, mas não o cérebro. Mantenha seu cérebro iluminado e ativo, faze-o funcionar e ele será eterno.” (Rita Levi-Montalcini, neuróloga italiana, 1909. Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina, 1986).
 (rita levi-montalcini, médica da neurologia/foto colhida da wikipédia)

E ainda da ciência, “Nada na vida é para ser temido, somente compreendido. Agora é a hora de compreender mais, para temer menos.” (Marie Curie, física polaco-francesa, 1867 – 1934. Nobel de Física, 1903, com o marido Pierre Curie e Becquerel em estudos da radioatividade. Nobel de Química, 1911, descoberta dos elementos químicos rádio e polônio).

Na arte, destaque a belas e benditas “Já fomos usadas... Mas não se permita ser dominada.” (Angela Isadora Duncan, bailarina estadounidense, 1877 – 1927); “Lembre-se, se você precisar de uma mão amiga, vai encontrá-la no final de cada um de seus braços. Com o tempo e a maturidade, você vai descobrir que tem duas mãos: uma para ajudar a si mesma e outra para ajudar os outros.” (Audrey Hepburn, atriz anglo-belga, 1929 – 1993).
 (isadora duncan, bailarina criadora americana/foto colhida da wikipédia)

Entre divas e fenômenos da mídia salvam-se em dignidade, “A idade não protege contra o amor. Mas o amor, em certa medida, protege contra a idade.” (Jeanne Moreau, atriz francesa, 1928); “Eu dei minha beleza e minha juventude aos homens. Agora dou minha sabedoria e experiência, o melhor de mim, para os animais.” (Brigitte Bardot – Brigitte Anne-Marie Bardot – BB, atriz francesa, 1934).
 (jeanne moreau, diva francesa/foto colhida da wikipédia)

Vozes do Brasil, “Eu sou aquela mulher que escalou a montanha da vida removendo pedras e plantando flores.” (Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, poeta e contista, 1889 – 1985); “Aprendi com as primaveras a deixar-me podar para voltar melhor.” (Cecília Meireles, poeta, 1901 – 1964) e “Eu não tenho tempo para empunhar outra bandeira, apenas a do entendimento, e a do encontro entre as pessoas.” (Elis Regina, 1945 – 1982).

Sábias e donas de seu tempo de fazer história, “Ser persistente, apesar dos que esperam que vás desistir. És rija como o ferro. Não o deixe enferrujar.” (Madre Teresa de Calcutá, missionária católica albanesa, 1910 – 1997); “Existem dois tipos de pessoa. As que fazem e as que apenas falam como papagaios. Tente ficar no primeiro grupo. Há menos competição lá.” (Indira Gandhi, estadista indiana, 1917 – 1984); “Nunca rastejar quando você tem a capacidade de voar.” (Hellen Keller, escritora e educadora surda e cega estadounidense, 1880 – 1968).
(indira gandhi, estadista indiana/foto colhida da wikipédia)

E grandes, porque mulheres, “O amor é como o mercúrio na mão. Deixe a mão aberta e ele permanece; aperte com força e ele escapará.” (Dorothy Parker, escritora estadounidense, 1893 – 1963); “O coração que não sabe chorar, também não saberá sorrir.” (Golda Meir, ucraniana, estadista russo-judia, 1898 – 1978); “O prazer de ser justo nos torna melhores.” (Marguerite Yourcenar, escritora belga, 1903 – 1987).

Sempre políticas e nunca longe da identidade e referências do papel de mulher na sociedade, “Você não pode escolher quando e como vai morrer. Mas você pode decidir como vai viver agora.” (Joan Baez, cantora estadounidense, 1941); “Um relacionamento requer muito trabalho e amor, superar mal entendidos, esquecer os próprios desejos. Mostrar interesse sem nenhum cinismo.” (Nastassja Kinski, atriz alemã, 1961).
(joan baez, cantora americana/foto colhida da wikipédia)


E, sendo belas e talentosas, não se embeveceram na vaidade, “Para ter um corpo esguio, divida comida com os famintos.” ou “A beleza da mulher não é uma moda superficial. A verdadeira beleza da mulher está refletida em sua alma. Na bondade, no amor e paixão que demonstra.” (Audrey Hepburn, atriz anglo-belga, 1929 – 1993).
 (audrey hepburn, beleza e discurso social retos/foto colhida da wikipédia)

Logo, mulheres que formaram opinião e são espelho de orgulho e peça chave no labirinto das civilizações e suas diversidades. E estes são pequenos exemplos, gota no oceano que recebeu caminhos doces vindos de olho d’água nascido da natureza humana da Mulher.

Fonte/pesquisa: www.wikipédia.com.br - a enciclopédia livre
www.suapesquisa.com
Redes sociais: espanhola Blanca Miranda, sem menção à autoria do PPS In tradução livre de migueldurante@hotmail.com/01.03.2012, às 15h11


segunda-feira, 5 de março de 2012

Do pincel e da pena poéticas


Do pincel e da pena poéticas
por maneco nascimento

O poeta William M. Soares (“estado de garça”, 2011) juntou sua poesia às tintas de Gabriel Archanjo e não deu outra. Toda poesia transversalizada.
(capa "estado de garça"/arte da capa ALG publicidade)

As ilustrações de G. Archanjo, outro poema, o das tintas em complemento ao das letras e palavras livres e recheadas de novidades e construções frasais econômicas e determinantes do criador poeta.
  (artista plástico Gabrriel Archanjo do E. S. Neto/foto: arquivo do artista)

Das ilustrações de Archanjo, para interpretações diversas como assim quer a recepção da comunicação:

Um “homem, com seu índio(cocar) no peito de lado direito, de ponta cabeça” (pag. 6); uma “planta florida em seu princípio rumo ao céu” (pag. 9) e em seu verso, “nascida na cabeça, feito cocar, de um bípede” (pg. 10); um “peixe caracol, feito homem pensador, com a flor na boca” (pag. 13); “um diálogo de pai para filho, nascido do centro do olho do lado ocidental, enquanto no oriental desse mesmo centro agiganta-se um sol” (pag. 18). São licenças de leituras de recepção.

Ainda das ilustrações, “uma mulher com uma flor no chapéu” (pag. 21) e no verso (pag. 22) “sua sombrinha aberta que descansa sobre o ombro esquerdo”; “um caranguejo uçá com vaso de flores na cabeça” (pag. 25); “chapéu de vaqueiro com duas antenas e sob o chapéu um sol do Japão” (pag.26). Vê-se o que quer na arte pictórica livre.

E mais, “sol espalhando calor à praia” (pag. 29); “perfil de homem com olho vazando e língua presa” (pag. 30); “o ‘radical`, de cara cerrada olha p’ro norte” (pag. 37); “a montanha e sua sobrevivente mata ciliar” (pag. 41); “caranguejo gentio, de ponta cabeça, em sermão crustáceo” (pag. 42).

Ou “três picos na cadeia da montanha, nascida na cabeça do índio” (pag. 46); “discurso de pai para filho, n’arena, em ponta cabeça, ou dois anzóis em pesca de canoa aérea” (pag. 49); “um rosto deitado, de papo ao ar, com olhar voltado p’ro céu, ou montanha com última mata ciliar” (pag. 54).

Possibilidades de olhar “no close, rosto deitado de olhar ao céu e mata que nasce do olho e boca” (pag. 57) e a “árvore, no close, nascida do olho” (pag. 58). E muitas e muitas outras impressões de livre arbítrio à interpretação dos pincéis e traços de Gabriel A.
 (artista plástico Gabrriel Archanjo do E. S. Neto/foto: arquivo do artista)

Numa parceria entre os pincéis bem traçados e, detidamente fora do convencional e academicismo, a graça e o poético das tintas se encontram com bem traçadas linhas e letras vivas para garças e poesia, Gabriel e William.

E como diria o poeta, para nunca perder rica poesia “(...) duas cores se procuram, suavemente se tocam, amorosamente se enlaçam, formando um terceiro tom, a que chamamos aurora.” (Andrade, Carlos Drummond de. Morte do Leiteiro In A Rosa do Povo, 1945)

(poeta William Soares/foto colhida do portaldifusora.com)

De Drummond para W. Soares só um risco da poesia. E, na analogia poética, de Soares para Archanjo, nova aurora de reinvenções da arte e cultura premeditadas.

Traços e cores, letras impressas no caminho das tintas e novos dias apreendidos para garças e poesia.

Para garças e poesia


Para garças e poesia
por maneco nascimento

O poeta William Melo Soares está com novo vôo na praça. Artífice das palavras e artesão das construções simples, mas recheadas de beleza e rica poesia articulada, esse homem das letras poéticas nunca decepciona, orgulha quem lê suas forjadas loas ao ato poema e força do lingüístico fato de arte e comunicação eficientizados.

(capa de "estado de garça"/arte da capa ALG publicidade)

Um grande livreto, para um grande bolso e a um leitor atento ao mundo de novidades inteligentes, “estado de garça” tem capa e editoração eletrônica da ALG publicidade e ilustrações, belas, de Gabriel Archanjo. Obra, da Coleção Viver Teresina, em uma delicada capa ao azul marinho.

Um sol amarelo ouro, ao alto esquerda, uma garça perfilada e recortada no azul dominante, branca como a alma límpida das flores, beleza e poesia ambientadas. A garça planta-se numa pedra, também branca, em que destaca o nome do poeta sob os pés da ave, sub-recortando o branco dominante, em letras garrafais azuis finas.

Na orelha esquerda, da capa que dobra-se para dentro, a apresentação do poeta e sua novidade impressa, nas palavras de João Carvalho : “tece um estilo original e leve, uma poética socioambiental (...) um bom poema, ao contrário do mau poema, contribui para a construção da língua e elevação da sociedade. Esta é a contribuição da poesia de William Soares.”

Na orelha direita, de dentro para fora e de fora para dentro da contracapa, “eu te levo tu me levas nós levitamos”, o poeta e seu currículo distribuído ainda em letras brancas sobre o azul do invólucro estético do “sanduíche” a ser devorado com todo o prazer de degustação de uma ótima solução de poesia e arte.

As ilustrações de G. Archanjo, outro poema, o das tintas, em complemento ao das letras e palavras livres e recheadas de novidades e construções frasais econômicas e determinantes do criador poeta.

Agora quanto ao poema de William, a partir do último inscrito no livro “ainda é primavera/na rota do beija-flor” (pg. 59), ou na linha do passe poético “erro na linha de passe/gol chorado/(...) pés descalços/dos meninos peladeiros” (campo de várzea, pg. 56). E “um dia manso rural/(...) vento lequiando palhas/de coqueiro no atalho/águas, árvores e pássaros/seguem curso natural” (atalho, pg. 55)

Em seu labor de poeta, “inicio o poema/lapidando pedra/até fagulhar versos” (labor, pg.52). Há muito que William descobriu o fogo das letras no cinzel das palavras e funcionário da poesia “vou vivendo/roendo/ossos do ofício/de escrever” (ossos do ofício, pg. 51). Em sua memória do âmago da solidão, em verso de picadeiro do só “a solidão me puindo/rasgando a lona velha/do circo sem plateia” (abismo, 48)

Para rico galope de expressão “brincam potros indomáveis/no vasto campo da fala/enquanto palavras dançam/na corda bamba do verso” (indomáveis, pg. 47). O bom observador também sabe descrever “do guaíba/ao parnaíba/tua solidão/me socorre” (poemário quintana II, 44) a conversa íntima entre os rios.

Sensível à natureza e à natureza do homem “somos filhos/das águas/dos rios/nossa linguágua/banha a terra (...) o fruto que colhemos/ em pleno cio/acalmará/a inquietude desse amar” (cio das águas, pg. 40) e não esquece que a vida pede socorro “não há nada de novo/na orla do rio/nenhum sinal de alegria/nenhum cheiro de água viva/o rio anda morrendo/pela boca dos esgotos” (rio poty I, pg. 36)

Da vida, memória e sobrevivência “(...) essa gente ribeirinha/segue o rio/vida aflora/pela nadança/dos peixes” (rio poty II, pg. 39). Em homenagem ao músico da terra “(...) um som de flauta/dentro da noite vadia/livre feito passarinho/um mensageiro do bem/viajou ao som da flauta/rumo aos confins do além” (flautas, pg. 35, para netinho da flauta)

Outra homenagem, ao Grande Dobal, “(...) sonhos ruminados/eu me incorporo/aos versos de Dobal/na vastidão/do tempo inconseqüente” (ruminando, pg. 31) e luzes e noites também silentes “notívaga/a mariposa vagueia/sobrevoa/minha insônia/me dá lições de silêncio” (insônia, pg. 28)

Há lírica em beleza e verdade para “sete cidades”; “piau”; “flor de caneleiro”; “b-r-o-brós”; “metáfora da natureza”; “pedra de fogo”; “voraz”; “manhã azul”; “caneleiro”; “céu de maio” e fazendo jus a própria pena da criação

“de algum lugar distante/até onde a vista alcança/margem de rio/ou vazante/me deslumbro/apreciando/a linha do vôo/brancura: a garça rumo ao ninhal” (estado de garça, pg. 7).

(poeta E. Melo Soares/foto colhida do portaldifusora.com)

sir. William Soares detém reinado da poesia e vai “lua acima, rua abaixo” construindo versos à luz da sensibilidade em pura harmonia.

sábado, 3 de março de 2012

"Lugar de Memória"


“Lugar de Memória”
por maneco nascimento

“Não podendo se dissociar o cotidiano da História, do espaço e da escola, a escola é espaço de produção de sentidos e ‘lugar de memória`, tais como o patrimônio arquitetônico e seu estilo que nos acompanham por toda a nossa vida, as paisagens, as datas e personagens históricos de cuja importância somos incessantemente relembrados.” (NORA, 1995 In MELO, Salânia Maria Barbosa. A Construção da memória cívica: as festas escolares de civilidade no Piauí (1930 – 1945. Teresina, EDUFPI, 2010)
(capa de "A Construção da Memória Cívica..."/projeto gráfico: Antônio Amaral)

Salânia Melo, em seu trabalho de pesquisa, edificado para tese de Doutorado, vai remexer nas memórias das festas e comemorações cívicas escolares, ritos e liturgias pedagógico-educacionais fomentados dentro do espaço escolar, mas sobremaneira, os eventos ufânicos e de atração pública em praças, avenidas e espaços determinantes de ovações e participação “inclusiva” do povo e formadores de opinião do governo da renovação nacional.

Com a utilização do recurso da história oral, como reforço e apropriação da linha de trabalho a que buscou alcançar, a autora aponta que

“(...) elegi o relato de pessoas com setenta ou mais anos, em função da relação com a temática pesquisada (...) o sujeito entrevistado vive o passado naquele presente em que chego e remexo seus armazéns de lembranças e esquecimentos guardados (...) reviravolta no tempo, o que ele narra já não é mais o acontecido e sim o que seu achado temporal foi capaz de coar (...)” (Idem, pg. 23)

As memórias das gentes que construíram essa história e a recontam para efeito de lembranças e, talvez, recuperação de mosaicos de uma época ao discurso de novo tempo e de nacional revolução político educacional do espaço escolar que passe a espelhar o “estado novo” e as memórias dessa reconstrução do tempo coadas, através da história oral em que:

“(...) a palavra de quem viveu uma determinada história ganha importância ímpar, uma espécie de recuperação ou reinvenção do passado, no dizer de Catroga (2009, p.7), ‘o homem conta histórias como protesto contra a sua finitude´”. (Idem, 23)

Memórias de professoras, educadoras, estudantes, recortes da imprensa local e da oficial vão cosendo, na tessitura de um período de 15 anos, a cidade, a arquitetura da nova educação e modelo de gestão cercada de direção para acentuar um homem e sua marca governamental e argamassar seu nome ao futuro de “tradições inventadas”.

O texto de Salânia tem cuidadoso equilíbrio do objeto pesquisado para renomear interpretações surgidas. Quem passou por espaço escolar sabe bem das comemorações, das visitas de autoridades, do rebuliço e efusão do quadro de direção e professores em arrumar a cena para receber convidados ilustres. Das criancinhas ensaiadas para recitar uma recepção calorosa de boas vindas.

Lembro, inclusive, da musiquinha preparada às autoridades, “Como vai visitante, como vai? A boa amizade nunca trai. Faremos o possível para sermos bons amigos. Como vai, visitante, como vai?”.

As tradições escolares da pedagogia contextual aplicaram resultados direcionais quando fazia eu o ensino elementar, que dirá nos tempos de diligentes campanhas de confirmação da imagem do “pai dos pobres” e sua obra redentora do Brasil.

E, entre dados bibliográficos da pesquisa da autora, aponta o cientista Hobsbawn (1997) que “(...) entende ‘invenção das tradições` como um conjunto de práticas, normalmente reguladas por regras tácitas ou abertamente aceitas; tais práticas, de natureza ritual ou simbólica, visam inculcar certos valores e normas de comportamentos através da repetição, o que implica, automaticamente uma continuidade em relação ao passado.” (Idem, 16)

“A Construção da memória cívica: as festas escolares de civilidade no Piauí (1930 – 1945)”, título da ficha catalográfica, ou “A Construção da Memória Cívica - Espetáculos de civilidade no Piauí. (1930-1945)”, título da capa, uma colcha de alinhavo histórico necessário e urgente à memória da escola daquele momento político local.

E que, na “revolução documental” em que, segundo a autora, o conceito de documento foi ampliado e todas as linguagens e vestígios do passado abrem múltiplas versões para o mesmo acontecido

“(...) novos textos, tais como a pintura, o cinema, a fotografia, etc., foram incluídos no elenco de fontes dignas de fazer parte da história e passíveis de leitura por parte do historiador.” (Cardoso e Mauad, 1997, pg. 402 In MELO, Salânia Maria Barbosa. A Construção da memória cívica: as festas escolares de civilidade no Piauí (1930 – 1945. Teresina, EDUFPI, 2010)

Ótima pesquisa, detalhado resultado do “focus” recortado e um delicado recurso do escrito, sob a metodologia de trabalho para memória, história, oralidades a “espaço” físico visível, construído do passado e o invisível abordado à construção de novos saberes e conhecimento do revirado “lugar de memória”.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Mulheres na cabeça!


Mulheres na cabeça!
por maneco nascimento

Quando o dia 05 de março de 2012 chegar, no Bar do Clube dos Diários, será só um início de manifestações especiais ao Dia Internacional da Mulher. De 05 a 09 de março, sempre às 19 horas, a agenda das noites, no centro da cidade, passa por aquele agitado espaço cultural e o tema todo às Mulheres.

O Projeto, “Eu gosto de Ser Mulher” para semana que festejará todas as mulheres do mundo. Logo no início da empreitada de louvores haverá o lançamento da Exposição: “Mulher, Mãe e Professora”, em homenagem às mulheres a partir de fotografias e pintura em telas.

As homenageadas, a atriz Lari Sales; a coreógrafa e bailarina Beth Bátalli; a artista plástica Helô Christina; a atriz Marlenildes Bid Lima, et all. Nesta mesma noite, do dia 05 de março, o Clube do Vinil destacará repertório musical de cantoras e compositoras locais e nacionais.

Já na terça feira, dia 06 de março, “Eu, você e o teatro da minha vida” abre destaque à atriz e Presidente do Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão – SATED – PI, Lari Sales, com sua professora Margarida, no espetáculo “Apareceu a Margarida”, de Roberto Athaide. A sala de aula serve de pano de fundo ao discurso de exceção, no período da ditadura brasileira. Esse espetáculo teve montagem de estreia, na década de 70, com Marília Pêra e causou espécie.

No meio da semana, quarta feira, dia 07 de março, tem o show musical “Eu gosto de Ser Mulher”. A banda, composta por jovens compositoras e instrumentistas piauienses.

Essas mulheres que encantam são: Marilane, no Violão; Camila, no Violão; Sandra, na Bateria; Fabiana, no Baixo; Valdeane, Teclado e Voz e Aline, a vocalista. “Eu gosto de Ser Mulher”, o show, terá participação especial da cantora e compositora Cláudia Simone. O patrocínio dessa noite fica por conta do Grupo Matizes.

Na quinta, 08 de março, Dia Internacional da Mulher, às 18 horas, a presidente da FUNDAC, Marlenildes Bid Lima, oferece “happy hour” - Chá para Elas. Mulheres e rosas em fim de tarde.

À noite, às 19h, a DJ Jaqueline Bezerra constrói Tributo - Homenagem à Rainha do Rock brasileiro, Rita Lee, que promete se aposentar dos palcos este ano. Rita será o nome representante de todas as Mulheres do mundo musical nessa noite. O repertório, histórico das composições e intérpretes do Rock, Blues e Jazz.

Aviso aos navegantes: a programação de segunda a quinta feira, será de entrada franca. Já na sexta feira, dia 09 de março, o público já cativado terá que comparecer com uma taxa de acesso.

O show voz e violão, “A Música nasce assim”, de Fátima Castelo Branco, em dobradinha com a festa os “Embalos de Sábado à Noite continuam Sim”, custará o preço de R$ 10, 00 (inteira) e R$ 5, 00 (meia) entrada. E o casal só paga R$ 10,00.

O show, composições para bossas, verões e outros amores em sambas bossa, penhora todo o melhor repertório da artista Fátima C. Branco.

A festa, será embalada com sucessos dos anos 70, 80 e 90. Produzido por Jôsy Brito, esse momento da noite afinizará grande calor aos embalos de sábados que nunca terminaram. Será do diverso da alegria e convite à felicidade de todas as mulheres do mundo.

Essa será, a Semana, de festejos ao Dia internacional da Mulher. No Bar do Clube dos Diários, não esqueça, começa sempre depois das 6h, cai na confirmação das 7h de noite.

E, salve simpatia! Mulheres na cabeça.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Bossas do coração


Bossas do coração
por maneco nascimento

Nem sempre, nem muito menos, é fácil compor uma boa música. O bom de tocar um instrumento é que se pode experimentar e, ao descobrir a veia da composição, nasce a canção. Fátima Castelo Branco, cantora e compositora, descobriu seu próprio caminho na música popular brasileira.

Concorrente de festivais da canção, nos anos de 1993 e 1995, surgiu para o público como compositora no Canta Nordeste. Em 2001 lançou “Pedindo um Tom” e registrou em cd e songbook o que já vinha ensaiando às raias da canção brasileira.

O bom resultado daquele trabalho e o contínuo laboratório da composição primaram nova entrada. No final do ano de 2011, Fátima lançou “Bossas de Verão” que considera uma forte expressão da carreira investida.
Composições afinadas traquejam o repertório apresentado no novo investimento, sambinhas bossa em que “Meu coração/Se contenta com as quimeras/Das estações/Quem me rege é o tempo da paixão (...) Se é chorinho que ele gosta/Eu sei fazer/Se é nas coxas ou nas costas/Eu também sei/Se é cachaça ou limão/Eu bebo então (...)”. A artista fala de saúde do amor no coração e das horas de verão, sejam das praias cariocas ou de Roma ou Ravena, em “Estate ou Verão”.

Interpretações tranqüilas, já apoiadas por eficientes jogos de palavras, memórias do amor, do desejo, da pureza do pobre coração sem malícia, nem preguiça de amar, o alô das flores coloridas e também da prosa nascida do “Amor Via Embratel”.

Ao tecer canção delicada, “Samba de Outono”, tranversaliza o velho português com o italiano, filhos do latim comum, “(...) Tristezza, per favore vai via/Eu sou Maria da alegria e da folia/Tristeza por favor vai embora/Eu sou Maria e a alegria está na hora.”

As memórias religiosas e das bocas de barro e arte de sua cidade natal, nos Altos de seu sertão, surgem ao revigor da fé e oração cantada, em “Boca de Barro”, na homenagem aos santos e manifestações da cultura popular e que descansam em seu coração de compositora sensível e burilada para sambas muito bem instrumentalizados.

As letras são simples e ricas de emoções e destinos bem definidos à pauta de cifras musicadas, porque seu simples contém verdade das construções fraseológicas. Brinca de metalinguismos às letras musicais em “(...) Minha escala tão cromática de dó vem sustenir/O amor é matemático também é pra se ouvir/Vem engolir o choro da paixão em semitons (...)”.

É assim que fala de amor, em “Uma Mulher (Crê)”, e inspira intertextualidade mítico-histórica ao definir-se “(...) Tua espada é uma mulher/Nas mãos de um semideus/Mortal e imortal se crês/Ou nas garras de um ateu/Crê, tua luz é uma mulher/E esta mulher, sou eu.” Defende o amor e a entrega do amor a quem sempre mereça.
(foto do ensaio para "Bossas de Verão"/fotógrafa Ana Carolina Martins)

A compositora detém-se em um turbilhão de devoção amorosa à feita de Drummond “Pra jogar no mar teus girassóis/Eles foram sós por sobre as ondas (...) Acho que não era eu/Acho que não era eu (...) No mar mora você e eu/ E um girassol que se perdeu.”, “O Mar e o Girassol”, poesia pura em nota musicada.
 (foto da capa de "Bossas de Verão"/fotógrafa Ana Carolina Martins)

Em “Nosso amor”, interpretada por Dandinha, o amor é de toda parte, do mar, da arte, de Renoir, da lua, “das estrelas que são tuas”, das sinfonias de Bach e da doce canção dessa Fátima “Onde o governo é o nosso coração”.

E em picante sustenido compõe beijo que acende fogo, blues e solfejos de sons de línguas amantes que misturam a libido com as salivas e em seu programa de domingo “solta os bichos” numa trilha de “Um Blues Pela Cidade”.

Com humor de quem aprendeu e colhe o riso das construções de sons e tons de boa música, Fátima graceja numa “Ideia com Acento” para evoluir gramáticos brinquedos composicionais em que “Eu sou ditongo crescente/Formando um hiato com você (...) É a átona da sílaba e eu a tônica/Sou seu eterno dilema como o velho trema/Escondido em meu poema (...) O novo acordo ortográfico não é tão geográfico (...) Mas vê se entende meu Português (...)”.
(foto do ensaio para "Bossas de Verão"/fotógrafa Ana Carolina Martins)

De brincadeira séria em brincadeira livre, a letrista trabalha sufixações sonoras do R numa marchinha intitulada “Vamos Pensarrrr Rrrr...” e se desarma na seriedade da cantora “(...) Pra botar mais rrrrrr neste carnaval (...) Ninguém pensa melhor que Nikita/Vó, ‘o rato roeu a roupa do rei de Roma...`”, em exercício brincante de trava-língua. 

Para romance de confissão, em “Discreto de Doer”, não nega a doidice do amor que, sem pedir licença, opinião e na desobediência “(...) chega meio assim, desajeitado/Brinca e ri do seu passado/Descompassa o coração/Vira a cabeça e faz chorar sem ter razão/O amor em mim nasceu/Tão discreto de doer (...)”

Fátima não é só uma ótima compositora, mas sabe traquejar com o risco das palavras e descrever, competentemente, para melodias de canções as armadilhas das paixões e de amores rendidos aos amantes.

Ainda apresenta um pout-porri, na dobradinha de vozes envolventes, a dela e a de Dandinha, às músicas “Teu Coração Ainda É Meu”; “Teu Traquejo” e “Pedindo Um Tom”.

Fecha o produto em grande estilo, para Bossas do coração, ao brindar homenagens à cultura piauiense do turismo, das praias e serras azuis, da gastronomia, das memórias afetivas e festas populares, das geografias do coração povoado de “Nossas várzeas, nossos rios/Vaqueiro aboiando e tambores ancestrais (...)Trago em meu peito o Brasil/E dentro dele o Piauí (...) minha Teresina/E dentro dela a minha cajuína (...) Eu trago a morenice brasileira mais bela/de Manuela” em versos de “Manuela Cajuína”.
(foto do ensaio para "Bossas de Verão"/fotógrafa Ana Carolina Martins)

Fátima CBranco em suas bossas, sambas de verões, na melhor pauta da canção, um prazer aos ouvidos e um convite à boa música popular brasileira.