sexta-feira, 8 de agosto de 2014

À Marcela, com carinho

III CiMosTe homenageia Marcela Aragão
 (Marcela Aragão e amigas de tevê/image face Marcela Aragão)

Teresa Marcela Aragão, um dos nomes de produção cultural de Teresina, na área de audiovisual, será a grande homenageada na III Cine Mostra Teresina. Marcela é profissional que ninguém contesta. 
(Marcela entre colegas de trabalho/image face M. Aragão)
Desde os anos de 1980 que a vídeo maker Marcela Aragão tem contribuído à produção cultural de publicidade, vídeo, televisão e cinema da cidade. Ela está para essa linguagem cultural, como  sua alma da artista está para as câmeras e fotografia em movimento.
(Guimarães e Aragão, em dia de trabalho/image face M. Aragão)
Cinegrafista, diretora de fotografia, diretora de tevê, editora de tevê, criadora de peças publicitárias, produtora de tevê, coordenadora de produção executiva de tevê, diretora de programas de tevê, diretora de programas de auditório/tevê, atriz de televisão em projetos que se desenvolveu na Fundação Antares TV e Rádio Educativas do Piauí, na década de 80/90. Também emprestou seu talento a direção e produção executiva de programas eleitorais em Teresina e cidades do interior do Piauí.
(Marcela Aragão dirigindo programa de tevê/image face M. Aragão)
Aragão já marcou passagem pelas agências Convence Publicidade e Árvore Propaganda. Também coordenou a pasta de Cinema, Vídeo e Fotografia da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, na gestão do prefeito Wall Ferraz. Foi criadora do Projeto de Festival de Vídeo de Teresina – FestVídeo, que já tem para mais de 20 vinte anos de existência.
Por mais de uma década desenvolveu a profissão em programas de televisão (auditório e estúdio) no Sistema Meio Norte de Televisão. Atualmente é diretora de televisão na TV Cidade Verde, onde consegue não só a atenção de profissionais da área, como também agregar artistas, técnicos e colegas de profissão ao seu jeito peculiar e amigo de envolver temas e a pautas a uma estética diferenciada na linguagem de televisão local.
(Soraya, Eliete, Claudinha Amorim e Marcela/image face M. Aragão)
A III Edição do Cine Mostra Teresina acontece na segunda feira, 11 de agosto, homenageia a nossa Marcela Aragão. A Cine Mostra Teresina será exibida no palco do Theatro 4 de Setembro, a partir das 19 horas, com Entrada Franca. 
A noite será de confraternização entre os profissionais audiovisuais e seu produto lançado a consumo na cidade e em outras glebas onde a produção local alcança.
A Mostra reunirá cinéfilos e amantes do cinema e também revisitará a produção audiovisual de nossos realizadores. Visa estimula o olhar ao cinema por aqui produzido. 
O Cine Mostra Teresina está incluído no Projeto MOSTRATHE (Cultura The) que será lançado na mesma noite de segunda feira, 11, para acontecer em setembro. O MOSTRATHE é patrocinado pelo Armazém Paraíba, através do SIEC/Governo do Estado e envolve música, dança e teatro, em quinze dias de atrações culturais ofertadas à cidade, gratuitamente.
O CiMosTe já homenageou o cineasta piauiense, Alan Sampaio, em 2012; o jornalista, radialista e produtor executivo de tevê, Solfiere Markham, em 2013 e, nesse ano de 2014, Marcela Aragão recebe o merecido privilégio.
(Sofiere, homenageado 2013 e Marcela, 2014/image face M. Aragão)
Na III CiMosTe serão exibidos filmes, nas categorias animação, clip, documentário, experimental, ficção e teaser, produzidos pelos criadores Douglas Machado, Levi Magalhães, Noronha Filho, Hasley Andrade, Otávio Almeida/Vagner Ribeiro, Avelar Amorim, Franklin Pires e VR Produções/Conexão Street.
Serviço:
III Cine Mostra Teresina
Lançamento do MOSTRATHE (Cultura The)
Dia 11 de agosto de 2014
Theatro 4 de Setembro
Às 19 horas
Informações - Ademilton Moreira de Sousa
 (86) 9925 3421

Para pequenos

Príncipes, raposa, serpente e aviador

+ um infantil chega ao palco do Theatro 4 de Setembro. O Pequeno Príncipe - O Musical, abre temporada de estreia nestes sábado e domingo, dias 9 e 10 de agosto, no horário das 17 horas.
O espetáculo é uma adaptação, de Franklin Pires,  para um clássico da literatura universal. Do original de Antoine Du Saint-Exupéry, o aviador que se tornou célebre escritor, especialmente, por causa de seu carismático Pequeno Príncipe. 
O autor, é natural de Lyon. Filho de conde, tinha nome real. Nasceu em 1900 e desapareceu no mar mediterrâneo, em 1944, durante o período da da segunda grande guerra. Chamava-se Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry. 
Ficou popularmente conhecido como Antoine Du Saint-Exupéry e jamais ´poderia imaginar que suas páginas de aquarela e poesia, atravessariam tantas gerações, encantando crianças, jovens e adultos do mundo inteiro.
O Pequeno Príncipe já conta 70 anos de existência. Essa obra, do autor francês, já encantou através de filme, desenho, cd, jogo e tudo que os personagens do mundo pop têm direito, e sempre manteve o diferencial, é um maiores clássicos da literatura infantil. 
Para Franklin Pires, a ideia que os jovens de hoje têm de clássico é que é algo antigo, obsoleto. Mas, justamente, o clássico se torna clássico porque é eterno, atemporal e provoca hoje a mesma emoção que provocou na data de seu lançamento.
Pires, diretor de teatro e responsável por uma releitura musical da obra de Exupéry, aposta nisso em sua nova montagem. Com a ousadia de transformar em musical grandes obras da literatura ou do mundo pop, em sua versão d'O Pequeno Príncipe, que estreia dias 09 e 10 de agosto, no Theatro 4 de Setembro, Pires traz a poesia original e suas reflexões filosóficas, atreladas a uma poesia visual que será feita com projeções de desenhos animados em aquarela, feitos pelo próprio Franklin e os figurinos coloridos de Danilo França.
A música, promete o diretor, será um espetáculo à parte. Um revival dos anos 80 embalará os momentos do Pequeno Príncipe, vivido por três atores em cena. A direção musical será do pianista Laércio Barros, um grande nome de sua geração, na execução de clássicos, como os hits Carimbador Maluco e Lindo Balão Azul.
(Ruan, Gleyciane, Franklin, Ana Paula, Afonso/acervo Teatro da Tribo)

O Pequeno Príncipe – O Musical, reúne os cantores/atores, os irmãos Franklin e Gleyciane Pires e os aspirantes aos palcos, Afonso Pereira e Ícaro Ruan, que se revezam na fase jovem do Pequeno Príncipe. A serpente estará na pele de Danilo França. E a bailarina mirim, Ana Paula,  estreará como atriz, no papel da raposa.
 (irmãos Pires[Franklin e Gleyciane], Ruan e Afonso [os Príncipes] e Ana Paula [a Raposa])

Um mundo de fantasias se afinam com um diverso para Bonecos, desenhos, música e dança, que pontuam o espetáculo. O lúdico e o alegre dividirão a cena com momentos cheios de melancolia que antecedem o apoteótico e triste final, presente no livro. Mas nenhuma criança ficará insatisfeita, pois o Príncipe, finalmente, ficará com sua rosa tão bem regada de carinho.


Todos são convidados a serem cativados por nosso Pequeno Príncipe, encantados pela Rosa, apaixonados pela raposa e entretidos por tantos adultos bizarros, conhecidos pelo habitante mais célebre e único do planeta B-612, ao longo de sua vida que só tem um objetivo curioso: amigos a conhecer e lugares a descobrir.
Serviço:
“O Pequeno Príncipe” - Adaptação da Obra de Antoine Du Saint-Exupéry 
Estreia 09 e 10 de Agosto
Às 17h – Theatro 4 de Setembro.
Direção: Franklin Pires
Figurinos: Danilo França
Elenco: Icaro Ruan, Afonso Souza, Ana Paula, Gleyciane Pires, Franklin Pires e Danilo França.
Ingressos Antecipados: R$ 40.00 (Inteira) e R$ 20,00 (Meia).
Informações: 9958-4752/3222-7100

III CiMosTe

Cine Mostra Teresina 2014

A III Edição do Cine Mostra Teresina terá sua exibição, dia 11 de agosto de 2014, segunda feira, às 19 horas, no Theatro 4 de Setembro.  Em sua terceira versão, de revisitação ao produto audiovisual de Teresina, o evento acontece no mês de aniversário da cidade e comemora Teresina em seu surgimento e os desdobramentos que se estabelecem na arte e cultura da cidade verde que conta, nesse 2014, 162 anos de vida.
O Cine Mostra Teresina nasceu da curiosidade e desejo, de cinéfilo, de reunir nossa produção audiovisual, tanto recente quanto de anos anteriores, e criar um canal de exibição para que mais pessoas tenham acesso a esse produto cultural.
O Projeto visa estimular a cidade a absorver, comentar e abrir possibilidades a que surjam novos incentivos à criação e produção audiovisual. 
Quem faz cinema, quer mostrar, circular, ser visto pelo maior número de pessoas. O Cine Mostra Teresina tenta atrair a atenção a esse produto e ampliar o leque de possibilidades da circulação do cinema local.
As duas primeiras edições do CiMosTe tiveram local de buchicho no Espaço Cultural “Osório Jr.”, do Complexo Cultural Clube dos Diários/Theatro 4 de Setembro.
(exibição CiMosTe - Ano 2 (2012)/divulgação)
A I Cine Mostra Teresina aconteceu dia 16 de agosto de 2012 e era alusiva ao aniversário de Teresina e aos seis anos do curta experimental “O Cine Rex e Nós”, dirigido por Alan Sampaio, o homenageado daquele ano.
(Ademilton Moreira, idealizador da Mostra/divulgação)
Já a segunda Edição teve sua exibição no dia 02 de setembro de 2013 e fez parte das comemorações de aniversário do Theatro 4 de Setembro. O homenageado foi o ator, produtor executivo de tevê e jornalista Solfiere Markham, um dos profissionais, de televisão local, que fizeram diferença nos anos áureos de produção da Fundação Antares – TV e Rádio Educativas do Piauí.
(Solfiere Markham, homenageado da II Cine Mostra Teresina/divulgação)
Este ano, o Cine Mostra Teresina participa do Projeto MOSTRATHE (Cultura THE) e homenageia a criadora, produtora, diretora de tevê e uma das grandes batalhadoras e operárias das artes visuais na cidade, Marcela Aragão.
Com a realização desta Edição, o Projeto Cine Mostra Teresina já registra, para a exibição, mais de 30 trabalhos, de mais de 20 resultados audiovisuais locais. 
Entre os realizadores que serão exibidos na III Cine Mostra Teresina 2014, Douglas Machado, Levi Magalhães, Noronha Filho, Hasley Andrade, Otávio Almeida/Vagner Ribeiro, Avelar Amorim, Franklin Pires e VR Produções/Conexão Street, nas categorias animação, clip, documentário, experimental, ficção e teaser.
Serviço:
III Cine Mostra Teresina
Dia 11 de agosto de 2014
Theatro 4 de Setembro
Às 19 horas
Informações - Ademilton Moreira de Sousa
 (86) 9925 3421

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Diário de um

Belo Aborrecido
por maneco nascimento

A noite do dia 5 de agosto deu à Teresina + uma estreia de espetáculo. Desta feita, uma montagem que reuniu a dramaturgia de cena e direção de Luciano Brandão e a adaptação de texto ao palco e interpretação de Júnior Marks. 

Numa realização do Grupo Humanitas de Teatro e produção executiva da Caju Produções, "O Amor é Assim e não Assado", a peça,  cumpriu seu rito de passagem ao tempo de dar prática ao aprender a aprender à hora do pega pra capar.

A cenografia, de Wallancy Nunes, praticáveis coloridos encaixáveis à formação de novas formas no jogo de desmonte da narrativa apresentada. Do teto pendem varetas gigantes em dialética às vezes das varetinhas jogadas, na área de margem do proscênio, quando se dá + um início de espetáculo. A medida que a cena é composta, os praticáveis vão se acomodando ao desenho dramatúrgico.

Da mochila da personagem, Neto, são retirados adereços que contrarregram em complementação cenográfica. Um teclado de computador, branco; uma tolha de banho, branca; duas sacolas de papel com marca de grife de butique, marrons; um boné, branco, desdobrado e dobrado, depois de usado, como a exemplo de dobradura asiática; um telefone de fio, de teclas, branco e outros elementos que são sacados da mochila, à medida da exigência do enredo, um livro, outro livro e um programa de peça de teatro nacional, com foto do elenco, que circulou pela história da personagem.
(registro de celular, de Marcelly Oliveira)

A iluminação, Wallancy Nunes, marca os tempos de marcas do cenário móvel e das idas e vindas idiossincráticas da personagem, enquanto vai e vem no tempo assimétrico da narrativa. A sonoplastia, Luciano Brandão, vai desenhando a envergadura do sentimento passional que não encontra na personagem construída, por Júnior Marks, correspondência ou sintonia que decodifique ouvido de intérprete aos reclamos da trilha.

Esta que vai preenchendo a ação naturalista e de (des)pretensioso exercício do ator ao método sem Brecht, nem Grotowski, nem Stanislavski. Só há o intéprete em ação de queda livre sem, ao menos, as asas de Ícaro.

O texto adaptado do livro, Quando o Amor é Assim e não Assado, está na carpintaria teatral, com força dramática e intenções inteligentes. A composição textual soa bem, garante uma boa oralidade e até se compreende as inflexões, mesmo que venham com uma (des)carga de pouco esforço. Não há ruídos comprometedores, há comunicação truncada ou desligada da construção da personagem + contundente, expressiva e com sangue no olho, sem cair no lugar comum da caricatura.

Têm, as falas dramáticas, um apelo natural do texto irônico, mas que desusam o bom humor contido, nas linhas e entrelinhas, e caem na hibridez do despejar, sem saborear o tempo das palavras, nem construções frasais que costurariam melhor a compreensão do amor que sendo assim e não assado, assaz perde seu tempo no ar de um "noir", sem requinte de cinema com seus silêncios, economias, tempos de esperar e de enfurecer do vazio ao preenchimento da fúria em furacão mudo.

As falas repetidas a ecos, ou redundâncias que acionem vozes marcadoras conversacionais de ratificação do discurso, mereceriam um desfribilamento do coração da paixão distanciada à cena, com efeitos de nuances eletrocardiogramáticas que definam variação sobre o mesmo tema. Ouvir + à própria voz, talvez reverbere melhor recepção e estética de vigor dramático da personagem, defendido por Marks, na prática do ator.

Há um desenho dramatúrgico, de Brandão, que define imagem e signos da desconstrução da personagem e que emblematiza o monta e desmonte da natureza questionada e expiada do homem-adolescente-homem que se traduz às vezes de Marks. O coloquiaslismo imprimido por Marks enfraquece sua própria atuação.

Por vezes, com toda liberdade de compreensão da licença poética, ao rito de aproximação do método do distanciamento, o que parece retornar à onda que cai e volta a se levantar é que há pouca influência das marés e as fases lunares de Marks horizontalizaram o matiz da diversidade da cor dramática.

O diário do belo aborrecido não corresponde às inscrições impressas nos praticáveis, nem na poesia que poderia apontar para a quebra do comum e apresentar a simplicidade, sem perder a correspondência da carta lida ao amor de adolescência. 

Romper o paradigma, sem perder a tradição, acreditar no brinquedo do fingimento e convencer para reiterar a arte de fingir no eu ao outro que espera a ponte que liga o artista a seu público. A despretensão do resultado de "Quando o Amor é Assim e não Assado", a peça, causa estranhamento. Logo, gera conflito e sem conflito não há teatro.

Teatro pronto é teatro morto. A construção da personagem, dos construtores da cena, está em processo paulofreireano, aprender a aprender a lição que "sabemos de cor, só nos resta aprender", repetindo o exercício do exercício. 

Teatro peterbrookiano vive, em Luciano e Marks, mesmo quando não parto, ou que fique, talvez exija maior pragmatismo, pelas mãos forcepsianas, que renda partitura intérprete criativa e ato criador de deuses sapientes de pés de barro.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Todo Dia é

Dia de Teatro
por maneco nascimento

" (...) Mas guarda Belo não acredita na cor assim
ele decide o terno velho assim assim
porque ele quer o velho assado
porque ele quer o velho assado
mas mesmo assim o velho morre assim assim
e o guarda Belo é o herói assim assado
por que é preciso ser assim assado

por que é preciso ser assim assado." 
(Assim Assado. Sucesso de Secos & Molhados. Composição de João Ricardo/Paulinho Mendonça)

Hoje, 5, é dia de Teatro. Estreia no Theatro 4 de Setembro, às 20 horas, o espetáculo "Quando o Amor é Assim e não Assado", montagem adaptada de obra homônima, escrita por Júnior Marks, que também monologa a narrativa, no palco. Com dramaturgia de cena e direção de Luciano Brandão, o espetáculo tem produção da Caju Comunicação. 

"Quando o Amor é Assim e não Assado", a peça, chega ao 4 de Setembro para marcar os 15 anos de carreira do ator, diretor, professor de língua portuguesa e, agora também, autor. 

O realizador do espetáculo, o Grupo Humanitas de Teatro, com criação e sede em Timon-Ma, desde 2000. A montagem ajunta, ainda, na concepção cênica, poesias de Cairo Brunno, músicas de Patrícia Mellodi, cenários de Wallancy Nunes e figurinos de Bid Lima. 

Discutir as (im)possibilidades de amor, paixão, aprisionamento nas fantasias adolescentes, fascínio (in)consciente pelo melhor amigo, é mote da imersão de um homem, em vias da meia idade, ao próprio passado. Neto, de 30 anos, regurgita as memórias afetivas do menino de 15 anos, que vivera um amor recolhido e dividira sua idade e geração de afinidade com Hiago.

Assim Assado; Assim e não Assado; Quando é Assim e não Assado; Quando o Assim é Assado, ou Quando o Assim é do Assado, todas e tais questões desdobradas para refletir a ordem convencional, ou a quebra dessa ordem que existencializa ser ou não ser a própria natureza reclamada. 

A vida, ou a morte das escolhas e das desescolhas de viver a vida como ela é. Como ela seria se fosse diferente, ou não, quando se romantiza os desejos e vontades apresentados nas memórias revisionadas do adolescente, feito homem, enquanto ebulicionava os hormônios (in)direcionais ao melhor amigo. "O Amor é Assim e não Assado".

Marks, aproveita a estreia do espetáculo, nesse dia 5, para lançar sua primeira iniciativa em romance.

"O ator, diretor teatral e escritor, Júnior Marks, é natural de Fortaleza - CE, timonense radicado e honorário e atua na militância da Cultura do estado do Maranhão e do Piauí. Coleciona em sua carreira de 15 anos dedicados aos tablados piauienses e maranhenses grandes personagens que modificaram o cenário cultural da região.. O Artista além de estar em cartaz com grandes espetáculos estreia como escritor com o romance 'Quando o amor é assim e não assado'. (texto da contracapa de "Quando o amor é assim e não assado")

domingo, 3 de agosto de 2014

Na voz das Sanfonas

Herdeiros de Mestre Lua
por maneco nascimento


A tarde de 1 de agosto foi invadida pelo Bando de Sanfoneiros que preencheu de luz e energia musical a Procissão das Sanfonas 2014. 
As ruas do Centro de  Teresina se encheram de alegria em vozes sanfonadas, em préstimos de homenagem a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. 
Sanfoneiros, zabumbeiros, triangueiros e violeiros embalaram a tarde do centro da cidade, com as memórias musicais do cancioneiro gonzaguiano. 
A Procissão das Sanfonas segue o ritual de missa, a partir das 15 horas, bênção das sanfonas para, em seguida, o grupo de sanfoneiros sair, da Catedral de Nossa Senhora das Dores, enveredar ruas em xote, xaxado e baiões do Brasil de nordestes musicados. 
A caminhada pelo centro até o Museu do Piauí - Casa de Odilon  Nunes, local de soltar vozes no campo da dispersão da homenagem.
(6a. Procissão das Sanfonas/ imagem www.diariodopovo-pi.com.br)
Já em sua sexta edição, a Procissão das Sanfonas é uma realização da I Colônia Gonzaguiana do Brasil (Teresina - PI), que tem em um dos seus + entusiastas e herdeiros fiéis da tradição gonzaguiana, Wilson Seraine, um amor ímpar pela obra, vida, fortuna crítica e artística do velho e querido Lua, o nosso Luiz Gonzaga.
O evento atrai a atenção e participação de artistas, intelectuais, músicos, amantes do Rei do Baião e  os populares que vão sendo incorporados ao cortejo das honras em memória da voz do cotidiano e vida licenciada na poesia aos sertanejos. A homenagem se revigora ao aniversário de morte do Luiz Gonzaga.

A saudade, invenção brasileira, se mata no peito enquanto revigora a graça da lembrança que se guarda de Gonzagão, desaparecido há 25 anos. As músicas festejadas confirmam a alegria, bom humor e estética de preservação da memória social e das falas coletivas, imprimidas no eixo musical de Luiz Gonzaga e seus parceiros. A marca, de registro da memória nacional, que músicos, sanfoneiros da gleba brasis, enlevam é ao livro do riso e do nunca esquecimento.

Reunir no cortejo, sanfoneiros meninos, jovens, adultos e maduros, com dedos afinados nos acordes da sanfona, revigora a profissão de sanfoneiros, acordeonistas, revitaliza a história do artista, tema da Procissão. 

Entre os novos sanfoneiros, Davi Lima, Gabriel Gaspar, Vanessa Lobão e Artur Pereira de Sousa, de 96 anos. Este dividiu acordes, de oito baixos, com a nova geração de músicos que aciona continuidade da história e revigor da memória e práxis sanfonada da música gonzaguiana.

Patrimônio cultural brasileiro, Luiz Gonzaga, e sua arte, tem mantido a chama acesa da história e música festejadas. Aquele que não só é o Rei do Baião, mas o homem brasileiro, pernambucano de Exú, no agreste nordestino, que melhor cantou sua terra, sua gente, vida e costumes, a simplicidade e humor peculiares da cultura sertaneja, sua voz e pertencimento.

A Procissão das Sanfonas facilita a revisitação ao velho Lua e orgulha a quem sabe quem é Luiz Gonzaga, o nosso Rei do Sertão cantado. Na chegada da Procissão, na calçada do Museu do Piauí, os músicos e sanfoneiros de tradição cantaram Luiz, seus sucessos inesquecíveis de forrós, xotes, baiões e xaxado e deram ao público, que prestigiou o evento, uma alegria e prazer em dividir participação com os sanfoneiros que cantam e vivem o Lua.
O apelo de participação à Procissão é irrecusável. Trata-se de Gonzagão e os sanfoneiros piauienses; convidados de outras praças brasileiras, presentes; e a comunidade partícipe não poderiam não participar. Festejar o Mestre Lua, sua experiência doada na caminhada musical que empreendeu ao país, é prazer de qualquer nordestino. 
Preservar a cultura da música popular brasileira, a de língua viva do Nordeste, em que a sanfona é linguagem orgulhosa de ser presente, sempre, na manutenção das sonoridades consolidadas no fazer musical da velha sanfona, a de Luiz era branca, e que vinha acompanhada de um chapéu de couro, identidade do artista.
Na  lembrança de todos, Luiz Gonzaga sempre retorna. A sanfona, a voz do artista e a presença dos sanfoneiros confirmaram a do Mestre Lua, que riu a Teresina, pois sua voz da sanfona se garantiu, muito bem, na tarde de 1 de agosto, no gesto sócio cultural promovido pela I Colônia Gonzaguiana do Brasil e por um dos seus escudeiros + febris, Wilson Seraine.
Parabéns à Procissão das Sanfonas, essa festa é nossa e ninguém tasca!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Joanna, a brasileira

É das canções Nos Bailes da Vida
por maneco nascimento

Uma palco com bambolinas brancas (cortinas de fugas às coxias) amarradas, quatro em cada lado da cena, cintiladas pelas cores da iluminação. Um tecladista/back vocal, centro à esquerda, e um baixista/back vocal, centro à direita.
 (A voz em vezes de Joanna/foto Antoniel Ribeiro)

Na direita palco, médio frente, uma poltrona colonial, em couro branco, sobre um tapete felpudo variável do branco gelo e uma mesinha, lado esquerdo da poltrona, com toalha estampada em marrom, cobrindo-a até o chão. Sobre a mesa um vaso de flores brancas.

(Joanna em luz, músicos e cenário/foto Antoniel Ribeiro)

Nesse cenário se espalha a voz e presença assentada de Joanna, a brasileira, que revela-se "Sou das canções/Antes de mim e de você/Tem essa voz/Antes de perguntar por que/Lembre de nós (...) E diz: -É mesmo assim/Quem sabe alguém, amor/Sem essa chama na garganta/Possa te acompanhar/Enquanto eu vivo e sigo/Com o coração/A alegria de cantar", e solta a chama na garganta porque é "Chama" (Geraldo Amaral/Aristides Guimarães) da canção.

(Essa Chama na garganta em alegria de cantar/divulgação)

Joanna abriu seu cancioneiro popular, em entrada no Projeto Seis & Meia, dessa quinta feira, 31 de julho, a partir das 20 horas, no Theatro 4 de Setembro, para show acústico-elétrico de um pouco + de duas horas, com "Eu apenas queria que você soubesse" (Gonzaguinha) e encheu a plateia de vitalidade e voz inconfundível da cantora que começou, também, como todo artista que sabe aonde o povo está. 
(Ela é das canções/divulgação)

Revirou seus sucessos emblemáticos e, entre tantos, deu um recado ao seu público no belo hit, de Renato Teixeira, imortalizado na voz da cantora que preencheu as paradas de rádio, "Mandei um recado/Pro meu namorado/Nos classificados de um grande jornal/Pedindo que ele um dia apareça/Antes que eu m esqueça/E melhore o astral (...)". Um ótimo "Recado" na melodia rara e sentimental brasileira.

Tantas inesquecíveis canções, lembrou do presente recebido por Milton Nascimento e "Nos Bailes da Vida"  foi que "(...) muita gente boa pos os pés na profissão/De tocar um instrumento e de cantar/Não importando se quem pagou quis ouvir/Foi assim (...)", porque para a intérprete também foi assim. Não teria sido diferente a construção da própria carreira que Bituca reconheceu em si mesmo e na nova voz que surgia no país.

Na intimidade do palco e público, falou do desejo de cantar em espanhol e "Intimidad", dirigido por Armando Manzanero, veio enriquecer a noite em "Quiçás" e outras músicas de identidade linguístico melódico de terras d'Espanha.

(Joanna, a brasileira, nos territórios da canção brasileira/divulgação)

Das homenagens, disse que sempre quis cantar um poeta vivo brasileiro. Lembrou do centenário de Caymmi e de Vinícius, mas cantou Chico enquanto utilizou o cenário da sala de estar. Acomodada na poltrona luxuosa, interpretou "O Meu Amor"; "João e Maria"; "Olhos nos Olhos" e, à vontade, ainda sentada, pos os óculos e leu na folha de papel, enquanto cantou, o que chamou de uma carta em resposta ao Brasil da ditadura, 

"Meu Caro Amigo", em que "A Marieta manda um beijo para os seus/Um beijo na família, na Cecília/e nas crianças/O Francisco aproveita pra/Também mandar lembranças/A todo o pessoal/Adeus". 

Para trazer de volta o Gonzaguinha, contou uma história de sua estreia, aos 22 anos, em 1979, em que alguém da plateia assistiu ao seu show e, ao final foi ao camarim. Ela perguntou se a pessoa havia gostado do show. Ele respondeu que não e, em resposta à pergunta dela, que ficara em choque, ele teria dito que ela passara o show inteiro de olhos fechados e aconselhou-a que ao cantar olhasse nos olhos daqueles que a amavam. Uma das grandes lições aprendidas em sua  iniciação de show biz.

Do grande Gonzaguinha dourou "Guerreiro Menino", emblemática melodia gonzaguiniana de "(...) Um homem se humilha/Se castram seu sonho/Seu sonho é sua vida/E a vida é o trabalho/E sem o seu trabalho/Um homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata/Não dá pra ser feliz/Não dá pra ser feliz/Não dá pra ser feliz/Não dá pra ser feliz" e, também "(...) Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar/e se perder e se achar e tudo aquilo que é viver (...) Nascendo, rompendo, rasgando, tomando, meu corpo e então eu/Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando/Feito louca, alucinada e criança/Sentido meu amor se derramando/Não dá mais pra segurar (...)" (Explode Coração).

"Fascinação" também marcou a sua presença e soou, aos bons ouvintes da MPB, lembrança e homenagem a Elis Regina. 

Foram as duas horas + desejadas que não se findassem. Desse prazer musical, no Projeto Seis & Meia, Joanna foi classe, talento, carisma, respeito ao público e domínio centrado em show declarado à Teresina. "Eu precisava do carinho de vocês", confessou a artista.

(A chuva de azuis em Joanna, no Seis & Meia/foto Antoniel Ribeiro)

O Projeto retornou à Casa, depois de duas versões realizadas na Galeria do Clube dos Diários, enquanto o Theatro sofria reformas necessárias e urgentes a devolver o local a seu público e artistas desejosos de ocupação. Na Galeria, o furacão Wanderleia, a eterna Ternurinha, e Fafá de Belém, a Bela do Norte.

No 4 de Setembro, Joanna, a estela maris despontada nas vagas do mar da canção brasileira e deixando sinais de tempo de sempre existir como memória do cancioneiro nacional da velha e indispensável música popular brasileira. Show a manter na memória dos borderôs do Seis & Meia.

(O grande público de Joanna/foto Antoniel Ribeiro)

No show bis, Joanna, a brasileira, retornou para não deixar de fora a memória em Roberto Carlos, "Eu Quero Apenas" (Erasmo Carlos/Roberto Carlos) e desceu pra galeria dos iguais e envolveu-se em abraços, carinhos, selfies e presença inteira para seu público, enquanto repercutia "Venha comigo olhar os campos/Cante comigo também meu/canto/Eu só não quero cantar/sozinho/Eu quero coro de/ passarinhos/Quero levar o meu canto/amigo/A qualquer amigo que/precisar/Eu quero ter um  milhão de/amigos/E bem mais forte poder/cantar/Eu quero ter um  milhão de/amigos//E bem mais forte poder/cantar (...)". 

Em canto, a doce presença de Joanna, cantou a muitos, feitos milhões, corações de fãs, saudosos, (in)fiéis e curiosos que super lotaram a sessão única do Seis & Meia, que ainda contou, na abertura, com o charme e voz aveludada a swings, jazz, souls e blues e clássicos MPB e pop e Porter e Gershwin e rara beleza da canção de qualquer estação. 

(Rubens Lima abriu show da cantora Joanna/divulgação)

Ninguém precisa viver, sem sentir que arte e cultura se expressam também pela música, voz e melodias e composições da nossa seara resistente, do lado de cá do equador, chamada de Música Popular Brasileira.