sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Felicidade é simples

por maneco nascimento

O Teatro Municipal João Paulo II realizou, em 17, 18 e 19 de março de 2011, em parceria com Bandas de Rock da região do grande Dirceu, uma empreitada de três dias para deleite de todas as tribos de heavy e metais diversos. O “Cena Rock Dirceu – Ano II, sempre a partir das 19 horas, no palco da Casa de espetáculos, fez-se show.

No último dia 30 de março, o “Cena Rock Dirceu – Ano IIconcluiu os serviços planejados. Entregou o alimento arrecadado na bilheteria do evento ao Lar de Maria. A entrega oficial de 371 pacotes de leite em pó, equivalente a 75 kg, ocorreu à tarde daquele dia, às 15 horas, na sede da Casa de apoio a crianças portadoras de câncer.

A Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e Teatro Municipal João Paulo II, não só possibilitou a realização do evento como também facilitou ainda uma tarde de atividade cultural às crianças visitadas.

Para abrilhantar a tarde em visita àquela organização social e a suas crianças assistidas, foi agendado um momento cultural que envolveu contação de histórias e teatro de bonecos. Muito bonito de ver os olhos atentos e sorrisos sinceros colhidos dos pequenos que estiveram presentes aquele momento lúdico.

Marilene Evangelista, a contadora de histórias, plantou felicidade e prazer tão simples durante as intervenções fabulares e cheias de fantasias infantis. A platéia, enredada, ouvia atenta as falas mágicas do “País quadrado”. Princesas quadradas que descobrem a alegria ao se transformarem em borboletas rainhas e ganharem o mundo de novas cores.
Marilene apreendeu a infância de pais e crianças assistentes e, entre narrações fabulares e outras histórias, encheu de risos e alegria os coraçõezinhos desarmados. Já o bonequeiro Fernando Machado e sua “Cia. do Riso” trouxeram os inestimáveis mamulengos, prosódias e peripécias do mundo popular do teatro de bonecos.

As aventuras das personagens fantásticas do mundo mágico da manipulação trouxeram educação ambiental, educação em saúde, direitos humanos e respeito ao outro. A fábula do “Chapeuzinho Vermelhofechou a festa dos bonecos animados.

Para Benilce Ferreira Batista, de Sebastião Barros, município do sul do Piauí e que está no Lar de Maria acompanhando o tratamento de seu filho, Leonardo Batista, as apresentações “desperta a criança que há na gente”. Reginaldo Moura, de Picos, muito atento a todas as tramas dos mamulengos, achou tudo muito bom, porque fez todo mundo rir.

Já a mãe de Alisson Silva, Catiane Mendes da Silva, natural da cidade de Corrente, achou ótimo, porque distraiu-se. Também foi muito divertido para Luciano Sousa Bezerra e sua mãe Luiza Vieira de Sousa. Quando voltarem a Canavieira, zona rural de Várzea Grande, terão muito que lembrar.

Para os artistas que dedicaram uma tarde às crianças protegidas pelo Lar de Maria foi uma tarde gratificante e de muita doação. Marilene Evangelista apontou que só ter visto aquele sorriso no rosto das crianças e as gargalhadas sadias tiradas delas proporcionou um grande prazer.

As crianças visitadas àquela tarde, no Lar de Maria, com certeza levarão consigo uma boa memória da fantasia, do lúdico e da alegria do teatro, da história oral popular ali apresentada. A felicidade simples e natural conquistada não teve preço e a vida infantil ficou + rara.

 


sábado, 26 de março de 2011

O c. do mundo não é aqui.

por maneco nascimento

Para gregos, troianos e tantos outros povos que construíram cultura de teatro, porque de domínio do homem (genérico), há sempre uma necessária presença de como as identidades e pertencimentos vão dando obras à arte.

Assim a humanidade em seu eixo de construção sócio-cultural vai desempenhando seu papel dentro e fora do espetáculo da vida. Quer seja na arte da vida ou na da mímesis da vida há sempre a presença do criativo para o + nobre e, outras vezes, nem tanto.

As culturas como qualquer manifestação de qualquer sociedade carregam consigo as idiossincrasias, os conceitos, os pré-conceitos e os discursos de poder e “distinção” de seus próprios pares. Assim, carmim ou pálida, se apresenta a face social para contextos convenientes.

Para a sociologia, os atores sociais. Para a antropologia, mãe da cultura, os atores culturais. Para o teatro, imperativo os atores da cena à dialética prática do visível para o invisível, da história do homem acionada para o lúdico e a reinvenção do cotidiano em que se espelha a arte do fingimento.

Do primitivo das manifestações cênicas “expressões lúdicas e mágicas, em louvor da sedução da divindade” (Dr. Francisco Fragoso, Lisboa/abril-maio/2004 In Branco, João. Nação Teatro – História do Teatro em Cabo Verde. Lisboa, Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 2004, 439p.) se construiu o cênico a partir de atos religiosos e ritualísticos à herança do teatro contemporâneo.

Na contemporaneidade, há distinções entre a arte de continuar a prática milenar em diversos matizes da cena e, uma outra construída aos celebrizados. Os do mundo midiático e de canais massivos ao ralo da funda indústria cultural. Assim há o ato cênico para homens e mitos inconfundíveis e o ato falho para o suspeito corifeu das vaidades.

Recentemente, espetáculo do Rio de Janeiro, contratou produção local para campanha de temporada do espetáculo “Fica Frio”, de Mário Bortolotto e direção de Raoni Carneiro. No elenco, “os globais”, Kayky Brito, Germano Pereira e um coadjuvante Marauê Carneiro.

                                (Kayky Brito e Marauê Carneiro em Teresina. foto: portal 180 graus)

Fica Frio” se apresentou dia 23 de março, a partir das 20 horas, no palco do Teatro Municipal João Paulo II e deveria cumprir final de semana, nos dias 25, 26 e 27 de março, no Teatro da Assembléia, em seguimento a estratégia de circulação da peça pelo nordeste.

A produção local despretensiosa e lenta, parece ter perdido o bonde da dinâmica de divulgação e publicidade de espetáculos, especialmente para atrair o interesse de público voltado às celebridades da caixinha mágica da tevê. A produção nacional ficou decepcionada com o rendimento de público ao primeiro dia da temporada em Teresina, 23 de março de 2011.

O ator coadjuvante, Marauê Carneiro, em licença “profética” de visão estreita, teria postado em twitter que o “Piauí é o c. do mundo.” E, em ato de decisão política, o Presidente da Assembléia Legislativa do Piauí, achou por bem cancelar a temporada do espetáculo que ocorreria no Teatro da Assembléia.

O desavisado rapaz ainda teria se justificado que postara comentário ouvido em mesa de restaurante, quando em companhia dos seus. A emenda saiu pior que o soneto e perdeu-se a poesia, a literatura da construção de homens melhores, a arte e a dramaturgia que reitera cultura e sociedade mais livres de preconceitos e discriminação.

O ator carioca parece ter perdido a oportunidade de uma boa atuação social em Teresina. Sua primeira fala, deslocada, desabou procênio abaixo, obscurecendo o teatro feito para fins de deleite e prazer do público.  

Determinada prática de teatro brasileiro arrasta a estética da tevê ao palco. Repete um teatro morto no crédito de que todo o mundo acorrerá no rastilho do brilho da estrela midiática. Nem sempre funciona tão fácil assim e se a produção não se mexer, esse tipo de teatro já forjou-se natimorto.

Fica Frio” e sua companhia de celebridades esfriou a própria sorte, porque o Piauí não é o c. do mundo. Só dublês de artistas em sua falha trágica e língua morta podem vomitar discurso que macule a boa prática do teatro brasileiro e o imprescindível público que o aplaude.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Memórias culturais


por maneco nascimento

No último dia 01 de março de 2011, foi aberto no Palácio da Música, a partir das 9 horas da manhã, o Projeto Encontro de Lendas. Reunindo artistas, autoridades da área cultural, simpatizantes e afins.

O coordenador do Projeto, Vagner Ribeiro, abriu os serviços falando da importância da história e memória oral e da homenagem que este ano se prestaria ao escritor e pesquisador de cultura popular das lendas, Fontes Ibiapina, o “Nonon” , um ampliador desse universo criativo através da sua  literatura produzida.

Laurenice França, Presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, convidada a se manifestar, saudou a todos os presentes e oficialmente deu início ao Projeto que envolverá diretores, professores, escolas e aluno (a)s da zona rural de Teresina na reinvenção das lendas e contos populares através da dança, da música, da contação das histórias orais e reprodução em quadrinhos das manifestações de memórias primordiais e afetivas, através das oficinas praticadas.

O convidado especial para a ocasião, que falou pelo homenageado, foi o escritor, turismólogo, parente e conhecedor da obra de Fontes Ibiapina, Eneas Barros. O neto de “Nononpuxou pela memória as boas lembranças do avô aberto, conversador, alegre e que mantinha a casa sempre cheia de gente, gostava de receber as pessoas.

Eneas Barros testemunhou que seu avô deixou todo um material de pesquisa muito organizado e que o mundo literário e sua vida pessoal influenciaram a obra produzida. Na palestra surgiram os nomes comuns e apelidos registráveis, como o do irmão de “Nonon”, Antonio Moura Ibiapina, conhecido comoPebinha”.

O pai de Fontes, Pedro Moura Ibiapina, dono de carnaubais e gados, queria o filho fazendeiro que só iniciou as primeiras letras aos 13 anos, com o tioQuincó”. O tio reclamava do menino acanhado, que “não queria nada”, não prestava atenção. Depois de uma conversa trabalhada com os pais, Pedro Moura e Mundica Moura, desarnou e acabou sendo assistente do tio-mestre na escola.

Autor de “Chão de meu Deus”, com memórias investidas para contos comoTangerina”, “Tropeiros”, entre outros, reinventou, segundo o neto Eneas, a realidade observada no terreiro da fazenda. Registros recolhidos das horas vividas na Fazenda Vaca Morta, da família de Mundica e na Fazenda Lagoa Grande, da família de Fontes Ibiapina.

Eneas Barros tem no armário de recordações a memória de uma família que gostava de contar histórias de lendas e contos fabulosos. Que entre os contadores de histórias havia o escravoIndinho”, herança das famílias, que juntava crianças no terreiro para exercitar a excelência de contar histórias.

Pedro Moura e Mundica tinham talento nato para contadores de histórias. “Nonon” cresceu ouvindo histórias e também contou histórias aos filhos e netos, na hora de fazê-los dormir. Deixaria uma visita, na sala, aos cuidados dos outros, para ir enlear os netos com memórias fabulares.

Fontes Ibiapina teria passado para o papel, literário, todas as histórias ouvidas durante sua infância. Adorava forró, dançava “feito o cão”, gostava de se divertir, era namorador. E, nas palavras carinhosas do neto sobre pesquisas realizadas, aponta que o primeiro texto literário do avô, escrito em 1950, surgira a partir da conversa das comadres ouvida no terreiro da fazenda, “Palestra de Comadres”.

Escreveu “Palha de Arroz”, sobre os incêndios criminosos da década de 40 na Teresina; “Terreiro de Fazenda”; “Passarela de Marmotas”; “Congresso de Duendes”; “Curral de Assombrações”; “O Tombador”; “Desfile de Malucos”, entre outras obras de particulares, estratégias de revificação da memória popular.

O Pesquisador de costumes, Juiz da Vara de Família, com produção em torno de 266 textos entre romances, contos, novelas, teatro, pesquisas, etc., recolhia as personagens das contações do povo comum que temia os “empaltados” e mágicos.

Logo, percebe-se que, pelo histórico apresentado pelo neto de Fontes Ibiapina, não se poderia furtar da homenagem que a Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, presta a alguém que soube com muita sensibilidade recuperar o que há de + autêntico na comunidade.

O Projeto Encontro de Lendas que envolve 6 escolas municipais, da zona rural de Teresina, cria nessa possibilidade cultural a revisitação da história oral e contação de lendas e repete, criteriosamente, a prática de facilitação, absorção e registro planejado às gerações posteriores da memória social oral.

  

terça-feira, 1 de março de 2011

Motorista, tão bonzinho!!

por maneco nascimento

O que nos possibilita as novas tecnologias senão podermos comprovar “in loco” as versões, quando se precisa contrapor as outras, preparadas ao desvio da responsabilidade. As cenas chocantes de um motorista atropelador de ciclistas em Porto Alegre parecem não deixar muitas dúvidas de quem seria o vilão da história.

Tentando acertar na busca de outras vias que melhor criem relações sociais, saudáveis, e direitos assegurados a qualquer cidadão, é que  + de 20 ciclistas em grupo de uma centena foram (o vídeo no you tube não deixa dúvidas) intencionalmente atropelados enquanto pedalavam, na última sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011, na Rua José do Patrocínio, em Porto Alegre (RS).

(foto: Outras Vias - mobilidade urbana e bicicletas em São Paulo)

“(...) um motorista apontou seu carro, acelerou e disparou intencionalmente contra mais de uma centena de pessoas que pedalavam na rua José do Patrocínio (...) Até o momento, as autoridades gaúchas consideram que o motorista do Golf preto é “suspeito” de um “acidente de trânsito” que resultou em “lesão corporal”. (Thiago Benicchio/Outras Vias – Mobilidade urbana e bicicletas em São Paulo/28.02.11)

(arte tncbaggins)

A mobilização internacional, chamada de Massa Crítica ou Bicicletada que nasceu na cidade de São Francisco (EUA) não é, segundo Thiago Benicchio, um movimento tradicional. Sem organizadores, regimentos ou plataforma, consiste essencialmente em um encontro para pedalar em grupo, durante algumas horas da última sexta-feira de cada mês.


Na última sexta-feira, 25 de fevereiro, foram colhidos pela má sorte à traição de crime premeditado para muitos e, talvez, “acidente” para alguns outros. Até aquela fatídica tarde de Porto Alegre nunca tinha havido circunstância tão agressiva e animal em qualquer lugar onde a bicicletada acontece.


(foto: Cristiano Estrela/Hoje em Dia)

“O agressor não presta socorro, abandona seu carro e foge. É a fórmula brasileira para sair de qualquer enrosco: fugir do flagrante. Esse é o típico ‘monstrorista’ jargão usado entre os ciclistas para classificar o motorista que usa o seu carro deliberadamente como uma arma.” (O monstrorista de Porto Alegre/por Renata Falzoni/ESPN.com.br/28 fev. 11h54)

O funcionário do Banco Central, cheio de poder auto-constituído se defende “que acelerou o carro para se proteger”. No Bom Dia Brasil de 01 de Fevereiro de 2011, duas versões de testemunhas se confrontam.

A primeira, um motorista que não quis se identificar, confirma a versão do atropelador de que este estaria sendo ameaçado e se defendeu. Um taxista desmente essa versão de que o atropelador estaria sofrendo violência dos ciclistas.


De sorte é que nos dias em que as tecnologias nos perseguem, rápida e eficazmente, se colhe uma versão flagrante quase impossível de ser desmentida. O vídeo que o mundo hoje vê, sobre a tentativa de homicídio contra uma manifestação para que haja mais bicicletas nas ruas, não contém rasuras, nem fotoshop, nem muito menos montagem.


Sem cortes de edição, é vídeo inteiro e claro de uma realidade bruta e covarde de quem se acredita dono das ruas. Para sorte dos pacifistas do Massa Crítica gaúchos não houve mortes, graças a Deus.


Na manifestação realizada na Avenida Paulista (tarde de 28 de fevereiro de 2011) os solidários ciclistas deitaram-se numa das avenidas mais movimentadas do mundo e ninguém passou por cima deles. Há homens e homens, motoristas e taxistas, bancários arroubados e cidadãos de paz.


Um dos manifestantes da Avenida Paulista disse que as ruas não são apenas para os carros e que é preciso que haja mais tolerância no trânsito. Acho que deve haver mais trânsito livre e saudável nas relações humanas.


Voltamos à barbárie numa versão + fácil de ser praticada e, parece que + assegurada de impunidade. Nada, nada nesse mundo justificaria um motorista “bonzinho”, na versão de defesa própria, atropelar semelhantes porque irritado com quem obstrui seu caminho de poder.


Parafraseando o velho e digno Drummond: quem mandou o ciclista ficar no meio do motorista, tão bonzinho. Cidadão com emprego regular, endereço fixo e ficha de conduta “limpa”, quem sobraria para vilão poderia ser os selvagens das bicicletas.


O Brasil urge dias de homens + justos e juízes de toga + irrigada de equidade.




domingo, 27 de fevereiro de 2011

Alegria contagiante

por maneco nascimento

Há quem diga que uma sociedade sem memória é uma sociedade sem futuras liberdades e relações coletivas saudáveis. Não há porque discordar dessa disponível e irretratável prática do livre arbítrio que ganha a toda a gente em dias de felicidade desejada e, por vezes, tomada a “tapas”.

(foto: portal180graus )

A tarde do dia 26 de fevereiro de 2011 foi de festa planejada e regojizo merecidos desde que a memória refrescada dos entrudos e corsos tomaram corpo em determinada estrada de tijolos multicor da Cidade preparada para brincar, divertir-se e dar margem ao brinde de toda felicidade.

O “Corso do Zé Pereira” realizado pela Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, aqueceu as baterias dos foliões da cidade em continuada promoção que antecede os dias momescos aos vindos de março.

(foto: cidadeverde.com)

Desde a escolha do Rei e Rainha da Terceira idade e Rei Momo e Rainha do Carnaval 2011 (Jockey Clube); Baile dos Artistas (Clube dos Diários); Baile Me Acha e Escolha da Rainha dos Artistas (Bar do Churu) e “Corso do Zé Pereira” (Concentração na Ponte Estaiada Isidoro França e Dispersão na Av. Marechal Castelo Branco) e Pré-Carina de Teresina (Av. Mal. Castelo Branco) que as festas de carnaval de Teresina ganharam cordão de folia para sorte de alegria e diversão.

(foto: cidadeverde.com)

Até o Carnaval chegar toda essa gente que se encanta e se vê que nasceu para estar entre os superbacanas guardou uma ótima memória do Corso do Zé Pereira”, na última tardinha de 26 de Fevereiro de 2011.

As felicidades se misturam, para tantos risos quanto forem os tipos de palhaços no salão a céu aberto e em ritmo eficaz de cortejo nas ruas de Teresina privilegiadas com a festa em movimento.

As famílias às portas de casa e à margem das avenidas e ruas abraçadas pelo Corso retribuem desejos de quanta alegria puder ter “feedback”. O espetáculo-cortejo que reúne o “Caminhão das Raparigas”, motivo de refresco de dias de outros carnavais, e as mais sugestivas e criativas ideias a carros alegóricos, enfeita a alma brasileira em que o “morro” e a cidade liberam sua melhor fantasia.

Brasil de salário mínimo arrochado, de “Deus e o Diabo na terra do Sol”, das vidas simples de cadeiras na calçada, dos descamisados e também dos muito bem vestidos é, sobremaneira, a nação que sobe e desce as avenidas do samba para só curar a ressaca quando o carnaval passar.

Não se contesta alegria nem felicidade naturais dos foliões que a terra de Macunaíma pariu. Então é só aquecer os pandeiros e tamborins porque os ritmos e evoluções foliãs brotam das casas, das periferias, dos centros, das zonas fantasiadas de diferenças “nobres”, da alma brasileira chamada carnaval para corpo coletivo de liberdade.

Ao “Corso do Zé Pereira” lembrança de carinho e saudade. Que venham as novas entradas porque os estandartes e cores da folia enfeitam um Brasil que exercita a arte de ser feliz.

 



sábado, 26 de fevereiro de 2011

Aconchego musical

Aconchego musical
por maneco nascimento

Unir paixão, sanfona e música não poderia fugir da pauta de doces melodias, virtuoses musicais e prazer distribuído em notas do cancioneiro popular brasileiro. Gonçalo Aquino Cardoso nasceu para a arte alcunhado de Sivuquinha e ferrou mula rumo ao sucesso, sem contradição.

De Regeneração para o mundo, Sivuquinha construiu um histórico musical de ganhar o público de primeira, tocando bem, o que sempre gostou e aprendeu das cifras do Brasil da boa MPB.

 No último dia 24 de fevereiro de 2011, às 20 horas e 30 minutos, o palco do Teatro Municipal João Paulo II recebeu o show “De volta para o aconchego” que reuniu Sivuquinha e convidados.

Numa deliciosa hora e meia de aconchego musicado e de deleite sonoro à guisa de grandes sucessos populares da velha e assentada música popular brasileira, o Show reuniu o ilustre músico Sivuquinha, Alfredo Werney, Aloísio César, Silvana Ferreira, Pedro Júlio, Mayana Café, Zaqueu do Acordeon, Laryos Lima e Pedro Felipe .

Atualmente residindo em Brasília, o artista Sivuquinha desceu o Planalto Central para confraternizar com amigos e família as saudades e as boas memórias do cheiro de terra molhada. E nada melhor do que rever os seus e comemorar musicalmente, nos acordes do aconchego.

A tarde chuvosa prenunciou a festa para mais tarde, naquela noite do dia 24 de Fevereiro de 2011, quando o público não se fez de rogado e veio prestigiar um dos nossos dedos mágicos da sanfona. Em determinado momento do show, ao falar das experiências das pautas musicais experimentadas, também tocou “Over the rainbow” (Harold Arlen/E. Y. Harburg), cifras populares made in EUA.

Chovia lá fora e cá dentro do prazer de ouvidos concentrados na platéia do Teatro Municipal João Paulo II caíam sobre a assistência doses de alegrias delegadas pelas cordas, foles, vozes delicadas de Silvana Ferreira e Mayana Café e os sonoros toques da percussão ritmada.

“De volta para o aconchego”, com Sivuquinha e Convidados, realizado no João Paulo II, teve o apoio luxuoso da Prefeitura de Teresina, através da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, e só deixou gostinho de quero mais.

Foi um convite às horas de beleza e sensibilidade saltadas do aconchegado desejo de encontrar-se prazer de melodias privilegiadas na reunião de artistas e seu fiel público para velhas e novas canções transitadas.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

“Para ser feliz”

por maneco nascimento

 “(...) Eu me lembro com saudade
O tempo que passou
O tempo passa tão depressa
Mas em mim deixou
Jovens tardes de domingo
Tantas alegrias
Velhos tempos
Belos dias (...)”

“(...) Hoje os meus domingos
São doces recordações (...)”
(Jovens Tardes de Domingo/Roberto Carlos)

Maria Luiza Vitória Figueiredo poderia ser + um nome a povoar a demografia piauiense, se não se chamasse Sulica. Um mulherão que com simpatia e prazer desinteressado incrementou agitação cultural na cidade de Teresina e foi sertão adentro levando cultura a toda parte.

(foto do jornalista Francisco Magalhães)

A Fundação Estadual de Cultura do Piauí – FUNDAC prestou uma justa homenagem a nossa querida Sulica, vitoriosa a partir do nome de batismo. Digo nossa porque essa personalidade sem risco de celebridade, patrimônio da chapada do corisco, provou que quem nasce com o gene da cultura não morre acorrentado ao pé da mesa de gabinete do serviço público. Faz acontecer.

Nas velhas tardes de domingo ia-se encontrar Maria Luiza Vitória à frente da Feirinha na Praça, a Saraiva, a carregar uma tarefa saudável de tirar a cultura das discussões das salas oficiosas e fazê-la no pátio popular, local de arte diversa e coletivizada. Cantores, músicos, atores, diretores, fiéis do depois da missa e as famílias do domingo na praça marcavam ponto.

Neste último dia 23 de fevereiro de 2011, a partir das 9 horas da manhã, em festa preparada à convidada ilustre, viu-se uma mulher de fibra ser alçada pelas escadas da FUNDAC até o auditório daquela Casa que recebeu uma placa com seu Nome.

Recepcionada por um cordão de brincantes da cultura popular do bumba-meu-boi, estava onde melhor foi feliz. No convívio das cores, das fitas, tambores, caboclos, miçangas e penas, da arte de toda parte convergindo em rica luz de felicidade aos Folguedos, Projeto em que seu nome seria indispensável de lembrança.

A solenidade oficial, depois do descerramento da placa, trouxe a leitura de uma carta pública de Zé Dantas, sonoplasta e parceiro da Feirinha da Praça, em que repercutia a memória afetiva que os uniu.

A Presidente da FUNDAC, Marlenildes Bid Lima, emocionada agradeceu a presença de quem chamou de a Dama da Cultura Brasileira e, enquanto homenagem, lembrou Nelson Cavaquinho:
“(...) Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora (...)”

“(...) Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais.”
(Quando eu me chamar saudade/Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito)

Entre outras palavras sinceras e humildes, Maria Luiza Vitória Sulica expandiu a lição emblemática ao dizer: “Fui uma pessoa que deixou as coisas florirem.” Lembrou o nome dos velhos amigos, da mãe de 92 anos, pediu perdão a todos e, numa simplicidade de quem não tem + nada a perder, pediu que não tivesem pena dela.

Na reunião, muito prestigiada, a imprescindível persona do patrimonio cultural desta cidade agradeceu a todos e sem medo de ser feliz, predicado feito oração sempre elevada a Deus, desconstruiu o mito do desaparecimento com tranquilidade invejável.

Pareceu entender que deixar essa casca gasta que encobre nossa mortalidade não é o fim. Maria Luiza Vitória Figueiredo, entre as doces recordações de Roberto e as homenagens em vida de Nelson Cavaquinho, é doce canção familiar para ser solfejada com carinho e repetida aos dias de memória da saudade com o respeito, sem demagogia, à artista que nos é cara.