segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Qualquer um


Qualquer um
por maneco nascimento

De nós, em algum momento, quem em alguma circunstância da vida não já sofreu alguma forma de repressão, discriminação e preconceito. Por vezes, de forma velada ou jocosa, sutil e bem humorada para descer mais leve, sem arranhar ou parecer um morde e assopra generoso.

Das insutilezas de senso comum, ou frases de (d)efeito, tipo “ mulher gosta de dinheiro, quem gosta de homem é 'viado’”, ou outras + “criativas” que reforçam, como a citada, conotações duplamente qualificadas de preconceito e discriminação, as sociedades estão encharcadas.
  
O mundo “legalizado” de formação de opinião negativa contra as minorias está a toda ponta, especialmente, em dias de acirrada manifestação homofóbica. Neste fim de semana dois homens, casal homoafetivo, ao saírem de um bar na região da Paulista foram abordados por dois outros homens que, entre outras coisas, teriam dito:

 (calçada de local onde ocorreu a agressão/foto: Roney Domingos)

“(...) bichas loucas, vocês deveriam estar mortas (sic) só servem pra transmitir doenças (...)” rememorou em entrevista Marcos Paulo Villa, um dos homens agredidos. Seu desabafo foi feito em reportagem exibida na Rede Globo/Bom Dia Brasil, dia 03 de outubro de 2011.
 (casal na delegacia de polícia/foto: Roney Domingos)

Seu companheiro, que levou um soco na boca e vários pontapés, teve a perna quebrada e o lábio aberto, preferiu não se identificar. Demoraram a dar queixa na polícia com receio de represália.
 (perna quebrada de cidadão espancado por homofóbicos/foto de: Roney Domingos)

“Um casal de homossexuais afirma ter sido agredido em frente a um restaurante da Rua Fernando de Albuquerque, na região da Avenida Paulista. A agressão ocorreu na madrugada deste sábado (1º) quando o casal saía de um bar na Rua Bela Cintra. As vítimas registraram boletim de ocorrência no 78º. Distrito Policial – Jardins e foram orientadas a fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (...)” (Bruno Azevedo e Roney Domingos/G1 São Paulo/globo.com/02/10/2011 - 15h43 -atualizado em 03/10/2011 14h05)
 (vitima olhando a chapa da perna quebrada/foto: Roney Domingos)

Segundo reportagem da G1 SP, o caso foi registrado como lesão corporal e será investigado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância - Decradi. Os agressores, homens brancos, um de 1,80 metro, outro de 1,75 metro. Um de cabelos curtos e ondulados, tatuado em um dos braços. O outro, de cabelos lisos.

“O casal estava com uma amiga no Sonique Bar. Ela foi assediada por dois homens. Segundo Villa, os agressores, com idades entre 25 e 30 anos, voltaram a assediar a moça e começaram a provocar a ele e ao namorado em um posto de combustíveis que fica na esquina das ruas Bela Cintra e Fernando de Albuquerque, chamando-os de ‘viados’”. (Bruno Azevedo e Roney Domingos/G1 São Paulo/globo.com/02/10/2011 - 15h43 -atualizado em 03/10/2011 14h05)

Os espancadores não se deram por vencidos. Talvez por orgulho ferido. Rejeitados por uma amiga de, como eles mesmos se reportaram aos cidadãos, “viados”. Então foram à forra “(...) Na fila do posto, esses dois caras vieram atrás e começaram a falar que a gente era viado, que a gente tinha que morrer, que não merecia viver (...)” (Idem)

Ainda segundo a reportagem da G1 SP, Marcos Paulo Villa retrucou a um dos potenciais agressores “(...) Vocês não sabem o que estão falando. Você é um cara novo ainda, pode ter um filho gay (...)” (Idem)

Talvez tenha sido a deixa que os bravos rapazes paulistas precisavam para consumar o espancamento. No país em que ainda se vê a lição repetida e impregnada no senso comum de que “não tenho nada contra preto, só não quero na minha família”, outro grave discurso discriminatório, bater em homossexuais tem virado rotina e nota de rodapé em página policial.

Em julho último, no município de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, pai e filho confundidos com homossexuais foram brutalmente agredidos.

“Um autônomo de 42 anos teve parte da orelha arrancada durante a briga e seu filho sofreu lesões leves. Segundo a vítima, morador da cidade vizinha de Vargem Grande do Sul, o motivo da confusão foi ele e seu filho terem sido confundidos com homossexuais. Os rapazes, funcionários de uma serralheria no município, negaram que o motivo da briga tenha sido preconceito.” (Tatiana Fávaro d’O Estado de São Paulo/estadão.com.br/22 de julho de 2011)

Em setembro o cronista Cineas Santos registra:

(...) Duas semanas mais tarde, acesso o Portal SRN e me deparo com a manchete: ‘Homossexual é morto com requintes de crueldade em SRN’. Temi pela sorte da ‘Estrela Solitária’. A foto estampada no portal justificava o meu temor: era ela (...)” (Santos, Cineas. Um tango para Desirée [Echos da Chapada do Corisco]. Teresina, Jornal O Dia, 18 de setembro de 2011)

Os criminosos, quase sempre bem jovens. Belos e malditos e donos da rua e da moral vigente de seus círculos de convivência e opinião. Não haverá mudanças caso não haja uma real postura social de convivência saudável também na diversidade.

Não haverá menos homossexuais. Não conseguirão matar a todos. Em algum momento espancamentos e agressões físicas deverão deixar de receber registros em delegacias de polícia como lesão corporal e perder o percurso de lentas investigações.

Orientação sexual não parece ser escolha simplesmente. Acontece e acontecerá em qualquer família. Conviver com a diferença ou será o nosso melhor futuro, ou se terá que conviver com registros infames da espécie detratando sempre a própria espécie.

A sociedade precisa educar-se à nova convivência e educar os seus, ou o futuro será de selvageria e barbárie em que bestas assassinas serão deuses. Qualquer um poderá ser a próxima vítima.












quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Um outro Brasil


Um outro Brasil
por maneco nascimento

 Diz a lenda urbana que certa feita Os Beatles foram tocar em grande evento na Inglaterra, com a presença da rainha Elizabeth e, em determinado momento, um dos componentes da banda teria dito “os pobres batem palmas, os ricos sacodem as jóias”.

Recentemente, na coluna de Mônica Bergamo, ilustrada/Folha de São Paulo, de 25 de setembro de 2011, com tema “Escondendo O Ouro”, a jornalista recolhe depoimentos de empresários, empresárias e seus cônjuges, médico, entre outro (a)s pessoas que, ou já teriam sofrido um assalto a jóias particulares, ou tiveram patrimônio levado no assalto aos cofres do Itaú.
(fotos e imagens de jóias: Gil Sousa/moments particulares)

Entre depoimentos, há o de pessoas com estratégias de esconder jóias na boca até chegar ao local do evento para evitar assalto, ou manter jóias verdadeiras em algum banco e outras de menor valor em cofre doméstico para o ladrão. O uso de jóias(bijouterias), mesmo as mais elegantes e trazidas do exterior, parece ser a solução para se livrarem dos assaltos, haja vista os assaltantes não se interessarem pelas imitações.
(fotos e imagens de jóias: Gil Sousa/moments particulares)
Depois do assalto aos cofres recheados do Itaú, parece pairar um sentimento de que não há mais opção segura. Não seria mais possível ostentar riqueza no Brasil. As jóias deixaram de ser um investimento. 
“As técnicas variam. Algumas guardam na boca. Outras aconchegam nos seios. Há quem até camufle no pote de açúcar. São anéis, gargantilhas, braceletes e brincos que elas não se arriscam mais a exibir. Entre sair de casa e chegar a um evento, inventam todo tipo de malabarismos para evitar assaltos”. (Bergamo, Mônica. Escondendo O Ouro. Folha de São Paulo/ilustrada. E2, 25 de setembro de 2011/bergamo@folhadsp.com.br)
 (foto: 4freephotos)

Dos depoimentos recolhidos, o mais comovente foi o de que “(...) outro cliente, um homem mais velho, está inconsolável porque perdeu cartas de amor da vida inteira (...)” (Idem). Outra informação preciosa é a de que as jóias arrastadas dos caixas-fortes do banco, havia peças, entre outras, avaliadas em R$ 70 mil reais. Ou que alguns clientes de joalheria famosa já haviam ido repor as perdas.
 (foto: 4freephotos)


Sapatos caros, jóias milionárias ou cartas de amor, cada um dos objetos adquiridos e guardados tem seu valor e seu contexto de apego particularizado. Prefiro as cartas de amor, mesmo que ridículas, mas ai há um julgamento muito privado. De sorte é que aos “podres de ricos” com poder e ostentação ameaçados e também aos miseráveis brasileiros com sua jóia da esperança à força de fênix, não tem sido muito fácil resistir a dias melhores.

Desaparelhamento do serviço público de segurança, fortalecimento da ousadia e da técnica de sobrevivência da criminalidade, índices de corrupção e impunidade incorrigíveis dentro e fora dos aparelhos reprodutores da violência.  Para outros contextos os compositores criaram “(...) O Brasil não merece o Brasil (...) Do Brasil SOS ao Brasil (...)” (Querelas do Brasil/João Boco e Maurício Tapajós). Há um outro Brasil que parece nos surpreender, ou talvez não. Só esteja mais revelado, mais sem qualquer escrúpulo. 

Ficha suja, ficha limpa. Quem se importa? Creio que os que batem palmas quando não estão ralando a sobrevivência. Não que os ricos não tenham juntado seu dinheiro com trabalho, claro que sim. Também promovem seus resultados. 

Para berços de ouro ou de palha, vive-se um cotidiano enquadrado na lei dos sem lei. As cercas, as câmeras, as casas fortes e as muralhas instransponíveis são superáveis. Na periferia e subúrbios das gentes simples as portas e janelas também estão protegidas por grades, mas ameaçadas.

Há um Brasil que precisa ser resgatado. Esse outro que se vislumbra parece insustentável aos de bem. Deve surgir uma nova geração de brasileiros que precisará ser a salvação da lavoura e o milagre deverá estar no homem (genérico) e na nova atitude.

A jóia a ser lapidada não precisa de caixa forte, mas precisa ser a fortaleza da sobrevivência do Brasil.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E nosotros?


E nosotros?
por maneco nascimento

”Enquanto que, no Brasil, o Estado abandonou a sociedade, os ricos demonstram maior ostentação e desprezo pelos pobres do que em qualquer país do mundo. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. Continuam na pobreza porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus desconfortáveis, lotados de trabalhadores das grandes periferias e dos subúrbios”. (Carlos Humberto Campos, Sociólogo, Vice-Presidente da ASA BRASIL e Assessor da Cáritas Brasileira Regional Piauí)

Recentemente Teresina, leia-se a dos estudantes, desempenhou papel fundamental à retrocessão da política amiga governo municipal aos empresários de transportes coletivos. Após uma decisão empresária de aumentar a passagem de ônibus de R$ 1,90 para 2.20, os estudantes da cidade disseram não à arbitrariedade do aumento escorchante.
  (estudantes em frente a PMT/foto acervo: www.pstu.org.br)

O tom abusivo e determinante do aumento por deter o poder local, azeitado pelo caminho privilegiado e cheio de meneios de sobrevivência conveniente a quem melhor interessar e dar as cartas teve que amarelar. Os estudantes entenderam diferente a prepotência e, politicamente, deram uma resposta da sociedade mobilizada ao poder público oficial e ao empresário novo rico com postura regurgitada sob a égide de concessões de linhas de transportes hereditárias. 
 (movimento estudantil na frei serafim/foto acervo: www.pstu.org.br)

“(...) Aqui em Teresina, há muito tempo ouvimos falar em licitação para melhorar o transporte coletivo; Há muito tempo ouvimos falar em integração das linhas de ônibus; Há muito tempo ouvimos falar em melhores terminais de paradas de ônibus; Há muito! Entretanto, não há nada. Será que esse discurso também não é vandalismo institucionalizado, amparado por uma legislação que muito vezes prioriza os ricos em detrimento dos mínimos direitos dos pobres? (...)” (Idem)

Nunca em Teresina os estudantes haviam desempenhado tanto sangue no olho. E a reação veio como melhor julgou-se tratar o assunto. No final, embora a população tenha feito sacrifícios para deslocar-se e, premeditadamente, o transporte ter sido tangido ao planejamento empresarial, tentando impor um discurso próprio condenante, o SETUT não conseguiu que os cidadãos tomassem o partido dos donos de ônibus.
 ( estudante enfrenta polícia/foto acervo: manifestação.org)

Houve cortejos de pessoas de ponto a ponto de ônibus, houve problemas de atrasos, ou até de ausência de transporte para voltar para casa, mas não houve sentimento de revolta da população contra a manifestação estudantil. Os filhos de militares, professores, comerciários, ambulantes, empregados domésticos, funcionários públicos, entre tantos moradores de bairros de Teresina andam é de ônibus. 
 (estudante evita ser pisado pelo ônibus/ foto acervo: manifestação.org)

As gentes simples dos bairros e periferias da cidade sabem o valor real de se pagar passagens de serviço precário e concessionado do transporte coletivo “generoso”, oferecido ao cidadão teresinense. Quais prejuízos tiveram os empresários de ônibus? Quais prejuízos tem-se nosotros?
Ônibus lotados, atrasos incorrigíveis, passagens caríssimas, donos de empresas de ônibus choramingando prejuízos que não se sabe de onde saem, porque se paga passagem todo dia. E muita, mas muita gente pega ônibus e ninguém anda de graça. Aliás, tem-se visto o tratamento dado a idosos e, por vezes, a outros cidadãos com direito a passe livre.

Coragem e sangue livre teve a Teresina estudantil que obrigou o poder a capitular. “(...) Essa abandonada e excluída juventude, ainda tem que carregar as severas críticas e acusações dos chamados “Cães de Guardas” de um modelo Político e Econômico, que destrói vidas e aniquila os sonhos, em defesa dos lucros de gananciosos empresários! (...)” (Idem)
 (estudante detida pela polícia de choque/foto acervo: manifestação.org)

A sociedade brasileira parece ter-se habituado com a contumaz corrupção nacional, arraigada do Iapoque ao Chuí. Denúncias contra gestores públicos, meandros de envolvimentos nas instâncias judiciárias, legislativas e executivas. Apropriação indébita do recurso público, investigações freadas por barreira de fórum privilegiado, ou renúncia vazia, magistrados em relações estreitas com vias escusas de julgamento e privilégios “legais”.

Como diz o sociólogo, Carlos Humberto Campos, as autoridades brasileiras deveriam ser modelo e referência de conduta ética para uma juventude tão carente de bons exemplos e que viceja um futuro não interditado por atos ilícitos e políticos de postura duvidosa. 

 (polícia contra-ataca estudantes/foto de Valter Reis/publicada em nazarenofonteles.com)

“(...) antes de condenarmos a ação dos estudantes, é preciso que façamos uma reflexão mais apurada das verdadeiras causas e origens de tais comportamentos sociais (...) sinto-me feliz e nutro a esperança de uma sociedade melhor ao contemplar o rosto indignado de uma juventude que demonstra coragem de lutar pelos seus direitos, pela justiça e pela igualdade. A SOCIEDADE NÃO AGUENTA MAIS ESSE DISCURSO DOS “CÃES DE GUARDA” DE UM MODELO POLÍTICO FALIDO” (Idem).

Nosotros, de qualquer parte do Brasil, também buscamos garantias devidas pela soma de impostos pagos. Não são favores, mas direitos.




















sábado, 24 de setembro de 2011

Galeria Livre


Galeria Livre
por maneco nascimento

A Coordenação do XVI Salão de Fotografia de Teresina – Ano Antonio Quaresma resolveu dar uma esticada no evento e dividir com a cidade umas boas e novas imagens em espaços alternativos que chamam para o Bar do Clube dos Diários, Hall do Palácio da Música de Teresina e, naturalmente, a Casa da Cultura que recebe quatro exposições.

Na Casa da Cultura de Teresina – CCT , as exposições que envolvem o homenageado Antonio Quaresma (Pinacoteca da CCT); as fotógrafas Margareth Margoh Leite, Kátia Barbosa, Yala Sena e Amana Dias Cavalcanti (Varandão da CCT); os concorrentes e premiados (Galeria Lucílio de Albuquerque) e o autor de belas imagens da “América”, Jünger Heinemann (Varandão da CCT). Os resultados, só vendo.

O Palácio da Música recebe a exposição “Velha Nova Teresina”, ensaio fotográfico do jornalista Diego Iglesias e de Alex Fontenele. Reinventam memórias de recuperação, imagens de pessoas, momentos históricos, paisagens antigas e também atuais da cidade de Teresina.

Facilitam, ao observador, uma comparação das nossas sempre memórias, resgate de identidade cultural teresinense e valorização histórica do embora invisível, mas cidades recordadas pelo que já foram.

Agora, na Galeria Livre do Bar do Clube dos Diários tem uma exposição muito sensível também pelo olhar do fotógrafo, pela idéia proposta e pelo nada inusitado, mas diferente de apresentação do nu. O tema do ensaio fotográfico, “A Lembrança Esquecida – a candidez do fruto proibido à androgenia pós-moderna”.

A exposição que ganha espaço e corpo de visitação dentro da programação do XVI Salão de Fotografia de Teresina – Ano Antonio Quaresma, saiu na frente do lançamento do Salão e se assentou naquele espaço de movimentação cultural, durante a abertura oficial do Bar do Clube dos Diários, última segunda feira, dia 19 de setembro de 2011, a partir das 19 horas. Tomou chegada e ficará sob expiação até 22 de outubro de 2011.

 (fotógrafo Jader Damasceno/acervo portalaz)


O artista, Jader Damasceno, estudante do curso de comunicação social – jornalismo da UFPI, aluno inteligente e com tendência natural a tornar-se um fotógrafo de “mancheia” deu um tratamento sutil e sóbrio ao nu que apresenta ao público. Para édens, jardins proibidos, frutos maduros e corpos expressivos, não desgasta-se em gorduras nem saturamento ao apelo fácil.

Fotos em p/b, reproduz corpos masculinos e femininos em que revela e encobre sutilezas de mensagens pelas lentes concentradas. Detém o instante tranqüilo sem pressa de convencer.
 (foto de Jader Damasceno)

Convence porque é dada fotografia e, na sua estética, instantaneiza e friza a idéia premeditada.
 (foto de Jader Damasceno)

Jader Damasceno não só traduz um bom resultado fotográfico, como também atrai o interesse do receptor quer seja pelo cuidado com o fotografado, quer pelo tema escolhido e tratado com razão e sensibilidade em técnica de máquina quente.

Com o sugestivo tema “A Lembrança Esquecida – a candidez do fruto proibido à androgenia pós-moderna”. Damasceno contempla olhares e recepções abertas e completa parceria com o XVI Salão de Fotografia de Teresina – Ano Antonio Quaresma e com João Vasconcelos, administrador do Bar do Clube dos Diários.
 (foto de Jader Damasceno)


Idéias e ações culturais transversalizam respostas práticas para arte e artistas envolventes e envolvidos. A Galeria Livre está chamando pra ser freqüentada. Cumpra essa agenda.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Olhares da cidade


Olhares da cidade
por maneco nascimento

Está aberta a temporada aos olhares de fotógrafos da cidade em clicks expostos. O XVI Salão de Fotografia de Teresina – ano Antonio Quaresma, aberto às 19 horas do dia 22 de setembro de 2011, na Casa da Cultura, traz uma imagem do momento e produtos fotográficos que Teresina gerou.
 (Quaresma: homenageado e Josy Brito: coordenadora do Salão/foto: acervo cidadeverde.com)


Com exposições na Casa da Cultura, Palácio da Música e Bar do Clube dos Diários dá-se um ponta-pé à nova partida de jogos do diverso de imagens e um pedal de estímulo aos clicadores e mágicos da luz e sombras.

(foto divulgação/acervo Salão de Fotografia de Teresina)

Na Casa da Cultura, se pode conferir as exposições dos selecionados e premiados, a das fotógrafas, a do homenageado desta edição e a do alemão em registro de identidades na América. A Galeria de Arte Lucílio de Albuquerque absorve os concorrentes selecionados e premiados.

Na categoria Ensaios Fotográficos, concorreram Brito Junior: “Alma de Vaqueiro”(fotos em cores); Maurício Pokemon: “Brasil mostra tua cara” (em p/b e em cores); Paulo Barros: “Janelas” (em cores); Aureliano Muller: “Encontro dos Vaqueiros no Vale do Sambito” (em cores); Edi 
Vasconcelos: “Terra de Santa Cruz” (em cores) e Lunara Marques: “Févor” (em preto e branco).

As temáticas aproximadas dos Ensaios, fé, religiosidade, manifestação rural e identidade social. Flagrantes distintos e iguais. O homem e sua hora, sua memória e sua história. Os premiados, Paulo Barros, com “Janelas”, que ficou com 1º. Lugar. Maurício Pokemon levou a Menção Honrosa com “Brasil mostra tua cara”.

A categoria Individual concedeu o prêmio 1º. Lugar de Melhor Fotografia a Eduardo Marchão, com a imagem “Modernismo?” (em preto e branco). A Menção Honrosa ficou com “Apócrifos” (em p/b). A categoria Novas Mídias premiou com o 1º. Lugar Danilo de Medeiros. Sua obra “Um dia de Folga”.

Para o homenageado deste ano, Antonio Quaresma, a coordenação do Salão reservou a Sala da Pinacoteca da Casa da Cultura. O olhar de Quaresma, numa qualidade de quem aprendeu a ver um mundo de novidades através das lentes, apresenta fotogramas coloridos, abstratos, bananeiras, new yorks, tempo e identidades. Uma lente apurada.

No Varandão da Casa da Cultura duas exposições disputam sensibilidade e tino fotográfico para todos os olhares de recepção, “Fotógrafas” e “América”. A Exposição Fotógrafas reúne quatro mulheres e quatro lentes se encontrando com a profissão. Cada artista expõe suas visões em flagrante congelado.

Margareth Margoh Leite nos revela as peças “Sem Título” (em cores). Yala Sena, registros em cores para “Meu Caro Amigo”; “Vivendo em Guarita” e “O Balanço da Caçamba”. Kátia Barbosa capturou quatro olhares para “Sem Título” (em p/b) e Amana Dias Cavalcanti apresenta, em cores, “Microsaliência”; “Boi” e “Perspectiva Teatral”. O que as fotógrafas têm em comum, uma câmera, um instante transformado em idéia registrado e talento laborado.

A outra exposição que avança pelo Varandão da Casa da Cultura é “América”, de Jünger Heinemann. Um puto e concentrado olho para imagens em preto e branco em que capta cotidianos rurais e urbanos de glebas da América latina. Uma luz, um enquadramento e um mágico encanto de convencer pelo recorte de vidas depurado. 

Ciência e arte atomizados para registro da posteridade é o que se pode conferir nas exposições que preenchem os espaços da Casa da Cultura de Teresina e outros pontos da cidade, durante o XVI Salão de Fotografia de Teresina – ano Antonio Quaresma.
 (Quaresma: homenageado/ foto: acervo cidadeverde.com)


Aos amantes, curiosos, amadores e profissionais da fotografia acorrei, as exposições em memórias de fotogramas ao XVI Salão de Fotografia de Teresina ficarão em cartaz de 22 de setembro a 22 de outubro de 2011, das 8 da manhã até às 18 horas. Uma agenda cultural para não ser desprezada.
(foto divulgação/acervo anos anteriores Salão de Fotografia de Teresina)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

+ Um(a)


+ um(a)
por maneco nascimento

“(...) Duas semanas mais tarde, acesso o Portal SRN e me deparo com a manchete: ‘Homossexual é morto com requintes de crueldade em SRN’. Temi pela sorte da ‘Estrela Solitária’. A foto estampada no portal justificava o meu temor: era ela (...)” (Santos, Cineas. Um tango para Desirée [Echos da Chapada do Corisco]. Teresina, Jornal O Dia, 18 de setembro de 2011)

As velhas e escancaradas estatísticas assomam + um(a) brasileiro(a) que caiu em desgraça por ser “diferente”. Renato Tavares Piauilino, a Renata Desirée, natural de Coronel José Dias "(...) incômoda presença nas ruas de São Raimundo Nonato. Foi brutalmente assassinado com dois tiros de escopeta, à queima-roupa, na noite do dia 7 de setembro, nos arredores da cidade. A polícia, para variar, ainda não tem pistas do(s) assassino(s) (...)”
(Idem)

Sobram números e faltam atos reais de investigação e justiça quando o assunto é agressão e atentado violento, seguido de morte, contra homossexuais brasileiros. Sei muito pouco das estatísticas estrangeiras porque parecem + distantes, não que sejam de menor importância. Mas, sei das que rondam nossa convivência.

A Bahia conta, há muitos anos, com uma organização vigilante aos arroubos de determinado nicho da sociedade brasileira e seus desvios justificáveis para aplicação de justiça, intolerância e discurso moral e purista.

O Grupo Gay da Bahia tem aplicado esforços para manter o Brasil informado e pratica denúncias confiáveis acerca de crimes cometidos contra homossexuais nos centros de sobrevivência brasileiros.

“(...) Grupo Gay da Bahia divulga relatório ASSASSINATOS DE HOMOSSEXUAIS NO BRASIL (2005), com o perfil dos gays, travestis e lésbicas vítimas de crimes homofóbicos nos últimos 25 anos(...)” (ASSASSINATOS DE HOMOSSEXUAIS NO BRASIL : 2005/Grupo Gay da Bahia- GGB - www.ggb.org.br/assassinatos2005.html -)
(foto de homossexual morto/acervo: divulgação GGB - www.ggb.org.br/assassinatos2005.html )

Teresina, tida como cidade que transita entre o moderno e o “provinciano”, também mantém suas maneiras de manifestar o descontentamento com os “diferentes”.

Pelos fins da década de 1980 e anos 90, um grupo de bem nascidos, conhecido como “Turma do Melecão” foi o terror nas noites da cidade. Fazia das suas, num discurso de assepsia social? O GGB nos aponta que:

“(...) Entre 1980-2005, foram assassinados no Brasil 2.511 homossexuais, em sua maior parte, vítimas de crimes homofóbicos, onde o ódio da homossexualidade se manifesta através de requintes de crueldade como são praticados tais homicídios: dezenas de tiros ou facadas, uso de múltiplas armas, tortura prévia, declaração do assassino ‘matei porque odeio gay!’. Crimes cometidos por ‘pura maldade’, como qualificou a Delegada de Maracanaú, no interior do Ceará, ao encontrar o corpo completamente desfigurado do cabeleireiro Emanuely, 49 anos, morto a pontapés por dois rapazes machista, um deles, filho de um militar (...)” (GGB www.ggb.org.br/assassinatos2005.html -)

Figuras que circulavam pelas noites e vias do centro da cidade de Teresina, umas desapareceram, outras mudaram de endereço e algumas outras venceram, com coragem e determinação, a tirania daqueles que acreditam ter poder de definir quando e quem pode ocupar espaços públicos.

“(...) Dentre as vítimas, 72% gays, 25% travestis, 3% lésbicas. Para uma população estimada em 20 mil indivíduos, as transgêneros (travestis e transexuais) são proporcionalmente mais agredidas que as lésbicas e gays, que somam mais de 18 milhões de brasileiros, 10% da população (...)” (GGB - www.ggb.org.br/assassinatos2005.html -)
 (profissional da noite/imagem da web)

Alguns exemplos de desaparecidos em Teresina ou em outras praças brasileiras, Carlos Suely, Maria-Maria, Renata Desirée, Emanuely, entre tanto (a)s são só uma revelada e pequena ponta do iceberg.

“(...) De acordo com o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais de 2010, divulgado essa semana, foram oito piauienses que perderam a vida por terem uma escolha afetiva diferente da maioria (...)”. (“Número de crimes homofóbicos cresceu 31,3% em 2011, no Brasil, em relação a 2010”/meionorte.com/geral/06.04.2011, 08:13h)

O brasileiro não aprendeu a conviver com o diferente. Circunstâncias que envolvam etnias, orientação sexual e liberdades de expressão parece que sempre estarão sujeitas a reforçar números às vítimas de agressão e intolerância.

“(...) No Brasil registra-se, portanto, um crime de ódio anti-homossexual a cada 3 dias. Dois por semana. Oito por mês. Uma média de 100 homicídios anuais. A partir de 2000 essa média vem aumentando: 125 crimes por ano, sendo que em 2004 atingiu o recorde: 158 homicídios(...)” (meionorte.com/geral/06.04.2011, 08:13h)

Quem mandou o gay e o travesti atravessarem o caminho da sociedade justiceira e afeita a grupo de extermínio e limpeza social?

“(...) Dentre os mortos, 117 gays (59%), 72 travestis (37%) e 9 lésbicas (4%). O risco de uma travesti ser assassinada é 262 vezes maior que um gay. Nos dois primeiros meses de 2010 já foram documentados 34 homicídios contra homossexuais (...)" (Vermelho Portal/WWW.vermelho.org.br/6 de julho de 2010 - 16h37)

As Desirées, Marias, Adelys e Emanuelys da vida, já são número na estatística hedionda de crimes brasileiros, mas serão também sempre um sinal de que embora tenham perecido também representam um dedo na ferida nacional como denúncia.

“(...) dos 198 assassinatos do ano passado indicam uma escalada, comparados com os 189 de 2009 e os 122 de 2007. O Brasil permanece com o triste título de campeão de homicídios contra GLBTs. É seguido do México com 35 e dos Estados Unidos com 25 mortes anuais (...)” (Vermelho Portal/www.vermelho.org.br/6 de julho de 2010 - 16h37)

O Brasil está em sinal de alerta e o brasileiro precisa aprender a tolerância e respeito à diversidade. O vizinho não precisa morrer porque tem orientação sexual diferente do padrão. Há espaço de convivência harmoniosa a todo cidadão.