quarta-feira, 1 de junho de 2011

Tecido e amarrado

por maneco nascimento
O Cordão Grupo de Dança apresentou nova peça de seu repertório, dia 18 de maio de 2011, às 19 horas, no palco do Teatro Municipal João Paulo II. Núcleo de artes cênicas direcionado, com coordenação do coreógrafo Roberto Freitas, desenvolve sua prática na Escola Municipal Prof. João Porfírio de Lima Cordão.
O espetáculo “Pessoas” reúne um elenco de 20 bailarinos em cinqüenta minutos de atuação. Concepção, direção e coreografia de Roberto Freitas, a montagem fecha-se em linha editorial de aproximação e distanciamento, de encolhe e puxa relações de estranhezas e identificações, de espelho e realidade poética de demonstração de identidades.
Grupo de bailarinos seguros, eficazes nas corporizações coreográficas e dinâmicas quentes às dramaturgias dançadas. O mapa discursivo coletivo de reflexão para os encontros de relações sociais na igualdade e nas diferenças fica claro na linguagem apresentada. Define-se em falas simbólicas através de corpos e do corpus definidos por estética limpa.
Ponto de equilíbrio elogiável na integração e interação de artistas com necessidades especiais com os outros colegas de cena. O desempenho é o + natural possível. Representado o discurso na mais clara igualdade da dialética em prática artística.
Em dias de recuperação de espaços a quem esteve encolhido em suas “deficiências”, o espetáculo “Pessoas” sai com a vantagem natural de acomodar luminares, signos em franco processo de políticas de comunhão social e política artística.
Todo o corpo dançante é pura expressão de liberdade às impressões comoventes ampliadas à assistência do público que pode apreciar a língua e as falas de “Pessoas”, do Cordão Grupo de Dança.
Duas dezenas de corpos eficientes. Atenções atraídas a Agdaiana Pereira, Aurialayana Pereira, Débora Lima, Deusiane Pereira, Felipe Santana, Francyelle Silva, Greisey Carvalho, Irislene Mesquita, Isabel Nascimento e João Victor Nascimento.
Sem perder de vista Larisse Montgomery, Marcos Thiago Abner, Maria Eduarda Ribeiro, Nadyallyssy Barbosa, Raian Santos, Renato Costa, Rita Lima, Robson Plácido, Talita Carvalho e Wesley Santos.
Parabéns ao projeto bem afinado, ao coreógrafo (Roberto Freitas) e à ensaiadora (Weyla Carvalho). De “Pessoas” para pessoas a arte quebra barreiras e emenda novas possibilidades de dança para olhar ao tecido e amarrado à manhã de sol transversal.

Cena de iniciação

por maneco nascimento

O Grupo Teatral Eava Fênix apresentou sua melhor prática de iniciação da cena proposta, no palco do Teatro Municipal João Paulo II. A montagem vinda de Caxias, no Maranhão, “Maria, simplesmente Maria” mostrou sua força de expressão dia 28 de maio de 2011, às 19 horas.
Com texto e direção geral de Erika a. V. de Almeida, a peça desliza por crônica ligeira de cabaré society do século 19, em dias de Brasil a novas imigrações e reunião de línguas diversas, acorridas ao novíssimo mundo tropical.
Em ambiente de “rendez vouz” ao abrigo de fantasias dos barões do café e toda uma aristocracia sedenta de sexo, as vidas comezinhas de cocotes e mulheres outras traficadas para o negócio dos prazeres, é que o enredo quente cruza o destino de quatro Marias e seus amores disputados.
A construção dramatúrgica textual não peca pela ausência de informações, peca por excessos que vão caindo aos borbotões nas falas contextuais históricas das personagens apresentadas, deixando muita gordura na dramaturgia de cena. O texto de diálogos e solos de apresentação das Marias pesa por inflexões fracas, ora das protagonistas, ora dos antagonistas e coadjuvantes.
Maria Molambo, a africana, ex-escrava que exercita a própria liberdade no cabaré, não consegue ser convincente na pele da atriz que a interpreta. A coreografia de apresentação não se sustenta, nem como manifestação de ritos africanos, nem como iniciativa coreográfica produzida para o fim. A prosódia dirigida para inflexões textuais está no lugar comum. Imitações pejorativas do falar regional que se vê aplicado nas novelas de tevê.
Maria Ana, a índia traficada da selva amazônica para atender a capricho do Barão, chega sob uma construção da personagem de performance imberbe, não há muita verdade nem nas falas nem no corpo para perspectivas do universo gentio. A personagem só tem um crescimento quando o guerreiro, seu amor, vem resgatá-la da selva de pedra. Há uma boa intenção em serem humorados, mas fica um apelativo fácil sem consistência de técnica no que se vê.
Marie François tem, na intérprete, uma desenvoltura mediana em cena, a maioria das falas é gritada. Os textos esganiçados enfraquecem a essência da personagem. A atriz apresenta um sotaque francês satisfatório que sustenta até o fim. Mais economia dramática e ouvido aplicado a si mesma, talvez alcem a intérprete a melhores cenas. Os silêncios, aparentemente inexistentes nas construções frasais, é o que melhor costuram entonações e inflexões acertadas.
Maria Padilha, a espanhola, na pele de Erika Almeida, consegue ser destacável do início ao fim. A atriz apresenta uma maturidade natural e consegue contracenar quase o tempo inteiro em que presente na cena. Segura o espetáculo, quase a carregar a densidade óbvia sobre as costas da boa intenção de não deixar a cena morrer.
A economia e maturidade, mesmo no dramalhão por vezes aquecido ao enredo, estão melhor aplicadas na intérprete de Maria Padilha. Também têm desenvoltura significante o ator que compõe o Joaquim Martínez, personagem passional e amante extremo e o que dá vida a Juan Galhardo, este último intérprete tem mais tranqüilidade de apresentar sua construção de ator para a personagem.
De modo geral o elenco é muito jovem, com pouca experiência de palco e, numa possibilidade de apresentar-se em cena profissional, acabou por desequilibrar o exercício do exercício que deve-se aplicar na hora do “pega pra capar”.
Os atores que exploraram o faxineiro(beato) e o coreógrafo(sobrinho do dono do cabaré)ao tentarem ser + histriônicos que a própria natureza os propiciou transformam suas cenas em histerias e gritos, criando ruídos à comunicação dramática.
Os pontos + fortes do espetáculo, as coreografias de disputa da mulher amada, centro do furacão do triângulo amoroso. Os atores, de sangue quente, expressam toda a verdade de sangue espanhol possibilitado. Os olhos, os corpos e a energia existentes dão o maior convencimento ao ato de fingimento proposto.
Como explicou Erika Almeida, o novo elenco trazido a Teresina teve pouco tempo de ensaio. Mesmo com as deficiências visíveis, os intérpretes de “Maria, simplesmente Maria”, que compõem grupo envolvente de crianças, adolescentes e jovens se aliam numa força comum e defendem sua obra com toda a dignidade possível.
No mundo mágico do teatro, em que o universo conspira a favor das respostas à cena, “Maria, simplesmente Maria” cumpre bem seu papel e forja a própria história à memória do teatro de Caxias, no Maranhão.

O direito enviesado

por maneco nascimento
Nunca se havia presenciado tanta manifestação, com todo direito, acerca dos direitos humanos; dos avanços sociais nas políticas públicas afirmativas; nos estatutos escudando as defesas antes negadas e ou vilipendiadas; nos códigos de defesa cidadã; nas novas tábuas das leis do mundo contemporâneo.
De sorte é que com denúncia, flagrante, testemunho e fiscalização social, nossas crianças estão melhor amparadas pelo código. Só desprotegidas, por vezes, pelos próprios parentes, aderentes e perversos do entorno doméstico e familiar.
O estatuto do idoso também tem aberto um sinal de alerta. As novas mídias e as novíssimas tecnologias são as guardiãs, em provas cabais, de que está cada vez + difícil torturar ao semelhante sem que haja alguém para registrar.
Seja um adolescente esfaqueado na saída de uma balada, seja um “pai” chutando os próprios filhos e arrastando-os feito bichos brutos, seja um bebê maltratado ou idoso humilhado, o olho que a tudo vê, desvenda e apresenta à expiação pública o lixo antes envolto de mistério e segredos.
As delegacias de proteção às minorias e em defesa da mulher também ascendem a sociedade a um modelo legal a ser absorvido pelo coletivo e sua cultura idiossincrática. No último maio do ano corrente, o Supremo Tribunal Federal bateu martelo e assinou o direito à união estável entre pessoas do mesmo sexo. Ponto à sociedade diversa e ao Brasil de todos os matizes.
Entre o direito constitucional e universal a qualquer cidadão, o maneirismo ao direito enviesado também tem força de fogo queimando em monturo. Um pai, em Santa Catarina, foi posterizado pelo celular de um dos filhos, de 17 anos, cansado de agressão. Para denunciar seu algoz, filmou o próprio pai chutando os filhos menores. Preso em flagrante, o agressor foi solto sob fiança de hum mil reais, paga pelos avós paternos das crianças.
Também em Santa Catarina, adolescentes disputando uma garota numa boate acabaram sendo expulsos da balada pelos seguranças. Na rua, sob o olho da câmera da cidade alerta, esses mesmos adolescentes cercaram um “alienígena” que recebeu uma facada mortal de um menor, com seus doze anos completos, de adrenalina perversa.
Noutra plaga brasileira, um adolescente de doze anos afogou a namorada que suspeitou estar grávida e, de quebra, usou do mesmo expediente com a amiga da namorada, para que não sobrasse testemunha. Inquirido pela polícia sobre ter levado a cabo os homicídios, mesmo depois de saber que a namoradinha não estava grávida, confessou que as matou porque estava revoltado.
Pai e madrasta que atiram criança pela janela; filha que premedita com namorado a morte dos próprios pais; neta que mata os avós porque se recusassem a dar-lhe oferta endereçada ao pastor de igreja evangélica; neto que mata avós por não darem dinheiro que alimentasse a fome de “pedra”; advogado que mata a namorada e atira o corpo em lagoa de centro urbano; jornalista que mata a namorada por ela resolver acabar o romance com ele e tantas + tragédias iguais aos borbotões, encharcando as páginas policiais brasileiras.
Esse é o país de Deus brasileiro, do futebol e samba exportação. É também de im(p)unidade preservada, ou por vezes protelada da força da lei até que caia no esquecimento. Como aos de + idade é dado o direito enviesado de acabar com a vida da parceira que lhe rejeita, por que não seria didático a um adolescente tirar o sopro de sonhos da “sua ficante”?
Da lição aprendida, se sabe de cor. O brasileiro é agressor, assassino, estuprador, político corrupto, legislador da proteção da própria condição moral e bandida e, julga e prende conforme a dança social de contexto conveniente.
Aos protegidos de direitos, toda sorte no Brasil de raça mestiça. Aos de direitos enviesados tanta sorte na casa da proteção das leis paralelas e dos deuses de pés de barro e barriga coroada de poder manipulável.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Duas Danças

Duas Danças
por maneco nascimento
O SESC Amazônia das Artes 2011 trouxe ao palco do Teatro Municipal João Paulo II, na tarde do dia 20 de maio, para público estudantil da região do grande Dirceu, dois espetáculos das cênicas. Resultados de duas companhias distintas, em seus caminhos de nova dança.
O espetáculo do primeiro momento, das 15 horas e 30 minutos, “Palmares”, montagem da Organização Ponto de Equilíbrio – OPEQ aborda um viés histórico do Brasil afrodescendente, de forma didática e ilustrativa do samba, capoeira, ritos religiosos.
O elenco dançante cumpre bem o papel, tem uma sintonia que vai se fortalecendo com a dialética entre o velho e o novo experimentado. Coreografias horizontalizadas no sentimento do povo negro e sua identidade expandida têm função variável entre o social e o antropológico.
As músicas compostas por Saquá e Ricardo Totte garantem uma energia extra que vem tanto dos poetas escolhidos, entre eles Castro Alves, como das melodias de elaboração de raiz. Os dois músicos presentes desde a estréia da peça musical estão muito à vontade. Os novos integrantes ao grupo de “back vocal”, Jorjão e Cláudia Simone, ainda muito fora da água e terra prometidas.
Jorjão prefere tratar do menos para não comprometer, já a cantora Cláudia Simone, muito empolgada, desvia a atenção do foco principal, os solos e coletivo dos bailarinos. Faz um showzinho à parte, não houvesse limites da direção do conjunto, talvez invadisse a cena. Cria ruídos à comunicação que quer parecer limpa em toda a dramatização musical.
 Coreografia e Direção de Valdemar Santos ficam dentro da proposta de release, embora a nova dança aplicada não consiga desviar-se do desenho introjectado do clássico. Mas não fere a arte.
O segundo tratado daquela tarde, “Problema de três corpos”, reúne duas intérpretes-criadoras da Cia. Luzia Amélia. Uma cadeirinha de plástico, cor-de-rosa, e fios de Ariadne costurando o chão de linóleo completam-se com as evoluções das duas bailarinas.
Segundo o release da Cia., “As ações se apresentam como reflexos de acumulações feitas durante a evolução temporal para dar novo significado”. Mover corpos, experimentar planos e penetrar invisíveis. Pulverizar o vazio de notas soltas de corpos em movimento é o que parece ao público comum.
A quem se detenha na cata de ligações direcionais, não as encontra fácil. É um estranhamento, um provocativo do discurso da dança contemporânea fora do círculo aristotélico. Aos de repertórios diversos, meio gesto basta para aproximar qualquer identificação.
Lembra muito projeto, desenvolvido durante algum tempo pelo Núcleo do Dirceu, alcunhado de “Instatâneo”. Dentro da linguagem distanciada de esvaziar + o já pouco preenchido, consegue deixar aberta a porteira da teoria da recepção que encaminha qualquer observador a tirar sua própria conclusão.
“Problema de três corpos” abre uma questão da nova ciência às cênicas para resoluções matemáticas de respostas diversas. E como diz o discurso setentão, de releitura nessa contemporaneidade, “quem não entendeu, que entendesse”.

domingo, 15 de maio de 2011

Talento é ciência


por maneco nascimento

Ciência é vantagem. Elemental e de razão diversa. Com todas as vantagens e aplicações culturais dadas aos sinais de fé, por exemplo, há aqueles que se confirmam e outros que não necessariamente recebem testemunho de confirmação.

Dessa forma, nem tudo pode ser obra do espírito santo. Há seus sinais, mas há outros que devem ser atribuídos à própria fé humana na razão, na ciência e no labor ao conhecimento aplicado.

Talento é inato, sim. As projeções desse talento podem também ser redefinidas e reincorpadas ao + talento que caminhe pelo científico. É assim em qualquer manifestação de prática humana, de confirmação da própria ordem de identidade e fator social     à posteridade de história e memória.

Logo, ninguém nasce feito, está óbvio. O moderno da era primitiva ganhou novas roupagens no moderno do mundo contemporâneo e por ai vai-se humanidade descarteana. Também não cai do céu, pronto para varejo, o conhecimento humano. Muitas inquietações e dúvidas transformam sombras em luz, depois de muito quebra-cabeça desvendado.

O mundo acadêmico é feito de doutores, mestres, aprendizes e colaboradores. Todos, em algum momento, se esbarram para confrontos, medidas, estranhezas, aceitação e negação de conhecimento, quer + interativado, ou não.

 Da máxima socratiana “sei que nada sei”, + construtivista que muitos comportamentos verticais de ensino-aprendizagem ainda praticado nesse mundo contemporâneo, há quem verticalmente precise manter-se distanciado do aprendiz, por fazer-se compreender degrau acima em conhecedor do conhecimento.

O douto vertical debate-se à própria vaidade sufocante. Aprendiz, o nome já vende, representa a própria condição de fome de saber algo de alguém que aprendeu antes, que está na ponta do conhecimento, pois mais curioso, ou com melhores oportunidades. A ciência é de natureza humana, teoricamente também solidária pelo menos para efeito de continuidade científica e sociológica.

Então quem é mestre ou doutor não precisa verticalizar relações, especialmente acadêmicas, porque ninguém tira espaço de ninguém. As hierarquias existem naturalmente em quaisquer culturas, só não precisam invisibilizar relações + iguais. Conhecimento é obra de esforço, de dedicação, disciplina e muitas horas de estudos laboriosos.

Ciência do tangível e intangível, o conhecimento pode ser moeda de melhores trocas, de maiores interações e quando de aplicação + humana planar na órbita da vontade de compartilhamento desinteressado. Ciência em talento direcionado, do aprender a aprender, do ensinar aprendendo.

+ Sábios, geniais ou brilhantes, ainda mortais. Voltam ao mesmo átomo comum, mesmo pó nivelador da fogueira das vaidades. Então em sendo + sabido, quem sabe + generoso? Porque conhecimento não é lei divina, é prática humana. Não é para humilhar, nem separar e muito menos criar barreiras intransponíveis de comunicação.

Quem conhece, sabe. Quem sabe é dono do seu conhecimento e pode trocar experiência com o de outrem, parceiro de ciência aplicada. Então que se seja melhor “macaco” porque de cavernas e sombras já se avançou muito. Saltar para trás nem o homem caranguejo que sempre desliza à sobrevivência a sua frente.

Talento é ciência, ciência é humana e humanidade é divina, mesmo que reservada a voltar à origem, do pó ao pó. Conhecimento nunca foi cegueira. O que tem cegado a humanidade é o temor de perder espaço. Ninguém toma espaço de ninguém.

Não se abre mão do que se tem como domínio próprio, ainda que tomado. Mesmo no mito, mais humano só conhecendo a si próprio para aprender a dividir o conhecimento que é livre como partículas da matéria que compõem também o invisível. 

terça-feira, 10 de maio de 2011

Cena recolhida

por maneco nascimento
(arquivo)
O furacão “Raimunda Pinto, sim senhor!” apascentou as memórias percorridas. Desceu à galeria das montagens aposentadas. O ator e produtor executivo de teatro, Francisco Pelé, também timoneiro da peça fenômeno de público, em todos os tempos piauienses, resolveu encerrar a carreira da menina dos olhos populares, do riso e do entretenimento.
Depois de várias tentativas do protagonista do espetáculo de levá-lo ao estaleiro, dessa feita deu-se por fim o propósito. Com estréia agendada nos dias 04, 05 e 06 de junho de 1992, no palco do Theatro 4 de setembro, ficou em cartaz por dezenove anos bem vívidos. Conquistou as platéias do Brasil por onde a cearense leporina contou sua história.

(arquivo)
“Raimunda Pinto, sim senhor!” fez rir a público de uma, dez, de cem, de trezentas, de quinhentas e de mil e oitocentas pessoas. Ganhou prêmios nos + diversos festivais brasileiros e deixou rastro luminoso de teatro moderno, bem distante do morto que vaticina Brooke. Abriu linguagem de contemporaneidade às velhas e gastas escolas que enviesaram a raiz aristotélica.

(arquivo)
Amada por muitos brasileiros. Foi odiada por alguns que, a princípio, não a entenderam e depois desenvolveram uma “inveja saudável”, quando teriam que dobrar-se ao sucesso de novidade, de expressionismo aplicado ao simples da dramaturgia conceitual e de propósitos.

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Para alguns era uma viadagem. Para outros um equívoco. Para os de canais abertos, uma comunicação eficiente sem ruídos, mas ruidosamente incomodativa. Alunos cariocas foram vê-la, em temporada no Teatro da UERJ, depois de lerem crítica negativa de Bárbara Heliodora. Para eles qualquer espetáculo condenado pela Heliodora merecia ser conferido, não se decepcionaram.
Numa das últimas apresentações em São Paulo, no Festival Latino Americano de Teatro, na Sala Jardel Filho, foi ovacionada e tratada como primorosidade de efeito inteligente, humorado e de corpos que falavam como que por coreografias pensadas para a dança. Nada que o Grupo não tenha estudado e aprimorado ao longo da vida. Mas sempre foi só exercício do ator em teatro sempre vivo.

(arquivo)
Quando ganhou prêmio da FUNARTE à circulação em Brasília, no começo dos anos 2000, foi considerado o espetáculo de melhor público dos que passaram pelo Teatro Dulcina(Conjunto Nacional). Como recompensa voltou em nova temporada para mesma Casa de espetáculo.
Circulou o centro oeste, nordeste, sudeste e sul do país. Ficou devendo seu bom humor a Manaus, Belém e outras plagas do norte. Mas nas cidades do interior do estado, nas capitais do Brasil visitado, em cima de caminhão, de mesa, praças abertas, beira de rodovias, Teatro de bolso, ginásios poliesportivos e pátios de escolas, não há quem guarde qualquer queixa.

(arquivo)
 Só a memória do bom riso e felicidade de compartilhar a saga da cearense subdesenvolvida que descobre seu pássaro azul e volta ao seu Ceará para criar galinhas, mandar rachar o céu da boca, para voltar a ser fanha e colher ovos azuis, verdes, amarelos de Adilza, Adilfa e Adelfa. O discurso do genial Chico Pereira da Silva transversalizou Pound e Gaudí e reverberou a própria memória afetiva.

(arquivo)
“Raimunda Pinto, sim senhor!” que começou carreira fazendo campanhas beneficentes ao Lar da Esperança(Graça Cordeiro), recolheu a cena em nova campanha. Dessa vez em benefício à Casa Sorriso, Associação de Apoio aos Fissurados e Portadores de Lábio Leporino(Dra. Lúcia Carvalho). A apresentação para platéia lotada ocorreu no Teatro da Assembléia, no último dia 7 de maio de 2011, às 19.30 horas. Fenomenal!!”

(arquivo)
Elenco junto há quase duas décadas, composto nessa última fase por jorge carlo(Mãe/Enfermeira); francisco pelé(Raimunda); arimatan martins(Palhaço Goiabinha); francisco de castro(Izaura); fernando Freitas(Lindalva); maneco nascimento(Doutor Kildare/Milionário); marcel Julian(Marinheiro/Seu Gregório) e airton martins(Playboy/Getúlio Vargas).
Músicos que preencheram a pauta musical, Edgar Lippo(in memória); Donizeth Bujigia; Pizeca; Betinho; Juroba; Marcos Oliveira e Zaqueu da Sanfona. Agradecimentos muito especiais aos atores Dirceu Andrade, Amauri Jucá, Moisés Chaves, Elielson Pacheco, Ozanan Sobrinho e Mariano Gomes.

(arquivo)
Raimunda recolhe-se deixando um rastro de luz e sombras. Em claros e nebulosos mapas estelares guarda-se às melhores memórias conquistadas e acata decisão do intérprete carro chefe que protagonizou a anti heroína e deu-lhe o descanso conveniente.
(arquivo)

Poesia é vida

por maneco nascimento
À noite do dia 06 de maio de 2011, a partir das 18 horas, no CENAJUS – Centro Nacional de Cultura e Cidadadania/Espaço da Cidadania, leia-se, prédio que, anteriormente, abrigou a Justiça Federal, o palco foi de poesia encenada, recitada e repercutida aos atentos convidados do “Sarau da Cidadania”.

Projeto que envolve a parceria da Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, com a Justiça Federal no Piauí teve expansão de liberdade, expressão criativa e simplicidade que ganha a vida e poetas, através de sua obra dada à posteridade.


O evento aberto por Laurenice França - FMC e o juiz federal Dr. Carlos A. Pires Brandão – CENAJUS foi se fortalecendo à medida que as manifestações culturais poéticas ganharam força de envolvimento e interação natural.

Na cena, os atores M. Nascimento, Vitorino Rodrigues e José Dantas reproduziram, respectivamente, as falas de Carlos Drummond de Andrade (Caso do Vestido e A Morte do Leiteiro); Salgado Maranhão (Sol Sanguíneo) e H. Dobal (A Cidade Substituída).


No recital, para as leituras espontâneas, as obras de poetas brasileiros do moderno e contemporâneo ato literário. Não sobrou dúvida que o “Sarau da Cidadaniafez-se à luz em expansão. Magistrados federais, artistas, crianças e muitos outros convidados, na mesma energia integrada, venceram a timidez e deram sua melhor contribuição em definição à arte e cultura das letras poéticas.


Da Caixa de Poesia foram resgatados à leitura: Drummond, Quintana, Cora Coralina, Torquato Neto, entre outras grandes expressões nacionais. Da verve musicada, Garoto/Chico Buarque, Paulo Coelho/Raul Seixas, Gilberto Gil e Vinícius de Moraes também tiveram representação de homenagem.


Como o evento tem como prerrogativa animar o espaço do CENAJUS também como atividade cultural que envolva poesia, música e encontro com o exercício da arte, cultura e cidadania, o “Sarau da Cidadania” cumpriu, com eficiência, o papel de aglutinar pessoas em mesmo propósito.


Reuniu intenções comuns e culturais, estimulou o encontro e o desempenho natural e participativo do contributo cidadão e, especialmente, incentivou a produção artística compartilhada. Jovens, adultos e crianças recitando nossos poetas, guardaram consigo a memória do ser artístico ao alcance de qualquer um.

Uma boa leitura, quase nunca tem contra indicação. Logo, as leituras poéticas, realizadas em 06 de maio de 2011, durante a primeira versão do Sarau naturalmente reverberarão em outras oportunidades.

As leituras do mundo, que passem pelo universo das construções coletivas, flexibilizam novas iniciativas do criativo para sociedades + justas e sujeitas do ato comum que integrem cidadãos. Então que se deposite o crédito de que esse novo Projeto ao viés da poesia e seus autores poderá ter vida longa a novos e participativos encontros poéticos.