domingo, 18 de setembro de 2011

Nara para sempre


Nara para sempre
por maneco nascimento

O Theatro 4 de Setembro recebeu, em seu palco para todas as cenas, a doce melodia em furacão sem fúria, mas força e energia da altas estações da natureza cultural sensibilizada. Desdobrados tons e sons sutis para bossas e outras nossas músicas relembraram em “Nara”, estrelado por Fernanda Couto, Rodrigo Sanches, William Guedes e Guilherme Terra as memórias musicais da inconfundível Nara para sempre.

O inteligente e bem resolvido musical “Nara” se não tivesse acuidade de resultado estético e artístico de cena, ainda assim estaria no lucro por brindar o público com sutil e quente roteiro/enredo da curta, mas emblemática passagem d’Ela, a menina moça Nara Leão.
 (Nara Leão: musa da bossa nova/acervo: divulgação)

 Que musa da bossa nova, abraçou com decisão o Tropicalismo, os sambas e reis da música do morro, Roberto & Erasmo e passeou por versões da composição de clássicos americanos, porque a música está na humanidade e não na forma.

O Texto, de Fernanda Couto, que protagoniza a cantora, e de Márcio Araújo, tem uma tessitura invejável de aglutinar comentários de narradores/atores e falas de memórias das entrevistas e bate-papos da rica vida de Nara. 

 (elenco de 'Nara": Fernanda, Rodrigo, William e Guilherme/acervo: divulgação)

Dramaturgia competente, de aproximação da personagem do público, refaz o caminho da artista sem melindres e pudores de classes e Ilustra os percursos musicais da ferrenha defensora da velha-nova MPB.

Nara e sua postura de política musical, cultural, artística e de direitos humanos repercutem até hoje ao histórico e imagem da artista brasileira. A Direção de cena elementa sinceridade contida e respostas diretas do público assistente que pareceu encantado por voltar ao túnel do tempo.

Fernanda Couto que toma chegada pelo público, com uma rosa branca na mão, desenvolve uma Nara econômica e sutil em desenho corporal e domínio da cena com tranqüila certeza do sabor do vinho degustado. Só deleite, prazer, respeito e talento praticado enquanto brinca de ser Nara. 
 (Nara Leão: delicada interpretação de Fernanda Couto/acervo: divulgação)

De Nara para Nara, Fernanda acerta na veia e veleja num barquinho para memórias de lobos bobos, açúcares e afetos, opinião, insensatez e outras raras histórias do cancioneiro nacional. Numa suave decisão de homenagear Nara Leão, o faz com requintado zelo enquanto narra, canta e se desloca na cena, tudo com graça e desvelo pensado.
 (a Nara de Fernanda Couto/acervo:divulgação)

Das costuras da dramaturgia textual aplicadas ao musical, ponto alto para “Diz que fui por ai” (Zé Kéti e H. Rocha); a inclusão de diálogos naturais sobre os famosos joelhos da Nara; a ilustração da doença que a vitimou depois de uma década; sua ida ao Japão e seus lapsos de memória provocados pela doença.

Não há momento desprezável. A cenografia (Valdy Lopes) de flâmulas de tecido algodão neutro, suspensas e sobrepostas ao fundo da cena, simples e simbólica. Memórias se enfileiram para curtas, médias e longas distâncias. O cenário se completa com sofá e mesinha, de apartamento zona sul, mimetizados com estúdio de ensaios para o real de músicos/intérpretes em cena. Não faltou o banquinho e o violão que arredondam a estética.

A iluminação, de André Boll, transmuta-se para cenário e artistas em cena com força de luz da história contada. Tem o calor de proximidade não só das falas das personagens reproduzidas, mas também da luz própria dos espíritos engajados na verdade artística de história contada.
 Os figurinos, de Cássio Brasil, acompanham muito de perto a sobriedade e cuidado dramatúrgico em reproduzir Nara. Elegante, discreto e prático para execução em trocas rápidas dos intérpretes e segue linha criativa, se não cronológica da personagem, mas de licença poética com riscos de muito acerto.

A Direção Musical, de Pedro Paulo Bogossian, vem madreperolando toda a ambientação sonora que, delicadamente, se vai absorvendo ao longo do enredo.  Deixa sempre um gosto de quero mais. Arranjos limpos e concorrentes a resultados de liberdades de arte renovada.

Em breves 60 minutos do musical “Nara”, de inteligente Direção assinada por Márcio Araújo, se guarda uma ótima lembrança de como as nossas memórias, quando melhor resgatadas, são responsáveis por prazeres inestimáveis.

Fernanda Couto, Guilherme Terra, Rodrigo Sanches e William Guedes são o show para nenhuma repreensão. Cantam bem, tocam sem deixar vestígios de falhas, interpretam com graça e talento trabalhados.
 (Nara e eles. elenco do musical 'Nara"/acervo: publicação)

O musical de Fernanda Couto e Márcio Araújo é de força irreprimível. É Nara para sempre e nada será como antes depois que o 4 de Setembro recepcionou, nos dia 17 e 18 de setembro de 2011, às 20 horas, “Nara”.

 E, parafraseando Nelson Cavaquinho “(...) depois que eu me chamar saudade, não preciso de vaidade (...)”, mas verdade em preces tocantes e musicais como as possibilitadas por esse grupo de artistas de força e equilíbrio artístico cultural “(...) nada mais”.




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A cidade esburacada


A cidade esburacada
por maneco nascimento

Não é preciso ir muito longe, ou se deslocar em grande esforço de procura para ver que a cidade tem sofrido modificações em ruas e tem sobrado muitos buracos, depois do “servicinho” realizado pela Agespisa? As obras seriam para a substituição dos canos de ferro por outros de PVC. Até ai, de boas intenções de políticas públicas caras ao contribuinte, nada a reclamar.
 (vista áerea de Teresina/acervo: tripadvisor.com)
  
O problema é a herança que fica aos moradores das ruas e bairros por onde essa obra caminha. Andar de carro por ruas do bairro Monte Castelo, por exemplo, tornou-se um problema de polícia, já que de política administrativa municipal não parece ser.

Os locais em que foram realizadas escavações ficaram calçamentos desnivelados e muito barro vermelho e poeira povoando esses dias do sol inclemente. No período das chuvas deve ficar + grave.

Na Esmaragdo Freitas, bairro Piçarra, rua em que resido, ficou um trançado em percurso esburacado, pontos rebaixados do calçamento, total desnível de interesse em melhor finalizar os serviços “possibilitados” aos comunitários.

A dúvida é se as terceirizadas e empresas detentoras das licitações públicas estão satisfeitas com a pechincha, ou se fica mesmo no acordo de realização a negligência disfarçada.

De sorte é que nunca se sabe de quem seria a real responsabilidade de deixar as ruas e bairros como foram encontrados, antes das obras estruturantes de escoamento de água às residências.

A competência é da Agespisa, da empresa vencedora da licitação, da Prefeitura de Teresina? O contribuinte, como diz o ditado popular, é quem sempre paga o pato. E, se dormir no ponto, será o próprio pato, no pejorativo setentão.

Não tenho observado como essas obras se finalizam em áreas + nobres da cidade. Tenho visto, sim, nas ruas mais próximas do entorno do centro de Teresina por onde o serviço passou. O asfalto fica diferenciado também. Mas, nos circuitos naturais de trânsito, a maquiagem precisa ser melhor apresentada. Agora em bairro? Quem está vendo ou vai cobrar publicamente?
 (vista de Teresina/acervo: hipernovas.org)

Brasileiro, é tão bonzinha!”, dizia o jargão de personagem de programa de humor, encarnada pela atriz estrangeira Kate Lira. De fato, o brasileiro é tão bonzinho mesmo. Pelo menos há uma grande e boa parcela da população do país que paga as contas regulares, mantém os salgados impostos públicos sempre em dia, só atrasa prestação quando é impossível honrá-la e é pouco reclamão.

Buraqueira na porta de casa, poeira virando hábito contumaz no dia a dia e tudo a + pode parecer uma coisa normal, porque “no Brasil é assim mesmo.” Somos um país extraordinário! Polícia mata juíza, porque grupo de extermínio na terra brasis é coisa oficial.

Anões do orçamento, valeriodutos, dinheiro nas meias e cuecas, propinódromos a escolas de Brasília até os + distantes rincões nacionais, tudo é fichinha azeitada para terra de macunaímas e “firulas de imprensa”.
 (detalhe fachada Congresso Nacional/acervo: 4photos.net)

Os velhos verbos da corrupção ganham novas capas e desdobramentos insutis. Tomam-se de regras lupinianas ao Trabalho em fundações Pró-Cerrado; fundações psdsistas com assinaturas falsas, faxinas éticas desdobradas em discursos oficiais de mata e cura, ou para um morde e assopra parceiros de passado colados no calcanhar de eu quis eles. Tudo é mote à imprensa.

E, espera-se que a imprensa não seja amordaçada, senão será anarquia geral e irrestrita. Assim como toda a natureza humana, os vieses da notícia têm seu quinhão de maniqueísmo. Mas liberdade de imprensa ainda é Constitucional.

O direito a ter direito é direito de todos, de toda a imprensa, a de chapa branca e a de chapa neutra e “imparcial”.

Os do partido de melhor aparelhamento financeiro e político e classista popular clamam, em reuniões de companheiros, a reinvenção de estatutos ou lei de regulação da imprensa. Para os + esclarecidos, regulação da imprensa é Lei da Censura em eufemismo de bom moço com discurso disfarçado à auto-proteção.

O que corrupção e lei de regulação da imprensa (censura) têm a ver com buraqueira na cidade? Talvez nada, ou talvez tudo. Quem divulga e quem denuncia os buracos nas ruas da cidade? 

A quem se deveria recorrer para reclamar deveres do estado em respostas ao contributo cidadão? À imprensa fechada, à aberta ou a das redes sociais ilimitadas?

Nalgum espaço é preciso que se lembre aos políticos, empresários, empresas e convênios planejados ao oficio de políticas públicas que o deus das sociedades ainda é o povo. Ele parece ainda não ter entendido muito bem esse principio social de ação manifestada.

Quem nos salvará da buraqueira nacional? Ninguém menos que o direito cidadão.

Do harém ao Harém


Do harém ao Harém
por maneco nascimento

harém . [Do fr. harém ár. *arCm , 'aquilo que é proibido, ou que se deve manter fora de alcance, defendido'; 'objeto ou pessoa sagrada'; 'santuário, lugar inviolável'; 'a parte da casa reservada à mulher (e à qual um estranho não pode ter acesso)'; 'a(s) esposa(s)'.] S. m. 1. Parte do palácio do sultão muçulmano onde se acham encerradas as odaliscas; serralho. 2. O conjunto das odaliscas de um harém. 3. Parte da casa muçulmana destinada à habitação das mulheres. 4. Fig. V. prostíbulo. [Cf. arem, do v. arar.] (fonte: www.harem.blogspot.com.br/)

Surgido no ano de 1985, o Harém Pictures de Teatro/Grupo Harém de Teatro tinha em suas prerrogativas primeiras a abertura de canais e territórios para a cena que se propunha impor o homem brasileiro no centro da cena. Discurso dono das falas de qualquer projeto cênico nacional moderno, ele veio com a força do jovem Grupo piauiense para novas linguagens e signos transgressores.

Assim o Grupo Harém de Teatro desenhou a própria forma e determinou seu espaço de atuação e mercado de encenação, somando-se ao histórico do teatro local já existente e perseverante. Dos primeiros passos do Grupo, a montagemO trágico destino de duas Raimundas ou Os dois amores de Lampião antes de Maria Bonita e só agora revelados”, direção e dramaturgia de cena de Arimatan Martins, foi sem dúvida o grande começo de tudo.

Texto de Chico Pereira da Silva, uma das peças que compõe a Tetralogia "Raimunda Raimunda", que o autor piauiense, de Campo Maior, dedicou à amiga Fernanda Montenegro, no começo da década de 1970, já trazia uma renovada leitura para teatro de autor genuinamente afeito da identidade brasileira a nordestes descobertos no descentrado universo da fala nacional.

 (Cena dos caminhoneiros: Francisco Pelé, Airton Martins e Marcel Julian/"Raimunda Pinto, sim senhor!", de Chico Pereira da Silva)

Das outras peças da tetralogia, “Raimunda Jovita na roleta da vida ou Quis o destino: de Pucella e Ninon”, montagem do Grutepe, com direção e dramaturgia de cena de José da Providência; “Raimunda Pinto, sim senhor!”, direção e dramaturgia de cena de A. Martins, o maior sucesso de público, crítica e bilheteria do Harém, ficou no ar por 19 anos até fechar carreira em 2011 e “Ramanda e Rudá”, montagem de São Luis, do Maranhão, com direção do argentino Marcelo Flexa.
Das boas relações sociais, criativas e interacionais de estética e plástica cênicas o Harém de Teatro solidificou e parcerizou respostas e encontros não só com os diretores e atores que passaram pela carpintaria de Chico Pereira da Silva, como reiterou laços de amizades cênicas com o Brasil que parecia desdenhar a força do teatro amador do Piauí.

Na esteira do Grutepe, agremiação bem reconhecida fora das fronteiras do estado, o Harém foi furacão de defesa e renovação do olhar para a nossa cena e garimpou os + diversos prêmios comOs dois amores de Lampião...”, “Raimunda Pinto...”, “O Vaso suspirado”, textos de Chico Pereira eO Auto do Lampião no Além”, d’outro piauiense mágico à dramaturgia ao palco, Gomes Gampos.

Ampliando sua teia de autores nacionais montou, de Plínio Marcos, “O assassinato do Anão do caralho grande”, direção e dramaturgia de cena de Arimatan Martins; “Dois perdidos numa noite suja”, em parceria com o Extremo de Teatro, de Almada/Portugal e, repetindo a dobradinha de nações, “Quando as máquinas param”. As duas últimas montagens, direção e dramaturgia de cena de Fernando Jorge, diretor de teatro do Extremo.
 (elenco de "O Assassinato do anão do caralho grande", de Plínio Marcos)

 Nos 25 anos completos, O Harém devia-se um autor + ampliado das nossas fronteiras, mas não fora da identidade ibérica. Da nova investida, “A Casa de Bernarda Alba”, do granadino Garcia Lorca, um dos + montados e respeitados na cena mundial, também recebeu olhar de Arimatan Martins e grafou latitudes e longitudes na geografia dramtúrgica a nordestes e Espanha.
(Bernardas do Harém: "A Casa de Bernarda Alba", de Garcia Lorca)

 Do começo de tudo em que o trocadilho do nome de identidade do Grupo tinha relação direta com o enredo deO trágico destino de duas Raimundas ou Os dois amores de Lampião antes de Maria Bonita e só agora revelados”,em que o Rei do Cangaço mantinha um harém, para agrado e confronto da sultana Raimunda Borborema, a agremiação Harém ficou tendo como pedra base um elenco masculino, fazendo caminho inverso do harém de cultura muçulmana.

Esse harém às avessas rendeu “horrores” de sucesso. Com montagens em que homens fizeram as vezes de personagens femininas e sempre muito bem realizadas. Como diria o diretor Arimatan, em defesa de sua dramaturgia, era preciso que atores pudessem vivenciar, na cena, a alma e sentimentos femininos para compreender a força da mulher brasileira traduzida pelos autores.
(Cena da troca de maridos/"Raimunda Pinto sim senhor!", de Francisco Pereira da Silva)

Um Harém para todo o permitido, dentro do alcance e do defendido, estudo do objeto à ciência do sacro e profano, é santuário violável ao diverso das estéticas, lugar e casa reservados ao homem (genérico) e às falas do espírito universal. Nesse local causaria estranheza o não acesso a casamentos de linguagens e línguas próprias da cena.

O Harém de Teatro, nos seus 26 anos de história planejada, é espaço de homens e mulheres livres e receptáculo de arte e cultura do diverso do espírito humano.


domingo, 11 de setembro de 2011

A tua Presença


A tua Presença
por maneco nascimento

O Conselho Estadual de Cultura- CEC e Fundação Cultural do Piauí - FUNDAC lançaram, recentemente, a + nova edição da Revista Presença, Ano XXVI, No. 46, referência a Agosto de 2011.

A começar pela apresentação da publicação local, uma qualidade visual na sobriedade das ilustrações e capa de Genivaldo Costa que, para o leitor das letras escolhidas, causa uma impressão muito particularmente agradável.

Geni Costa tem um traço mui particularmente raro. Reinventa cores sóbrias e quentes numa personalidade humana à mímesis de sentimentos e vida reais.

Ganha nos riscos plástico-estéticos o imperativo de novidade a estilo assentado de criação que nos leva a Buffon: “O estilo é o próprio homem”. (As Formas e as Cores em Afrânio/Artes Plásticas. Revista Presença. CEC/FUNDAC/Interativa Propaganda e Marketing Ltda. Teresina, 2011, p. 54 a 57).

A arte de Geni interage com sensibilidade regulada para não perder-se em conceitual distanciado das abordagens culturais que preenchem o corpo da revista. 
 (Geni Costa/artista plástico de mancheia)


O corpus construtor das variantes lingüístico-textuais para arte e cultura apresentadas se parece intensificar nas interfaces da estética livre dos signos e siglas artístico-visuais composicional. 

Para edição cuidada e de revisão irretocável, a Presença de matérias de memória da cidade, “Em Teresina de Ontem e de Hoje”, de Afonso Ligório Pires de Carvalho, um passeio pela Teresina de seus dias de lembranças muito frescas e ricas acerca da cultura e arte, comunicação popular e de massa e o histórico das mudanças impressas. O movimento do progresso estruturante ao mágico de novos olhares à modernidade. Um denso, mas regurgitado texto de memória preservada.

Teresina do Meu Tempo”, nos escrevinhos de Raimundo de Moura Rêgo, em que aborda sua memória de chegada a Teresina, “(...) no início de 1923, pra continuar os estudos iniciados na fazenda, freqüentei o Ateneu Teresinense, do Padre Cirilo Chaves, e os cursos particulares dos professores B. Lemos, Douville Leal e José Amável (...) tomei aulas de música e violino (...)”. Como diz o memorialista, apesar da pouca idade, circulou nos meios artísticos e intelectuais de Teresina de seu tempo.

Nos aponta, Moura Rêgo, a vida cultural da música, do teatro de amadores e profissionais, dos saraus familiares, das bandas musicais da Polícia e do Exército, das retretas nas praças, das paqueras e encontros à formação familiar.

O maranhense de Matões, de amor genuinamente teresinense, faz louvor tocante ao memoriável da cidade que o acolheu e deu pano às mangas do poeta, pintor, músico e memorialista.

A tua Presença com recheio de cultura de expressão também apresentaO Bairro Vermelha e a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes”, de Francisca Maria Soares Mendes, que reaviva o bairro de solo formado por barro vermelho, logo de Quinta Vermelha para Vermelha, o arbítrio popular deu-lhe o nome conhecido.

As memórias das vendas populares sob o Pequizeiro, suplantado pelo progresso e a lembrança do Padre Carvalho fecham a imagem do bairro que sempre reuniu histórico de cultural, religioso e celeiro de grandes artistas da cidade e daquele entorno efervescente de arte.

Vermelha, o Planalto e a Serra”, de Fonseca Neto, informa sobre o assentamento do Conselho Estadual de Cultura naquele bairro. + um redundante lava pés aos medalhões da Casa de cultura ali plantada que um lambe à cria, a nova sede. Parece deslocado, dentro do que se vem apresentando na revista até então.

Roberson Gramosa, em “Bairro Vermelha Desenvolve Educação e Cultura”, apresenta ações culturais e integrativas do CEC na comunidade. A práxis registrada. Já Alcenor Candeira Filho, no menu Patrimônio Histórico, traz “Onde Fica a Casa Grande da Parnaíba?”.

Artigo criterioso de apelo à pesquisa e memória sobre o endereço final da Casa-residência de Domingos Dias da Silva ou “(...) a casa solarenga de Simplício Dias da Silva (...)”. Objeto de curiosidade à história patrimonial da Parnaíba.

M. Paulo Nunes, em espaço da Presença a Vultos Piauienses, brinda o leitor com texto rico de citações a leituras eruditas para penetrar na memória de grande nome de articulador político piauiense, Petrônio Portella.

Na parte dedicada à literatura do Conto, “O Esfolado”, de Pedro S. Ribeiro, curto, de suscinta mensagem entre a tragédia e a justiça, preenche esse espaço com produção textual de estética moderna e agradável para leitura dinâmica e criativa. Ótimo conto.

A Revista ainda apresenta um rigoroso Plano Estadual de Cultura – Uma Contribuição do Conselho Estadual de Cultura, para em seguida, com a temática Memória, M. Paulo Nunes trazerAlexandre Herculano”, grande autor português do século XIX e um dos contributos à renovação do romance moderno português, assinala Nunes.

M. Paulo Nunes também agracia Mário Vargas Llosa, em “O Novo Nobel de Literatura”. A tua Presença fecha em grande estilo comA Guerra Sertaneja do Contestado”, com falas de Enéas Athanázio, resumo de palestra do articulista em sessão do Conselho Estadual de Cultura, maio de 2011; “As Formas e as Cores em Afrânioe o cartum genial e franco de Jota A.

A exceção de alguns artigos já publicados em jornais impressos da cidade, o que não é demérito, a Revista Presença vem confirmar padrão cultural de expressão local e tem responsabilidade artística e formadora de opinião incontestável. A tua Presença é nosso orgulho.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vende-se


Vende-se
por maneco nascimento

Na atualidade, a ideia de publicidade é regida pelas lógicas de mercado e a mídia, como previsto por Habermas (1984), figura como palco de novo debate público contemporâneo. Determinados temas, capazes de promover mudanças e debates sociais, repetidamente, servem somente para controle de audiência, destaque de certa marca, promoção ou lançamento de algum produto (...)” (Dourado, Jacqueline Lima. Rede Globo: mercado ou cidadania? – Teresina: EDUFPI, 2011, 344p.)

O livro da jornalista Jacqueline Dourado, Doutora em Ciências da Comunicação, que atua como docente junto ao Curso de Jornalismo e aos Cursos de Mestrado em Comunicação Social e Políticas Públicas da UFPI, traz uma rica reflexão acerca do papel das mídias e uma radiografia do discurso de cidadania, marketing e merchandising sociais aplicados na grade da programação da tevê “número 1” de audiência.

E, naturalmente, como aponta pesquisa da professora-doutora, a publicidade regida pelas lógicas do mercado e a mídia, acaba definindo defesas simbólicas e produção de sentido para contexto de um bom negócio às vendas e lucros.

Pegando o gancho de detido estudo da cientista da comunicação social, quero contextualizar discussão sobre campanha publicitária vista em jornal impresso local.

Um anúncio fotográfico de página inteira traz uma família composta por um homem, uma mulher, um menino e uma menina. Estão amarrados todos juntos e com tarja preta nos olhos. As crianças frontais, os pais ao fundo.

O pai, ao fundo esquerdo, em perfil diagonal, sentido anti-horário. A menina, frontal, à frente do pai. A mãe, ao fundo direito, em perfil diagonal frontalizando, sentido horário. O menino, quase frontalizado total, sentido horário, à frente da mãe.
 
 A família branca, bonita, bem vestida, revela na forjada imagem de estética publicitária uma marca de violência? O fundo da página publicitária é negro para contraste da variedade de cores das roupas, peles e lábios rosados. O texto que assina a venda está sobre a cabeça dos “reféns”. A mensagem escrita com letras em cor branca.

A legenda: “Não É Filme, É A Violência Que Está Invadindo Casas Em Teresina. Mas Você Ainda Pode Escapar...”

Todas as primeiras letras de cada palavra estão em maiúsculo. O anúncio é da primeira página do caderno publicitário. Quando se abre o caderno para as páginas interiores, o miolo do sanduíche, ai tem-se um maravilhoso modelo importado de vida realizada. Uma imagem aérea aberta de condomínio fechado.

Nos detalhes, em outras fotos recortadas, se vislumbra lago ao fim da tarde, gansos nadando em grupo, pescaria, academia de ginástica, piscina e heliporto, fachadas de casas construídas em arquitetura diversa, demonstração em quadra de tênis, etc. As informações de encantamento final à compra do sonho, ao lado direito das belas fotos.

A legenda que finaliza a venda vaticina: “Muito mais seguro do que você imagina.” E, por último, o nome do condomínio em letras garrafais, cor verde.

O anúncio foi publicado no jornal meio norte, de domingo, dia 07 de agosto de 2011, B/4 e B/5. As páginas internas do caderno publicitário recebem o nome Theresina. The(em verde) e resina(em vermelho).

Em não havendo sensibilidade do criador publicitário que precisa pagar as próprias contas, sobra certo descuido da ética da profissão que vende o “discreto charme da burguesia” e transforma toda a sociedade à margem das benesses da “ville way of life” em vítima potencial da violência e banditismo do mundo exterior, desprotegido das cercas do deus burguês.

A Mídia, mãe e madrasta generosa, com suas tetas fartas será sempre o melhor veículo para vender marcas, eficientizar promoção ou lançamento de algum produto do anunciante, bom pagador. O negócio é um negócio e o que vende é o que melhor apelo tem.

Parabéns ao publicitário criador da campanha, ao agente, ao dono da conta, ao proprietário da agência de publicidade, ao fotógrafo. Todos levam o seu no  melhor estilo de negócio.

A imagem de herói vitimizado na fotografia, fica bem na fita queimada em papel.Com pinta de poeta a concretas fogueiras e vaidades, ator para máscara canastrona de meio palco e efígie de “como era bom o meu francês” que arranha os seus em Teresina, o publicitário e galã de plantão, modelo exposto à campanha cumpre seu papel e vende-se.

Para um bom empreendedor, meio negócio basta.

sábado, 3 de setembro de 2011

Uma areia por aquecer


Uma areia por aquecer
por maneco nascimento

A Cia. de Teatro da Cidade, coordenada por Moisés Chaves, apresentou no palco do Teatro Municipal João Paulo II, dia 30 de agosto de 2011, às 19 horas, o espetáculoUm pequenino Grão de areia”, texto de João Falcão, para o mapa de dramaturgia de cena assinado por Moisés Chaves.

Dramaturgia de carpintaria textual que reúne diversos humores para determinadas personagens coadjuvantes do protagonista do enredo, um grão de areia sonhador que, apaixonado por uma estrela, persegue sua busca até que a licença poética confirme seu desejo, ficar junto de sua amada.

O dialogismo da trama vai se confirmar a partir do encontro e convivência do pequeno grão com nuvens, maré, castelo, de areia naturalmente, o velho (a) sábio (a) e companheiros naturais do ambiente de vida contumaz.

A encenação direcionada por Moisés Chaves é, por vezes, enfraquecida pela incipiência e ou falta de traquejo do elenco imberbe. Há um coro em perfil de quase jogral que intercala as falas com uma segurança tímida e torna as intenções autorais do dramaturgo aquém do poético originalmente criado.

  (Moisés Chaves e elenco de "Um pequenino Grão de areia"/foto acervo: cidadeverde.com)

Sérgio Noronha, como o pequenino grão, desempenha um esforço semi-olímpico para acertar os doze trabalhos do herói, mas ainda fica pelo meio do caminho. As idiossincrasias do ator ficam meio mimetizadas com uma perspectiva que se poderia vislumbrar da personagem.

Materializa um dado comum, fora das novidades de interpretação. A projeção de voz quer-se confirmar como inflexões à cena e acabam em “intermezzo” da busca de um foco de liberdade interpretativa.

Mary Celli tem uma desenvoltura agradável entre uma personagem ranzinza de um momento e outra com corporalidade para um (a) velho (a) que cruza o caminho e dá sinais a seguir ao pequeno grão de areia. Maior exigência do diretor certamente obrará + eficiência de quem, em potencial, tem panos p’ras mangas.
 (Moisés Chaves e elenco de "Um pequenino Grão de areia"/foto acervo: cidadeverde.com)


Os outros componentes do elenco seguem marcas, repetem o texto com ligeira convicção ensaiada e, por vezes, parecem pouco à vontade na cena. Nada que um bom exercício de compreensão textual e improvisações livres não recuperem o tempo por maturar à tão boa energia e à licença poética rica de Falcão.

Os figurinos simples, mas emblemáticos, têm sua função dramatúrgica. Os atores é que não conseguiram, ainda, vesti-los com propriedade teatral. Como diria a alcunha popular apropriada ao teatro, vestir a camisa e suar em ofício a personagem possibilitará organicidade que qualquer dramaturgia de cena requer. 

As músicas do enredo, dubladas pelo elenco, representam a face + “amadora” do espetáculo. Parece que os intérpretes ainda não têm toda a segurança para dominá-las e, com isso, perdem qualquer tônus para coreografias pouco finalizadas.

A Direção de Moisés Chaves merece uma areia melhor aquecida para que salte da terra do lúdico e fantasia dramatúrgica um grandePequenino grão de areiacom olhar que enxergue melhor a cena para a memória histórica e repertório da Companhia de Teatro da Cidade de Teresina.

As caras + lindas do mundo


As caras + lindas do mundo
por maneco nascimento

Valdecy Pereira, um profissional do ateliê da confecção de costumes e vestimentas às festas e imagem  da cidade de Teresina bem vestida, é também um artista de mancheia quando o assunto é palco. Palco para as luzes e brilhos do “show-biz”. Dia 30 de agosto de 2011, a partir das 21 horas, no palco do Theatro 4 de Setembro, a hora e a vez foi de Patrícia Thimberg.
 ( Patrícia Thimberg/foto acervo: Donna Black/Me Conta/meconta@meconta.com.br)

Em comemoração aos 20 anos de carreira o artista e a personagem se fundiram para uma noite de festa. Numa produção rica e elegante para show de transformismo e glamour em que recebeu convidadas, PatríciaThimberg com charme, talento e carisma para as performances apresentadas foi anfitriã invejável.

Segurança nas dublagens e domínio da cena com graça e estilo próprio transformaram o show de Patrícia e convidadas em gala sem apelo ao transformismo só para entretenimento. Uma luz cuidada, uma ambientação direcionada ao enredo do show e o recurso de novas mídias preencheram as horas de passagem de cena.

Patrícia Thimberg – 20 anos reuniu em cena Stela Simpson, contemporânea de carreira, e as que chegaram na esteira do sucesso da profissão, Lind Skeitt e Lilica Network. Cada uma, a seu momento, deu brilho à festa em composição ao todo do evento.
  ( Lind Skeitt/foto acervo: Donna Black/Me Conta/meconta@meconta.com.br)

Num dado momento de sua entrada, Stela Simpson desceu à platéia e fez subir ao palco as amigas de profissão. Como ela mesma denominou, as caras mais bonitas da cidade foram enfileiradas no tablado do 4 de Setembro.

No Grupo das belas, Isabelita Kennedy, Roberta Gasparelli, Janeles Gonzales, uma das pioneiras do show das casas noturnas de Teresina, Andréa Karão, Karina Leal, entre outras.

Tinha razão Stela Simpson. Ali estava reunida uma ala dos + expressivos e talentosos feitos e efeitos da profissão de artistas da cena do “show-biz”. Elegantemente vestidas e maquiadas para deslumbre da noite, da festa e da profissão abraçada por cada uma que ali se representou.

Irmãs coragem por juntarem décadas de escolha de trabalho e servirem de preparadoras do caminho às novas gerações. Naquela reunião de caras lindas, as gerações se confundiam e se completavam. 

O “must” do “must”! (O que é absolutamente necessário fazer ou ter feito para estar na moda; requisito, coisa indispensável; imperativo – traduz-se para significados).

Uma noite luxuosa em que Patrícia Thimberg agradeceu à mãe, à família, aos amigos fiéis, a quem dedicou o show, e ao público indispensável, muito dele companhia de boa parte da carreira festejada.

Não poderia deixar de lembrar a equipe técnica. A Produção, de Fernando Santos; o cabeleireiro Fernando César que a acompanha há 18 anos; o assessor de imprensa, Rodney Gonçalves; o responsável pela ambientação de cena, Nivarde Barbosa e o cerimonialista Paulo Mota.

  ( Paulo Mota/foto acervo: Donna Black/Me Conta/meconta@meconta.com.br)

Quem acompanhou a carreira desses profissionais da noite do “show-biz”, uma pequena indústria e ofício do espetáculo, sabe do que se está falando.

As memórias dos concursos de dublagens que reunia Stela Simpson, Maria-Maria, Isabelita Kennedy, Janeles Gonzales, Patrícia Thimberg e uma fila enorme de talentosas intérpretes, de suas divas e cantoras preferidas, lembram como a arte supera limites.

Patrícia Thimberg está de parabéns pelos 20 anos de carreira. E a cidade, que acompanha esse ofício de prazer e arte determinada, está naturalmente com olhar voltado para a diversidade e o respeito à profissão dessas caras + lindas do mundo.